domingo, 25 de setembro de 2016

Projeto 10x10 já começou na ES Seomara da Costa Primo

Nesta edição do Projeto 10x10 (Descobrir/Gulbenkian) regressei à Secundária Seomara da Costa Primo (Amadora), desta vez para trabalhar com o Nuno Resende (Educação Física) e a Helena Moita de Deus (Biologia). Lá na escola, já reencontrei a minha companheira Elisa Moreira dos “Uivos Lusófonos”. Trabalho planificado e lá fomos à aventura! O primeiro contacto com a turma do 10º ano, na aula de Biologia, foi engraçado; contei uma história homenageando Seomara da Costa Primo, falei do meu trabalho e a conversa foi derivando para temas da ciência e dos animais. Gostei particularmente da conversa sobre lobos e cães – afinal sou eu que estou a aprender… Mas realmente reveladora foi a aula de Educação Física, onde se soltaram, respondendo com alegria aos exercícios incomuns que fomos propondo. Pedi que cada um escolhesse uma criatura do oceano, do estuário ou do rio, de acordo com a sua personalidade. A cada animal escolhido fui comentando com algumas curiosidades biológicas, completadas com outras referências dos alunos. Depois seguiram-se exercícios de movimento e voz – um trabalho em torno da memória, da atenção e da cooperação imaginativa, utilizando algumas micropedagogias.


Paralelamente ao projecto tenho vindo a ler um pouco mais sobre Seomara da Costa Primo. Dei com um livro de botânica com belas ilustrações. Talvez daqui surja alguma ideia para o projeto... 

É interessante ler aquilo que Seomara escreveu em 1930 sobre o ensino; junto aqui uma pequena citação: “...transformação dos métodos de ensino em métodos activos, que tendem a favorecer a actividade pessoal da criança, procurando rodeá-la das mesmas condições que encontrará na vida, levando-a a resolver problemas em que é colocada, dentro das suas forças e da sua mentalidade, o que é certo é que também nos nossos programas muito pouco se cuida dos problemas da vida."

Projeto interdisciplinar Rimas Salgadas

Nesta altura em que o Projeto 10x10 (Fundação Calouste Gulbenkian/Programa Descobrir) está de novo nas escolas, partilho aqui uma espécie de eco pedagógico que se sente nas escolas por onde o projeto passou. É o caso da Secundária Padre António Vieira (Lisboa) e da a Professora Maria João Mineiro que me convidou para falar sobre o “Rimas salgadas” a uma turma de Biologia na Biblioteca Escolar. Fui testemunha de um trabalho escolar com muita qualidade. Até fizeram uma canção sobre a Alforreca!... Deixo aqui o link para um interessante sítio onde se cruzam intertextualidades e recursos na abordagem da Biologia, ao mesmo tempo que se dá notícia da passagem de um autor pela escola: http://aea10biogeo.wixsite.com/espav-biogeo-pt/projeto-interdisciplinar-rimas-salgadas

sábado, 24 de setembro de 2016

Curso Laredo: Inclusão, Escola, Biblioteca: Mediação Leitora, Educação Artística e Necessidades Educativas Especiais

Trabalhando as histórias com pessoas limitadas pela paralisia cerebral (Centro de paralisia Cerebral de Beja - Palavras Andarilhas 2016)

Depois do Curso “mediação leitora em bibliotecas e doença mental” (2016 – Instituto Nacional para a Reabilitação) e da primeira edição de “Inclusão, Escola, Bibliotecas: Mediação Leitora, Educação Artística e Necessidades Educativas Especiais” (2016 – Centro de Formação António Sérgio) chega agora o 2º curso que terá lugar em Lisboa na Escola Secundária António Damásio que decorrerá a 5/11, 12/11 (online), 19/11, 26/11 (online) e 17/12. Registo de acreditação: CCPFC/ACC-85617/16. Formadores: Miguel Horta, Maria José Vitorino e Simão Costa. Esta ação tem como objetivo a apropriar ferramentas pedagógicas diversificadas para conhecimento mais atualizado e melhor intervenção junto dos alunos, em particular dos que necessitam de apoios educativos e sociais especializados, vulgo com NEE. Abordar diferentes metodologias de intervenção, refletindo sobre os vários caminhos que se apresentam ao professor, educador, técnico ou mediador cultural. Partilhar saberes que se vão adquirindo pelas práticas e pelo trabalho com estes alunos. Elaborar propostas de trabalho a desenvolver em contextos educativos formais. Contribuir para a afirmação de uma Escola mais inclusiva. Um curso com forte componente prática. http://www.cfantoniosergio.edu.pt/. Cfantoniosergio@esddinis.pt . 218310197

Oficinas do Folio Educa: Duplas de artistas e professores bibliotecários + alunos fantásticos!

