quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Diário gráfico - Gente

Numa das páginas, o meu filho. Na outra, Manuel Malhado, poeta popular de Vila Nova de Paiva, que entretanto nos deixou...

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Encomendas de Natal

Uma família Romena...
Outra família...no elevador.
Ao longo destes últimos anos tenho desenhado inúmeras actividades para famílias em diferentes contextos, isto porque acho este núcleo, nas diferentes composições que apresenta na sociedade actual, o lugar ideal para novas aquisições culturais a par das outras que os pais transmitem, afirmando “ser só intuição e bom senso”. A parafernália de meios lúdicos áudio visuais, analógicos ou virtuais não preenche na totalidade o espaço de comunicação humana, tão importante para uma sociedade saudável que opera sobre si mesma profundas mutações em direcção ao futuro. Desta forma, elegemos a Biblioteca Pública como espaço de encontro das famílias, descoberta e fruição da colecção que dispomos, propondo actividades que acrescentem outro compromisso para além do utilizador, possuidor de Cartão de leitor municipal. Citando Rui Miguel Costa (bibliotecário-BLX), “o melhor da nossa colecção são os utilizadores porque dão vida ao corpo total da biblioteca… afinal a colecção é um ser vivo. É importante saber comunicá-la ao outro, o leitor”. Foi neste sentido que surgiu a oficina “Encomendas de Natal” que reuniu algumas famílias em volta de embalagens de correio verde (sem limite de peso). A ideia base era enviar uma encomenda, feita na biblioteca, para um amigo ou familiar que estivesse muito longe da Biblioteca do Feijó, local onde se deu este convívio. E nessas encomendas, uma espécie de contentores de afectos, poderiam caber poemas, desenhos, prendas, conchas recordando o nosso mar, fotografias, e objectos tridimensionais…houve quem enviasse flores secas para uma morada no Alentejo. Entre os destinos dessas cartas/encomendas estava uma cidade da Roménia, outra de Santiago do Cacém e ainda outra em Oliveirinha do Conde na Beira Alta…
Desarrumámos a biblioteca, vasculhando estantes, à procura de poemas para enviar e, de cola e tesoura na mão fizemos árvores de Natal a par de outros objectos curiosos. Ainda escolhemos um local da Biblioteca para nos deixarmos fotografar e colocámos no envelope a foto impressa. Fiquei muito comovido quando uma família Romena traduziu um poema meu na sua língua materna, tendo a Mãe escrito um poema aos dias passados na biblioteca, em versão bilingue. Assim se celebrou o Natal entre livros na Biblioteca José Saramago no Feijó (Almada).

domingo, 26 de dezembro de 2010

Diário gráfico: Canal

Mais um desenho do diário gráfico: toalha de praia sobre os calhaus rolados, livrito sobre os joelhos, na mão um lápis luminance preto. A Pedra da Agulha vista da praia do Canal (Arrifana)

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Diário gráfico - Vila Nova de Paiva

No meio das minhas viagens pelo nosso país (sempre com o saco dos livros atrás…) têm lugar encontros especiais, onde a comunicação é o objectivo e o desenho a ferramenta. Assim, o café central de uma terra pode ser um local de amena cavaqueira ultrapassando os limites da vida corriqueira de pouco pensar e de pouco sorrir. O cadernito de desenhos sai do saco sem ser intrusivo e o gesto do desenho torna-se familiar, acabando a noite com uma partilha de vidas que fica ali suspensa a cada baforada de fumo dos cigarros: e nessa noite, não se fala de bola… Confesso que gosto de ver as pessoas saindo da casca quotidiana para uma situação não habitual , acenando essências que os caracterizam de forma mais solta. Estes dois amigos são das “Terras do demo”, Vila Nova de Paiva, sempre que volto aquelas paragens paro para os cumprimentar: ao dono e ao cliente habitual, personagem estouvado da vila.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Diário gráfico - Amoreira

 
O gato não esperou pelo final do desenho...Mas a tarde passada no areal da praia da Amoreira foi fantástica. Do outro lado do rio a encosta sobe coberta de urze e muitas outras plantas que desconheço o nome (endémicas da Costa Vicentina).

