domingo, 27 de março de 2011

Voam poemas em Tavira...

Colocando os poemas nas patas das columbinas
 Batendo palmas à maneira dos surdos (para não assustar as pombas) ao poeta de António Torrado
 E lá vão eles em direcção a Tavira!
 Lá vêem eles! Chegam poemas dos céus... Guilherme usa o seu assobio mágico.
 O senhor Parra, nobre columbófilo
 Entregando as mensagens dos pombos
Lendo os poemas dos meninos da escola da Porta Nova
Pela manhã os meninos de cabanas (Tavira) juntaram palavras em pequenos poemas ao jeito de Haikus usando a “Máquina da poesia”. Depois lá fomos para o pombal com os nossos papelitos poéticos dobrados para enviar aos meninos da escola da Porta Nova. Os columbófilos colocaram cuidadosamente as nossas mensagens nas patas dos pombos – correio. Entretanto fui lendo textos de António Torrado, Álvaro de Magalhães e Fernando Pessoa aos meninos e meninas expectantes enquanto se procedia à delicada operação. À hora combinada soltámos os pombos em direcção de Tavira. Depois foi o tempo de espera, espreitando o céu, a ver se chegavam as mensagens dos amigos da Porta Nova. Lá vêem! O bando descreveu uns quantos círculos em torno do pombal. Guilherme, o jovem columbófilo de Cabanas assobiou (de um modo particular) para convencer as columbinas a entrar na sua casa. Como os meninos estavam muito tranquilos, os pombos aterraram sem medo com as mensagens esperadas. O senhor Parra explicou muito bem a natureza da Columbofilia, entregando as mensagens chegadas a cada um dos meninos. Depois foi o tempo de leitura dos poemas que nos chegaram dos céus. Assim se vive a “Maré de Contos”, um evento que junta a promoção do livro e da leitura à narração oral. Por cá têm estado Thomas Bakk, os Contabandistas, Vítor Correia, José Fanha, Tixa, Mare, Senhor Gomes (…) Amanhã contarei histórias na freguesia rural de Cachopo e escutarei junto com Thomas os cantares do Algarve… Talvez me lembre de uma "Parte" do Alvor…

Parte: História curta, nem sempre verídica com fundo moral mas hilariante, típica dos pescadores do Barlavento Algarvio.
Projecto Columbina

quinta-feira, 24 de março de 2011

Semana da leitura em Penedono

Pelas estradas fora, o ronronar do meu carro que mais parece um carrinho da Lego, vencendo quilómetros até ao meu próximo objectivoEstranha forma de vida, diz um determinado fado e prossigo este meu destino país fora: Ora uma biblioteca escolar ou um museu, assumindo o papel de educador que esperam de mim naquele momento. Já me  chamaram caixeiro-viajante da cultura ou hortaliça voadora… Mas tenho sempre este prazer de encontrar num lugar, jovens que desconheço, esperando de mim a novidade, algo que lampeje nas suas vidas.
Foto: Carlos Silva
 Estou em Penedono! O velho castelo está lá em cima vigiando os soutos e as gralhas esvoaçam pelas ameias com seu grasnar rouco. Lugar mágico portador de memórias insuspeitas do meu passado. Amanhã, terei na minha frente adolescentes descrentes da leitura, agitados: exactamente como eu fui, assim desinteressado pelos dias e estonteado pelo acontecer. Antes de fazer, vou olhar e ver, talvez como João dos Santos que aconselhava a observar com tempo e concentração produtiva as crianças brincando no pátio de uma escola. São mais crescidos estes jovens de barba despontada e raparigas envaidecidas pelas formas que despontam. Têm códigos de sobrevivência estranhos numa sociedade que não entendem. Levarei um mar de palavras comigo esperando que seja um Tsunami invadindo cabeças desprevenidas; talvez, quando derem pela inundação de poemas já estejam irremediavelmente alagados de Futuro…

sexta-feira, 18 de março de 2011

Projecto Columbina 2011

Foto: Planeta Tangerina
A primavera vai chegando, as andorinhas já o tinham confirmado e com elas, o tempo da poesia concordando com o rebentar dos bolbos em florações insuspeitas. De novo a poesia ganhas asas com o projecto "Columbina". As palavras irão cruzar os céus presas às patas dos pombos em pequenos papeis rabiscados com poemas. E começa já esta azáfama da escrita com a "máquina da poesia", dia 21 de Março na Biblioteca Municipal de Castro Verde. Os meninos e meninas vão reunir-se em torno das mensagens poéticas ao longo da manhã. Mas não são só os pombos de Castro Verde a voar: No final da semana, Tavira juntou-se ao voo das palavras com os columbófilos locais e uma boa mão cheia de professores e meninos soltarão as aves de Cabanas para Tavira, os outros da sede de concelho libertarão ao mesmo tempo columbinas para a aldeia piscatória. Assim vai ser durante a "Maré de Contos" que juntará a narração oral à intervenção poética. No dia 1 de Abril, juro que não é mentira, vamos trabalhar com as crianças de Beja a essência da poesia usando a minha bela máquina de gerar poesia posta a funcionar pela Biblioteca Municipal. No Dia Mundial do livro Infantil, quer dizer, no dia seguinte terá lugar a grande solta de pombos entre Beja e Castro Verde. Já são três cidades! Nada disto seria possível sem a dedicação dos columbófilos locais e de todas as formiguinhas que nas bibliotecas públicas e escolares trabalham na promoção do livro e da leitura.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Uma lua cheia de contos