Foto tirada no final do último plenário dos "Oceanutópicos" - Uma gente gira...
O Folio, Festival Literário Internacional de Óbidos já começou. Na realidade, para nós mediadores/artistas , começou muito antes, convocados por Maria José Vitorino, curadora do Folio Educa, temos vindo a construir as nossas intervenções. Susana Pires (minha colega mediadora cultural) apresenta a seu projeto “À (re)conquista do Mundo”, realizado a par com o professor Luís Germano e alunos do Agrupamento de escolas de Óbidos. Lê-se assim sobre esta proposta: “Se, como já dizia o poeta, a utopia é como a linha do horizonte, inalcançável, que se afasta um passo a cada passo que damos ao seu encontro, ela é também aquilo que temos dentro que nos faz continuar sempre a caminhar. Um fulgor interior que não permite que deixemos de sonhar. Num tempo em que fortes ventos de mudança abalam a História, é, pois, urgente empenhar alma e coração num futuro feliz, livre, justo e sustentável para o mundo. É altura de sonhar o impossível. Em Utopia, escrito em plena época dos Descobrimentos e das Conquistas das terras e das gentes do Novo Mundo das Américas pelos europeus (1516), Thomas More descreveu essa ilha exemplar ainda hoje inspiradora em tantos aspetos, e que ofereceu o nome a todo o ideal de sociedade. Este livro servirá de alavanca propulsora desta oficina onde, ao arrepio de todas as leis, simularemos, à pequena escala da vila de Óbidos, a reconquista do mundo. Desta vez, com poesia em bandeiras de utopia”. Promete… Já Miguel Horta (artista plástico e mediador da leitura) que tem vindo a trabalhar com os alunos do Agrupamento de Escolas Reinaldo dos Santos (Vila Franca de Xira) em perfeita cumplicidade com a professora bibliotecária Hermínia Falcão Valente, fala assim do projeto “Oceanutópicos”: “Uma oficina de pensamento, oceano e utopia que promete interpelar os transeuntes e seduzir os jovens de Óbidos para a causa dos Oceanos. Pensamento, Palavra, Escrita, e Construção plástica, numa intervenção pelas ruas.A oficina Oceanutópicos (batizada assim por votação dos jovens participantes) já  começou no Agrupamento de Escolas Reynaldo dos Santos, em Vila Franca de Xira. Uma oficina que cruza a temática do livro Utopia de Thomas Moro com a urgência de pensar o mar. As sessões vêm realizando-se na bela biblioteca escolar da escola mãe do agrupamento e reúnem 20 participantes do 4º,8º e 11º ano num diálogo democrático e participado, transversal às diferentes idades em presença. Optámos pelo trabalho em pequenos grupos de reflexão temática que produziram pequenos textos afirmativos onde se propõem visões de futuro para os mares num exercício de transgressão criativa que vai crescendo a cada nova sessão realizada na biblioteca escolar. Em debate tem estado a forma como vamos partilhar o pensado e escrito pelas ruas de Óbidos, cativando transeuntes e alunos das escolas locais, para o tema da Utopia com sabor a Mar. Peço que nos desculpem por não divulgarmos (ainda) o que estamos a preparar – não queremos estragar a surpresa…” Mas podemos adiantar que alguma coisa interventiva vai acontecer em Óbidos no dia 28 de setembro… Já Luís Mourão (com Ana Paula Cardoso) está a preparar um espetáculo com os alunos do Agrupamento de escolas de S. Martinho do Porto: “Em muito poucas mas muito intensas sessões de trabalho com os alunos e professores da Escola Básica 2,3 do Agrupamento de Escolas de São Martinho do Porto se construiu de raiz um texto a partir das palavras de cada um dos membros do grupo e das múltiplas utopias que nelas se leem; procurou-se, noutros enunciados utópicos – Thomas More, Eduardo Galeano... - forma de lhe dar alguma consistência narrativa e, finalmente, traduziu-se tudo num pequeno espetáculo de Teatro. Chamámos-lhe “Utopias Privadas”. É este espetáculo que daremos a ver”. Destaque, ainda, para a oficina de Margarida Mestre “Voz e fisicalidade”: “Oficina de Voz e Fisicalidade sobre palavras, frases e pedaços da obra Utopia de Thomas More. Encontraremos forma de nos apropriarmos das suas palavras e de as fazer nossas. Daremos relevo à oralidade, à musicalidade da linguagem, à fonética e aos coros vocais e físicos”.


quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Leitura Bibliotecas Estabelecimentos Prisionais

Imagem de sessão de escrita criativa no EP Guimarães
(Guimarães Capital da Cultura)
Cá está o Curso da Laredo Associação Cultural
Leitura Bibliotecas Estabelecimentos Prisionais!

Registo de acreditação CCPFC/ACC­86703/16 
3 de dezembro e 5 de novembro
Local:Lisboa (em breve a confirmação da sala) 
Formadores: Maria José Vitorino e Miguel Horta
Destinatários: Educadores de infância (há-os nas Prisões), Técnicos de Estabelecimentos Prisionais, Técnicos de Bibliotecas Públicas, Bibliotecários, Professores do Ensino Básico, Professores do Ensino Secundário e Mediadores Culturais
PROGRAMA
A população prisional em Portugal tem vindo a aumentar em número. Muitas escolas em todo o país desenvolvem ensino em prisões, escasseando as ofertas de formação para os professores envolvidos. Alguns centros de formação têm vindo a identificar esta necessidade, por estarem mais próximos de estabelecimentos prisionais, como, por exemplo, Lisboa, Cascais, Bragança, Évora, Porto, Faro e Ponta Delgada A Biblioteca prisional tem um papel muito importante na aprendizagem ao longo da vida, e pode ser um recurso valioso em estratégias lectivas, ao mesmo tempo que, com a biblioteca pública, constitui um parceiro a ter em conta pelas bibliotecas escolares. 
 Objectivos a atingir  
1. Atualizar informação sobre estabelecimentos prisionais, bibliotecas prisionais e escola em contexto prisional;
2.Sensibilizar para o valor educativo da mediação leitora, da promoção da leitura e das bibliotecas em contexto prisional, numa perspectiva inclusiva; 3.Promover estratégias educativas de cooperação interbibliotecas – biblioteca escolar, biblioteca pública, biblioteca prisional – sustentáveis quer da educação formal quer da aprendizagem ao longo da vida de reclusos/as; 
Conteúdos da acção 
Apresentação da ação ­ 1 hora 
Módulo 1. Estabelecimentos prisionais em Portugal, 2015. Serviços de leitura e biblioteca. Escola na prisão.­ 2 horas 
Módulo 2. Bibliotecas prisionais. Guidelines IFLA, 2005. Guidelines das Bibliotecas Escolares, 2015. ­ 3 horas 
Módulo 3. Leitura e mediação leitora em contexto prisional. ­ 8 horas. 
Módulo 4. Estratégias promotoras de leitura e literacia. ­ 10 horas 
Encerramento e Avaliação da ação de formação ­ 1 hora. 

Link:

sábado, 3 de setembro de 2016

Contar a todo o vapor!

Biblioteca de Praia de santa Cruz
Na contagem decrescente para o “Rio de Contos”, tempo ainda para uma sessão de conto na Biblioteca de Praia de Santa Cruz (Biblioteca Municipal de Torres Vedras). Uma noite fria e húmida, mas o público lá foi chegando – muitas crianças, numa sala bem composta. Claro que o caminho dos contos mudou logo com a composição do grupo, o que deu lugar a canções, disparates e outras brincadeiras ao gosto dos mais novos. Uma palavra de agradecimento especial à Ana Pereira pelo apoio dado a esta sessão de narração.
Biblioteca do Vapor - Cova do Vapor (Trafaria)