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Diário gráfico - Arrifana


Sobre os blocos de pedra da Calheta a minha filha desenha a Pedra da Agulha...E eu desenho o que ela desenha. Momentos nossos, quando a maré nos invade tranquilamente a Vida. 

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Marcianos em Braga

Com um pouco de atraso aqui vai a notícia das “Palavras marcianas” em Braga na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva. Foi bastante divertido, sobretudo porque a intenção primeira dos extraterrestres era devorar os habitantes da “orbe cerúlea”… Este jogo com a língua portuguesa torna-se mais divertido quando os jovens participantes se soltam com a irreverência que os caracteriza.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Um pinheiro de Natal...em Vale de Madeiros.

Passara lá pela mata e vira o seu maior pinheiro marcado com um lenço vermelho a drapejar ao vento Norte… Entendeu logo o sinal. Então, imaginou logo a cena na noite da Consoada com o seu enorme pinheiro a arder no largo fronteiro à capela e os vizinhos saídos da missa do galo a perguntar:
- Então? Quem é o desgraçado do dono do pinheiro este ano?

Quando jovem fizera exactamente o mesmo na véspera do Natal, lá em Vale de Madeiros. Escolhia-se sempre o maior pinheiro da pior pessoa da aldeia, aquela que menos respeitara as regras, não escritas, da comunidade.
Assim, pela calada da noite fria, ele e um bando de jovens estouvados haviam deitado muitos pinheiros abaixo, ao som da motosserra roendo o tronco. Um baque surdo e a grande árvore caindo no chão, revolvendo a caruma toda no meio da geada.
Agora… fora ele o escolhido, para gozo geral dos jovens que haveriam de aquecer as mãos nas brasas da sua velha árvore... E aquela gente toda saindo das orações ao Deus menino, chasqueando da sua pessoa.
Fora ficando cada vez mais seco e azedo desde a morte da sua mulher, como um choupo desfolhado pela invernia. Agarrado ao dinheiro, não pensava noutra coisa senão amealhar. E para quem? Talvez fosse uma mimosa azeda, chupando água desalmadamente. Sempre fora homem de trabalho duro, sol a sol, amealhando o pouco que a terra dava. Guardava para o Futuro: uma espécie de grande colheita destinada só a alguns eleitos que teriam lugar reservado junto ao "Supremo", no dia do deve e do haver.
A neta aparecera-lhe um dia em casa a pedir ajuda. Ele respondera que “trabalhasse, que era o que ele fazia!”. E ela saíra de rosto carregado e olhos marejados de lágrimas. Nem para a família era bom...
Bem notava os olhares na sua direcção, durante os bailes da “Associação”, lá no terreiro dos grandes eucaliptos. Se continuasse assim, pelo Carnaval, decerto lhe poriam um "pisão" na porta de casa e sabe-se lá que mais o povo da terra iria inventar..


Ficou ali parado a olhar o pano vermelho atado a uma ramada da sua árvore….
E, no silêncio da mata, pensou conversando consigo mesmo:
- Assim como assim, este já está condenado! Que o queimem...a rapaziada lá se irá divertir à volta da fogueira. Mas, quando chegar o Entrudo, hei-de convidar essa malta para beber um caneco do meu vinho, assim que escutar o som do pedregulho contra a porta do meu quintal!


Pisão: Tradição de Entrudo típica de Canas de Senhorim que consiste em amarrar um pedregulho à porta da casa da “vítima”, através de um sistema engenhoso de cordas, fazendo-a levantar da cama a altas horas da noite. Provoca sempre riso!
Associação: Clube desportivo e recreativo de Vale de madeiros onde se fazem belos bailes nas noites de Verão.
Nota: Um texto velhinho mas que me apeteceu publicar, relembrando o crepitar das lareiras na noite de Natal.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Regresso à "Cor das histórias"

