domingo, 24 de junho de 2012

Gente como os outros

O projeto “Novas memórias do cárcere” (Casa de Camilo/Guimarães 2012) vai seguindo, agora na fase de correção de textos…tudo corre bem. Mas do outro lado da ideia existe o mediador da leitura, gente como todos.

Aqui dentro estamos condenados a entendermo-nos, mantendo as distâncias no pequeno espaço que nos resta. Isto está sobrelotado, de almas.
O cronista livra-se dos fantasmas escrevendo, assim exorciza os contornos do coração. Hoje vi um recluso chorar, senti a raiva de outro e por vezes a apatia; mas dá-me alento o brilho que vejo nos olhos, a cada nova leitura que faço em torno da grande mesa. Impossível evitar as emoções que me invadem por osmose numa exposição prolongada e questionadora da minha própria existência. Não há remédio…é da própria natureza da partilha. No final interrogar-me-ei sobre a utilidade do meu trabalho e do destino que dei a estas horas da minha vida. Na prisão o ar é denso, espesso carregado de odores particulares transportados por correntes de ar frio. Os sons têm uma definição metálica, ferrosa. Quando saímos da penumbra residente temos a melhor vista sobre a cidade de Guimarães: clara e colorida.

terça-feira, 12 de junho de 2012

8 de Junho:"Vamos pescando...e vamos contando"

Foi a primeira vez que contei na Barraca. Uma boa sala para contos e outras oralidades; bom palco e público atento. Uma sessão dando força ao festival Terra Incógnita (1º Festival Internacional de Contos de Lisboa) que vem sendo promovido pelos Contabandistas. Mimaram-me! A minha proposta saiu bastante da linha habitual, já que iniciei o serão com pragas, partes e ditos do Barlavento Algarvio, numa pequena homenagem à minha origem familiar. Depois foram contos, poesia e sussurros numa noite que ficará guardada na memória.

Pequenos lobos recolectores

No dia 2 de Junho estive na Fundação Lapa do Lobo (Canas de Senhorim) para mais uma recoleção de texturas e palavras com crianças e jovens, convocados pelo serviço educativo. 60 crianças! Imaginem… Isto só foi possível porque a equipa do Rui Fonte e Ana Lúcia Figueiredo prepararam muito bem o dia. Fiquei impressionado com a qualidade das instalações e o enraizamento do trabalho junto da comunidade. Aqui ficam algumas fotos que dão a ideia do ambiente vivido. Obrigado Fundação!
Pequenos lobos recolectores - Sinopse da oficina
Uma oficina que propõe uma cartografia da Lapa do Lobo através dos olhos de crianças recolectoras de texturas e de palavras encontradas pelas ruas da aldeia.
Pequenos grupos deambulam pela aldeia recolhendo texturas em folhas de papel, umas grandes e outras pequenas. Levam lápis de cera e barritas de grafite para transpor para o papel uma gravura em relevo, uma ilustração numa montra, uma tampa de esgoto e palavras, que se encontram por todo o lado e que o tato reconhece. Pelo caminho interpelam os habitantes da aldeia, entrando em cafés ou no meio do largo, fazendo perguntas estranhas: “Qual a sua palavra favorita?”, “Com que palavra acordou hoje a bailar na cabeça?” ou “Qual a palavra mais importante para si?”. A cada resposta, registam numa folha de papel o vocábulo recolhido. Mais tarde, na Fundação Lapa do Lobo, farão conjuntos de palavras e texturas sobre grandes folhas de papel de cenário que serão uma espécie de memória do percurso efetuado pela aldeia.

Palavras à solta em Cerveira

Respondendo ao desafio da Biblioteca Municipal de Cerveira, teve lugar a 30 de Maio a intervenção poética “Palavras à solta pelas ruas”. Primeiro cada um escolheu a sua palavra favorita ou a mais importante num cartão onde já constava um pequeno poema de um autor da nossa língua. Depois fomos pelas ruas fora, oferecendo palavras e poemas a quem passava. De vez em quando parávamos e eu lia um poema para a rua toda ou aos clientes de um café. Finalmente chegámos ao mercado onde fizemos uma “arruada de poesia”…mas estava pouca gente. Entre beijinhos e apelos ao leitor (não ao eleitor) lá se distribuíram uns poemas. Aproveitei para contar a história da "Caganita", recolhendo risadas dos jovens. Terminámos a manhã na Porta XIII, onde Luandino Vieira nos recebeu com histórias de Angola e sorrisos luminosos. Não me vou esquecer deste dia.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Maria Keil

Dia de Portugal

"Pinok e baleote" animado pelos alunos da Escola Professor Galopim de Carvalho (Queluz)

Ecos de uma tarde bem passada
com o 7ºA e 7ºB da EB 2.3 professor Galopim de Carvalho.
 No Galopinices podem ficar a saber mais
 sobre o trabalho desta Biblioteca Escolar
e do empenho dos alunos.

sábado, 9 de junho de 2012