No dia 8 de setembro pelas 18h, estarei na Biblioteca do Vapor (Cova do Vapor – Trafaria) para mais uma sessão de conto com sabor a maresia - Regresso a um dos meus lugares favoritos da margem sul! No dia seguinte começa o Rio de Contos no Clube Desportivo e Recreativo do Feijó.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Prémio Professor Jorge da Silva Horta


JORGE AUGUSTO DA SILVA HORTA

O Prof. Jorge da Silva Horta nasceu em Lisboa a 23-XII-1907 e faleceu, na mesma cidade, a 31-XII-1989.
Licenciou-se em Medicina em 1932, e fez o Internato nos HCL.
Iniciou a sua carreira em Patologia Clínica, chegando a ser Chefe do Laboratório da Clínica Cirúrgica do Hospital de Santa Marta (1934).
Doutorou-se em Medicina em 1940.
Foi Chefe do Laboratório do Hospital Militar do Faial (1941), e montou o Serviço de Análises de Águas do Faial (1942).
Foi Professor Agregado de Anatomia Patológica e Patologia Geral (FML) em 1943; Professor Extraordinário de Anatomia Patológica de 1945 a 1948, e Professor Catedrático de Anatomia Patológica em 1948. Foi colaborador do Prof. Wolhwill.
Ocupou o cargo de Professor Bibliotecário de 1948 a 1954.
Foi Diretor Interino do Instituto de Medicina Legal (1949-54).
De 1955 a 1960 ocupou o cargo de Diretor da Faculdade de Medicina de Lisboa.
O Prof. Jorge Horta foi Bastonário da Ordem dos Médicos de 1956 a 1962, Sócio da Academia das Ciências de Lisboa (1959), e Presidente da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa, de 1969 a 1976.
Foi Diretor do Instituto de Anatomia Patológica de 1966 a 1979, e fundador da Sociedade Portuguesa de Anatomia Patológica.
O Prof. Jorge Horta foi um notável professor com excelentes qualidades didáticas, muito apreciadas pelos estudantes de Medicina e pelos jovens médicos, com os quais, aliás, manteve sempre um bom relacionamento, seja na qualidade de Diretor da FML, quer como Bastonário da OM.
Teve um papel relevante no eclodir, no seio da Ordem, do chamado Movimento dos Novos (1953-61), movimento de jovens médicos que se estendeu a todo o país e desencadeou o processo que culminou no Relatório Final sobre as Carreiras Médicas. Este importante documento, concluído em 2 de Maio de 1961, foi assinado, entre outros, pelo Prof. Jorge Horta, como Bastonário e Presidente da Comissão, e pelo Prof. Miller Guerra, como relator. O Relatório foi aprovado numa memorável Assembleia Geral da OM de17 de Junho de 1961.
O Prof. Jorge Horta defendeu, nos anos 60, alguns estudantes de Medicina presos e levados a Tribunal Plenário.
Como Presidente da Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa, o Prof. Jorge Horta proferiu, na abertura do ano 71/72, um importante e corajoso discurso (14-XII-1971), intitulado “Em épocas de Crise”. A certo passo, e dirigindo-se ao Prof. Miller Guerra, que se havia demitido recentemente de Bastonário, em protesto contra a ação governamental de exoneração de 300 médicos, a mobilização dos Hospitais Civis e do Hospital Escolar de Lisboa, e a proibição de uma Assembleia Regional da OM, por si devidamente convocada, diz a célebre frase: “Eu, que já fui Bastonário da Ordem, em iguais circunstâncias, faria o que V.Exª fez”.
De entre as suas investigações, avulta o estudo sobre os efeitos das ações ionizantes, os tumores da cápsula suprarrenal, o hiperparatiróidismo experimental, a suberose, e a identificação da sustância amiloide (com Corino de Andrade).
Foi redator dos jornais Imprensa Médica e Amatus Lusitanus, e fez parte do Concelho Científico da Gazeta Médica Portuguesa, e da Direção Científica da Revista Luso-Espanhola de Endocrinologia e Nutrição.
Ao longo da vida recebeu vários prémios, como o Primeiro Prémio Pfizer (1956) e o Prémio Baron Portal da Academia de Medicina de Paris (1960), e a condecoração de Grande Oficial da Ordem de Instrução Pública (1979).