"Eu sou Tu" - EPR Montijo (foto autorizada)
Recomeço amanhã com as minhas sessões de mediação da leitura e da escrita em estabelecimentos prisionais. Chegarei de manhã ao EPL (Lisboa), deixarei os meus pertences ao guarda da recepção, passarão o detector de metais pelo meu corpo e depois, o barulho de ferro do gradão. Levarei objectos perigosos no meu saco “andarilho”: Livros. Cumprindo o seu dever, o guarda investigará o conteúdo do saco. Vou conhecer um grupo novo de presos e os meus olhos tentarão logo identificar os futuros leitores entre um grupo de rapazes agitados e fustigados pelas marés da sua existência. Começarei com coisas simples, contos; depois pegarei na palavra num pingue-pongue de comunicação. Na mão, Álvaro de Magalhães (“O Brincador”), para explicar o ofício da escrita. Começa agora uma outra existência dentro da minha vida que se prolongará por um ciclo de seis sessões entre muros. Quando terminar, espero ter feito leitores e poder ler os textos lavrados na reclusão como janelas abertas aos céus. Le ciel est, par-dessus le toit,Si beau, si calme (…)” Paul Verlaine

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Eu sou Tu (oficina)

Uma oficina onde se parte do corpo chegar à construção colectiva de histórias. Como misturar o meu corpo com o teu e com o dele? Claro, que só em grandes folhas de papel de cenário, recortando com um grafite grosso o nosso contorno, somando tudo no suporte. Poderemos acrescentar objectos, abrindo as portas a diferentes histórias. Tudo pode acontecer sobre uma grande folha de papel, de repente transformada no céu, no mar ou num cenário quotidiano onde as nossas personagens de repente ganham vida. Ao longo de 90 minutos aprendemos a trabalhar em conjunto, grupos de 5 elementos, talvez juntando tudo numa grande história final, um pouco projectiva da nossa existência… (exemplo em "Tásse a ler")
SPA:17777 

Vera Alvelos


De vez em quando cá falo de mediadores culturais que admiro, é o caso da Vera Alvelos que conheci há muito tempo atrás no CPA (CCB). Temos desenvolvido oficinas em conjunto no Centro de Arte Moderna e cruzamo-nos amiúde pela vida. Prestem pois atenção a este video que aqui apresento sobre o projecto "Biblioteca de mala aviada".

sábado, 27 de novembro de 2010

Contos em Lisboa

Foto de Gisela Ramos Rosa
Para quem se queixa de eu nunca contar em Lisboa, aqui está uma maneira diferente de passar o serão de dia 3 de Dezembro (6ªfeira-21.30h): Contos e outras oralidades no "Quarto da Lua" em Campo de Ourique (Rua Almeida e Sousa nº 25 - cave - Jardim da Parada). está feito o convite!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Avaliação...


Comentários sobre a minha oficina "Eu sou Tu" no projecto "Tásse a ler"...

"Roberto Cunha: eu adorei a actividade! você é marado da cabeça :))
João Esteves: eu gostei muito de saber mais coisas sobre a sua vida, por isso fiz tantas perguntas!
Joel Fernandes: eu gostei de dar uso à minha imaginação, pois não a usava há dois anos ... ou mais!
Tiago Alves: eu gostei da actividade porque foi muito interessante e diferente!
Eva Esteves: gostei muito da actividade porque foi totalmente diferente! Nunca tinha participado em nada parecido!
Vasco Nabeiro: foi muito à frente!
Miguel Fernandes: achei interessante e engraçado pois nunca tinha feito uma coisa assim!!!
Henrique Gonçalves: gostei da actividade porque nunca tinha contado uma história a partir do meu corpo!
Renata Mendes: achei a ideia muito boa, fazer histórias a partir de objectos e do nosso corpo...
Marcelo Rodrigues: como não tive que pensar muito ... gostei!
Filipe Afonso: achei esta actividade muito divertida porque foi totalmente diiiiiiiiiiiiiferente!
Filipe Alves: embora não tivesse participado muito nesta actividade, até gostei de ver os meus colegas a trabalhar!
Francisco Santos: foi espectacular!
Gabriela Gonçalves: foi muito divertido e o Miguel é bué da fixe."

sábado, 20 de novembro de 2010

Andarilhas: "No meio do caminho havia uma pedra..."


O Cante dos contos:Textos de António Torrado, José Fanha, Matilde Rosa Araújo e Carlos Drummond de Andrade

O 6ºE na Net!