Imaginem uma sala cheia de gente variada, gerações e origens num bairro popular de Lisboa. Tudo isto numa noite de lua cheia. Resultado: Uma bela sessão de contos e afectos no Teatro da Lua Cheia. A sala bem composta, muitos jovens por sinal. Crianças pelo chão, algumas com sono, acordadas pelo riso de quem escutava as histórias. Foi assim no bairro do Padre Cruz em Carnide, com direito a chá e bolinhos. Gostei de contar para aquela gente. Não percam no próximo fim-de-semana a visita de António Torrado neste mesmo espaço. Obrigado Maria João.

segunda-feira, 14 de março de 2011

"Cuentos del Camiño" - O peregrino

Xavi, peregrino Galego
Início da noite no largo do Cardal em Pombal: Um peregrino vindo de Santiago de Compostela em direcção a Fátima passa por nós pesaroso. Que estava buscando guarida para uma noite mas não conseguia, os bombeiros “não tinham verba”, a polícia encolhendo os ombros, o pároco local deu-lhe 5 euros lamentando, “Sabe…se fosse lá para Maio não lhe faltava nada”. Calculo o número de almas caridosas que saem à rua por essa altura: da cruz vermelha curando os pés dos caminhantes aos bombeiros garbosos exibindo fardas em aprumo. “Agora no Inverno…” Concluo que só se pode ter fé lá para o início de Maio… Convidámos o peregrino galego para jantar connosco na tasca. Um Pombalense de brio escutou a nossa conversa e deu abrigo ao desempregado galego. Ficou feliz o peregrino. Umas crianças que me tinham escutado pela manhã nos Cuentos del Camiño rodearam o homem encantadas: Nunca tinham visto um peregrino com conchas… Acontecem assim as histórias pelos caminhos…

sexta-feira, 11 de março de 2011

Rostos do conto....



Uma pequena colectânea com a ajuda de alguns amigos...

terça-feira, 8 de março de 2011

"Cuentos del Camiño" em Pombal

Por estes dias tenho andado pelas aldeias do concelho de Pombal, contando histórias e construindo contos com os alunos do primário a partir de palavras recolhidas pelo caminho. Palavras escondidas dentro de cada um de nós, palavras que encontramos na natureza ao caminhar, palavras bonitas ou interessantes que escolhermos de uma história escutada. Depois pegamos nessas palavras escritas com calma em tiras de papel e colocamo-las num estendal com ajuda de molas. Vamos colocando as palavras na corda esticada à medida que vamos inventando o enredo e as personagens da nossa história. Às vezes surgem ideias um pouco malucas: é difícil colocar a palavra GATO junto da palavra RATO. Ou palavra FOGO perto da PALHA…coisas das palavras, vai-se lá saber… Em quase todas as escolas ficou a vontade de continuar com os alunos as aventuras penduradas num baraço de sisal… Ora façam o favor de seguir contando pelo caminho… Mais sobre Cuentos del Camiño

sábado, 5 de março de 2011

A sementinha...

Braima Galissá
Vasculhou os meus bolsos e deixei… Talvez à procura de um rebuçado. “Miguel, porque trazes uma semente no bolso?” Pergunta a criança de olhos interrogativos. Respondo que tenho aquele feijão vermelho sempre no bolso porque é uma história. Assim trago sempre um conto comigo e nunca me esqueço do desenrolar da história. “Queres escutar?” Então, pego no feijão e conto “Elvira e a semente” (uma adaptação de uma história Indo-europeia). O meu feijão adivinhador dá boa sorte. Foi-me oferecido por Braima Galissá tocador de Kora, Mandinga. “E sabes como começa uma história na Guiné-Bissau, lá na terra dos Mandingas?” O contador de histórias diz para a assistência: “N’ dêdê”. E as pessoas respondem em seguida: “Dêsanê!”. Qualquer coisa que tem a ver com “Eu digo” e “eu escuto”. Às vezes também começam dizendo: “Tálin!Tálin!” (Adivinha! Adivinha!). Pois é assim mesmo que se deve regar a sementinha das histórias: com o público curioso e atento. Não te esqueças de oferecer um balaio cheio de fruta (Djakatu) ao contador de histórias, é assim que manda a tradição na Guiné.

terça-feira, 1 de março de 2011

Cávado - Braga

Acordar para a língua portuguesa! Acho que foi o que eu fiz na Biblioteca Escolar do Cávado. Pela manhã, desassosseguei os jovens para os adjectivos e verbos, que nos esquecemos de utilizar no dia-a-dia. Sabem, não nos damos conta mas estamos a perder o nosso léxico quotidiano com facilitismos e adormecimentos. É contra este estado da língua que eu proponho esta oficina (irreverente) de comunicação: “Filactera, meu Amor!”. Cada vez que volto a Braga perco-me nas estradas…acontece, sou despistado e ainda não interiorizei o mapa da cidade. Na véspera da intervenção na EB/2.3 do Cávado, ofereceram-me um bilhete para escutar um concerto fantástico de homenagem ao Zeca Afonso com grandes criadores locais. E foi bonito ver a gente mais nova cantando e tocando, ombro a ombro com as gerações mais velhas... Fomos todos de “Vila Morena”… e acabámos a cantar. Com o sono típico das manhãs lá rumei para a escola, sendo despertado pela energia contaminadora dos jovens. A manhã correu bem….na tarde tive que lançar contaminações e ritmos sobre os alunos para alcançar a atenção que a nossa língua merece. Como estamos em época de “OSCARES” , ele vai directamente para a professora Bibliotecária a quem entrego o meu beijinho de gratidão…