Estive na Biblioteca do Feijó com uma turma bem divertida da escola da Alembrança. Durante hora e meia escreveram a partir de trechos sonoros que continham histórias sem uma única palavra na nossa lingua. Boa parte deles já frequenta a Biblioteca Municipal, por isso não acham estranho que apareçam por lá mediadores um pouco mal comportados... Resultado: uma série de textos bem engraçados que espero sejam publicados no blog da turma.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Quermesse Andarilha

Nas “Palavras Andarilhas” (encontro fundamental para conferir práticas de mediação do livro e da leitura que tem lugar na cidade de Beja) apresentei uma “quermesse de contos” nas Portas de Mértola, mesmo no coração da cidade. Tínhamos debatido entre nós qual o modelo de intervenção directa a aplicar na cidade em prol da promoção do livro e da leitura. A minha primeira ideia foi rebatida por dois ilustres mediadores: a Cristina Taquelim e o Maurício Leite. Assim ficou desenhada esta ideia que passo a relatar: Montámos o “arraial” na praça com uma cestinha de rifas (gratuitas, como o empréstimo domiciliário) que continham poemas de António Aleixo, pensamentos de Agostinho da Silva e textos de Teresa Martinho…bom, de vez em quando lá saía uma rifa com um doce e claro, o transeunte tinha direito ao rebuçado. Mas o grande sucesso foi o “Jogo da pesca”. Um alguidar com areia dispunha vários peixes coloridos, cada um com o seu prémio: Um livro, um rebuçado, um conto (aí tínhamos que contar a história em voz alta na praça), um texto (a Cláudia Sousa pegava no livro e lia) ou um poema que declamei da melhor maneira que soube naquele Sábado ensolarado sob o olhar curioso de quem passava. Entretanto o Nelson Batista orientava os pescadores de palavras na difícil arte da captura de histórias. Conseguimos juntar um bom número de habitantes de Beja e confirmámos a possibilidade da ferramenta…
Aqui na visão de Pedro Horta

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Fora de cena quem não é de cenas!

A abrir esta nova temporada do projecto “Tásse a ler” resolvi abordar o texto dramático, muito por influência do meu Retratinho de Amílcar Cabral”. Como criar uma oficina curta que introduzisse a escrita teatral entre os jovens? Peguei nos “Emoticons” habituais no Messenger e nos telemóveis e atribui a cada um o valor de personagem. Cada jovem participante escolheu o seu “smile” ditando o carácter da personagem que iria encarnar. Depois, foi escolher o local onde a cena se passava: um restaurante, o inter-cidades, o Centro de Saúde, a Biblioteca… enfim todos os cenários foram possíveis para a escrita da peça. E funcionou! Hora e meia depois, de "smile" à lapela, já tinham o esboço da peça e ri-me com gosto das situações que criaram. Ora espreitem o ambiente aqui no “Tásse a ler”.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

O jogo da poesia

Este verão, numa oficina de escrita imaginativa que orientei nas “Casas do Visconde” (Canas de Senhorim), propus às crianças uma variação sobre a “máquina da poesia” que apresentei atrás: “O jogo da poesia”. Mais fácil de transportar e pode ser jogado à sombra de uma árvore.
Pegando nas categorias apresentadas no quadro da “Máquina da poesia” (com algumas variações), pedi que me fizessem um jogo de cartas de diferentes cores e que ilustrassem cada palavra escrita. Assim apareceram cartões de cores diferentes para cada categoria de palavras. Azul para objectos ou elementos, amarelo para personagens, rosa claro para verbos, magenta para adjectivos e verde claro para lugares. Como o jogo foi todo feito por eles, as cartas saíram um pouco desiguais mas cheias de expressão gráfica. Depois, toca a baralhar, a partir e a dar as cartas a cada um dos jogadores. Cada um põe a carta na mesa de forma a construir uma frase bonita ou interessante. Cada jogador utiliza uma carta na sua vez, se não conseguir passa a vez a outro. Partindo da fotografia apresentada, aqui fica um exemplo de como poderia ficar a jogada completa: “Soldado alto vê flor a arder” ou “o urso vê o vulcão a arder no alto”. Se todos concordarem…coloca-se o ponto final.
Como o jogo é feito pelos participantes eles envolvem-se bastante com a ideia. A figura do mediador como árbitro neste jogo é muito importante; esclarece dúvidas e mantém o controlo gramatical nas frases construídas.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A "Máquina da poesia"

Foto cedida pela Rede de Bibliotecas de Almada
Cumprindo apromessa que fiz durante o encontro Eterna Biblioteca em Sintra, aqui fica a prática referida durante a nossa manhã agitada...
O mais interessante de uma receita é ela ser ponto de partida para novos cozinhados a pensar em comensais específicos. Vem isto a propósito da metodologia que uso em “a máquina da poesia” que pretende trazer gente reticente para o terreno da escrita e da leitura de poesia. Ponto de partida, a leitura atenta de "70+7 propostas de escrita lúdica", de Margarida Leão e Helena Filipe (Porto Editora), um livro bem útil para mediadores do livro da leitura e da escrita. Daqui surgiu esta forma de actuar que tenho aplicado com crianças, jovens e adultos em diferentes contextos, das prisões aos bairros “problemáticos” passando pelas bibliotecas públicas e escolares. Um método simples mas que necessita energia mediadora numa interacção afectiva com o grupo de participantes.
Aposto sempre com Eles que os consigo transformar em poetas em 30 minutos! Sucedem-se sempre as expressões incrédulas… Então apresento a minha “máquina da poesia”, que desenho numa folha de papel de cenário, afirmando que se trata de “um mecanismo muito sofisticado”. E lá aparece um grande rectângulo vazio desenhado no papel. Afirmo que a máquina é formada por várias partes e completo o esquema:
Como se pode observar a divisão 3 encontra-se subdividida.
-De que é composto um poema? Que matéria-prima deveremos colocar na “máquina” para produzir poemas? Com que é que funciona esta “máquina”?
-Palavras! Claro. É preciso introduzir palavras.
Peço a cada participante que introduza uma palavra (um nome, substantivo, personagens, espaços, objectos…) na primeira divisão (casa 1): dou o exemplo com a palavra “Palavra” e acrescento “poeta”, “sol”, “onda”, “ideia”… (por exemplo). Com a ajuda de um marcador grosso cada participante escreve uma palavra. Explico de seguida que a casa 2 será ocupada com verbos, a casa 3A de novo com nomes à semelhança da casa 1, a casa 3B com nomes abstractos (exemplifico com: “sabedoria”, “Amor”, “coragem”, “sabor”, “inteligência”…) e a casa 4 com adjectivos.
Ficamos com o quadro preenchido, fruto do contributo de todos.
Claro que as palavras mudam consoante os grupos. Alguns “engraçadinhos” colocam “bagaço” na máquina…mas ela não avaria…
Então dou um exemplo usando o quadro transversalmente para criar uma frase poética: “gato sonha na escuridão amiga” ou “poeta beija livro secreto” (…). Proponho que brinquem com as diferentes hipóteses, mesmo que pareçam estranhas. Poderão colocar artigos e preposições, alterar o tempo dos verbos e, até alterar a ordem do quadro (tabela). E não precisa de rimar para que seja uma poesia.
Acompanho todo o processo de ida ao quadro à procura de palavras e respectiva escrita, puxando aqueles que têm mais dificuldade ou explicando como um nome abstracto se torna num adjectivo (Ex: sabedoria – sábio). Entretanto os “engraçadinhos” já escreveram “Bagaço faz o escritor tonto”… previsível... Proponho que pensem noutra versão: “Bagaço derrota conhecimento profundo”. Porquê? Pergunto. Neste ponto do trabalho é importante que o mediador esteja no meio dos participantes de forma muito atenta. Existem momentos pedagógicos que não se podem perder, nem que seja para explicar a ortografia de uma palavra ou levantando a auto-estima de um participante.
Peço escolham as cinco melhores frases que cada um escreveu. Fazemos então uma leitura em voz alta. Nesse ponto chamo a atenção para as imagens que são convocadas pelos textos, esse é o cerne da poesia: os largos horizontes…não é necessária a rima: Imaginem o desenho que fazem na cabeça!
Proponho ainda mais dois exercícios:
-Quem escreveu versos com golfinhos? - pergunto. Juntamos todos esses versos encadeados num só poema e é feita uma leitura em voz alta. O resultado é muito engraçado.
-Quem escreveu frases com a palavra Amor? - Repete-se o procedimento perante o olhar surpreso dos participantes…tudo em 30 minutos. Vejam lá se eu não ganhei a aposta….
De seguida pego num livro de Haiku japonês e leio… São parecidos com os nossos poemas! – Alguém diz. Pois são…
Como última sugestão, desafio aqueles que não gostam assim tanto de escrever que ilustrem as melhores frases saídas da sessão. Mais tarde, este material poderá ser publicado no blogue da biblioteca escolar ou noutro qualquer suporte.
Na Biblioteca Municipal de Beja, a 21 de Março de 2010, Dia mundial da poesia, os poemas produzidos pelo grupo participante foram “atados” às patas de pombos correio e enviados para freguesias distantes da cidade onde outros autores os receberam lendo as mensagens poéticas (projecto Columbina). Pouco depois, era a vez dos primeiros poetas receberem frases vindas das freguesias da periferia.


terça-feira, 2 de novembro de 2010

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Retratinho de Amílcar Cabral

Mumini Djaló e Braima Galissa

Suzana Branco e Galissa

Tozé Barros
Aproxima-se a data da estreia de “Retratinho de Amílcar Cabral”, peça em que tenho posto toda a minha energia. No princípio da semana, o Tozé Barros caiu de um andaime nas obras (4 metros…); é que ele é trabalhador da construção civil de dia e à noite actor. Ontem esteve combalido nos ensaios, tinha tonturas e o corpo moído: Para mim, este jovem de Órgãos (Santiago – Cabo Verde) é um herói.
Durante os ensaios, mestre Galissa (músico Mandinga)vai passando a calma e a sabedoria ao som do kora, tem dado serenidade ao longo da construção desta mensagem que a todos toca profundamente. No começo de um ensaio tivemos a vista de Munini Djaló que me ajudou a trazer o ambiente da mata da Guiné para o palco. Prometi que faríamos uma apresentação convidando os fieis da mesquita e o grupo da cidadania participativa da Cova da Moura. Suzana Branco vai encenando o nascimento da peça com a sua força alegre. Domingos de Morais passou-nos muito afecto e crença num ensaio a que assistiu: fiquei sensibilizado. Estão três nacionalidades em cima do palco, tal e qual Cabral desejaria…
Por mail, os amigos desejam-me "muita merda" para a estreia.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Tásse a ler

Tozé e as histórias do búzio. Nunca me esquecerei do texto que ele escreveu sobre a vela e a vida.
Hoje quero falar-vos de um projecto que tem ocupado boa parte da minha vida: “Tásse a ler”. Ora este projecto situado no Vale do Minho engloba cinco concelhos: Monção, Melgaço, Valença, Vila Nova de Cerveira e Paredes de Coura. Sou o mediador de serviço! Assenta num eixo fundamental para a promoção do livro e da leitura: Biblioteca Escolar – Biblioteca Pública. Uma ideia que conta com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian; terá o seu término em Abril de 2011. Levar a leitura e a escrita a jovens com pouco interesse em “produtos culturais”, promover a rede de leitura pública como lugar de fruição cultural, apoiar a biblioteca escolar. Tenho desenvolvido uma oficina que baptizei de “escrita mal comportada”, propondo metodologias alternativas de sedução para uma escrita imaginativa. Livros pouco comuns também são trabalhados nestas sessões, em continuidade, com alunos do 7º ano, 8º ano e de escolas profissionais. Também apresento o “Eu sou tu” (ateliê de que falarei em breve neste espaço virtual) com turmas CEF. Mas o maior gozo, foi contar histórias em bares com o Thomas  Bakk; quem lá estava, podia fazer o seu cartão de leitor e requisitar logo ali os livros que expusemos nas mesas. A Biblioteca Municipal saiu à rua! O melhor é espreitar o Blog do “Tásse a ler” para se ter uma ideia do que vimos desenvolvendo.
Biblioteca Municipal de Valença . Por cortezia da DREN (Carla Tavares e José António Silva)

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Caça Texturas

Festival das aldeias Vinhateiras
Oficina onde se cruzam as artes plásticas e a intervenção urbana.

Nunca esquecerei as duas primeiras intervenções: uma em Viseu, percorendo a Rua Direita toda, pela mão do Teatro Viriato, a outra, a convite de Madalena Victorino, na zona envolvente do CCB (CPA) em Lisboa.

À procura de texturas e sinais, que um pouco por todo o lado, se encontram no chão e nas paredes da cidade. Como se fizéssemos aparecer a imagem de uma moeda num papel, riscando com um lápis. Munidos de grandes folhas de papel e barras de grafite, os participantes partem à procura de texturas pelas ruas, jardins e praças da sua cidade. Tampas em ferro dos telefones, água e esgotos, baixos-relevos de motivos variados ou texturas naturais. No fim da manhã, reúne-se a colecção que se conseguiu “caçar” nas folhas de papel, falando sobre a sua origem e função. E porque não montar uma exposição?
Procurar uma cidade invisível que passa por debaixo dos nossos passos apressados. Conhecer a origem de cada descoberta feita pelas ruas, desvendando a história da cidade. Estimular o olhar atento e a sua relação com o desenho. Desenvolver a cooperação entre o grupo. SPA 17777

sábado, 23 de outubro de 2010

Barcelos

Ao longo de dois dias andei pelos quatro cantos do concelho de Barcelos, de escola em escola, levando os meus ateliês e conversando com os alunos sobre o meu trabalho. A dinâmica da Biblioteca Municipal de Barcelos é evidente; no futuro, todo este trabalho de promoção do livro e da leitura dará os seus frutos. Muito deste sucesso deve-se a uma mediadora cultural discreta mas acordada: Ana Brito. Notei que havia muita pesquisa feita nas escolas sobre a minha obra; as questões postas pelos alunos foram bem interessantes, algumas difíceis de responder. Nota-se a qualidade das bibliotecas escolares e o empenho da autarquia.

Viatodos: estavam lá todos para os contos...

Numa época em que a condição de professor Bibliotecário é tão atacada pondo em causa o trabalho desenvolvido pelas Bibliotecas Escolares, foi com grande agrado que participei num fim de tarde único em Viatodos, Barcelos. Quando me convidaram para contar histórias ao fim da tarde para a comunidade (pais e filhos) pensei cá para comigo que ninguém iria aparecer aquela hora; jantar por fazer, outros afazeres da casa e tantas outras ofertas lúdicas… Enganei-me. Aos poucos foram chegando adultos e crianças até perfazerem um número aproximado de oitenta participantes, isto às 19 horas de um dia de semana…. Lembrei-me de umas palavras escutadas a Teresa Calçada (RBE) durante um encontro do PNL em que incentivava as Bibliotecas Escolares a intervirem no coração das comunidades locais. Ficou provado nesta sessão de contos bem concorrida a direcção certa em que se caminha em Barcelos. Com este exemplo ficamos com a ideia da qualidade de trabalho feito pela Professora Bibliotecária e pela equipa de animação da leitura da Biblioteca Municipal. Parabéns!

Vila Real em filacteras...


Continuando o meu percurso pelo país fora, estive em Vila Real (Trás-os-Montes) para mais uma oficina “Filactera, meu Amor!” (DGLB). Gostei de trabalhar logo pela manhã com um 7ºano “bem à frente”, de vocabulário rico e poucos soluços ortográficos. Ficam aqui estas duas imagens como testemunhas do dia passado na Biblioteca Municipal.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Recolectores em Condeixa e uma rapariga apaixonada...

Encerrei em Condeixa este ciclo de apresentações de "Recolectores de palavras"... O Outouno já vem por aí e torna-se um pouco molhado andar pelas ruas a coleccionar palavras de folha de papel e grafite na mão... Gostei de trabalhar com o 7º ano, sempre com a voz de Inês de fundo (escutando-se a grande distância) apaixonada, quase a pegar fogo, lembrando a minha Lídia (Ai Vilão que me roubaste o coração!). Agitámos a vila com a nossa pequena invasão poética. Até à próxima.