terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Sussurrando em Rio de Mouro

Fotografia de Sofia Maul
Como bem sabem todos aqueles que trabalham com autismo, quase todos os dias temos de inventar um recurso novo para trabalhar a comunicação e a participação destas crianças tão especiais. A par das atividades regulares próprias da sala de ensino especial é importante criar uma novidade que permita abrir novos caminhos. Na unidade da escola básica de Rio de Mouro (Sintra), onde venho trabalhando com estes meninos, começámos a usar os sussurradores para propor a comunicação da palavra, interagindo primeiro com o técnico e depois com os outros colegas. Uma ferramenta simples que já usava com adultos para dizer poemas e contar pequenas histórias. Afinal, apenas um tubinho de cartão (neste caso tem de ser pequeno para não intimidar) decorado pelas crianças. Parece que está a funcionar este nosso objeto de comunicação…

sábado, 22 de dezembro de 2012

Manual de instruções na RDP África

 
Deixo ficar aqui o registo da minha entrevista em direto no programa de Fernanda Almeida: "Manual de instruções"(RDP/África). Chamo a atenção para o belo texto de Inês Leitão que poderão escutar quase no início desta gravação. Escutar aqui.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Diário gráfico: esboços soltos

Hora do leitinho                                      piteiras
Charneca                                             Pescadores da Arrifana
                                                   Beja                                       Pavilhão chinês em Potsdam

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

O que acontece quando se oferecem lápis de cor num estabelecimento prisional...

Enquanto esperamos pela edição do livro do projeto “Novas memórias do cárcere” partilho convosco algumas ilustrações feitas pelos reclusos (faltam bastantes…). Embora não façam parte da obra a publicar, refletem muito do universo prisional de Guimarães. Umas têm um sabor popular muito forte lembrando o Minho outras remetem-nos para um universo onírico, fundamental para a sobrevivência interior quando enclausurados. Aqui ficam pelo seu valor iconográfico.
Gosto muito dos desenhos do senhor Francisco...
 Francisco
Osório: Uma Nossa Senhora muito trabalhada
 Vitor: a vista do estabelecimento prisional de Guimarães (com as grades amarelas em primeiro plano)
 Vitor
 Vitor
Vitor

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Uma pergunta para bibliotecários...


Tudo bem…são utilizadores. Direi eu a um dos muitos bibliotecários que conheço, mas quero pensar neles sobretudo como leitores. Eu explico a razão da minha inquietação:
Nos últimos anos tenho trabalhado com necessidades educativas especiais em contexto museológico (Descobrir/Gulbenkian) e paralelamente tem crescido em mim a questão das acessibilidades nas bibliotecas públicas. Tenho desenvolvido um conjunto de oficinas pedagógicas procurando tirar conclusões sobre esta problemática e encontrar um caminho criativo e prático exequível na Rede Pública de Leitura.
Bem sei que me vão dizer que têm elevadores, uma rampa para acesso fácil, ou até que trabalham com o teclado Daisy tendo um serviço de referência completamente adaptado a estes cidadãos especiais. Mas aquilo a que me refiro, é à acessibilidade dos conteúdos da biblioteca no que diz respeito à doença mental e défice cognitivo de origens variadas, a par de síndrome de Asperger e Autismo entre outras tantas particularidades. Que fazemos nós para adaptar o nosso serviço de referência a estes cidadãos tão particulares? Que coleção existe disponível para estes utilizadores? Que conhecemos nós de estratégias de mediação leitora que possamos utilizar com estes leitores tão especiais? A nossa sala infanto-juvenil estará preparada para este público? Como mediar a doença mental no espaço de leitura? Que livros escolher para um menino autista? Temos uma resposta profissional?
Bem sei que algumas bibliotecas têm respostas pontuais para estas questões emergentes, que o digam os professores bibliotecários (RBE) que são impelidos a dar uma resposta assertiva aos alunos das unidades de ensino especial. Recordo aqui também as práticas habituais da Rede Pública de Leitura ao receber estes leitores tão especiais, tão parecidos com os outros normais: bibliotecas municipais de Gouveia e Castro Verde, a par de muitas outras que o fazem também sem alarde.
Pergunto se não estará na altura de fazer uma espécie de “carta de boas práticas para leitores com necessidades educativas especiais” reunindo o contributo de todos os bibliotecários e mediadores da leitura num documento que nos sirva de base?
Nos museus Portugueses existe o “Grupo para a acessibilidade aos museus” que tem contribuído para a expansão do conceito de acessibilidade aos bens culturais: não estará na altura de criar um grupo de trabalho de bibliotecários sobre esta questão?
Será que a BAD quer apadrinhar a ideia?

sábado, 8 de dezembro de 2012

10x10: Sussurradores na Abrigada

Ana e a presença constante dos livros...
 
Os vulcões no mapa pessoal de Miguel
Os sussurradores descansam num canto da sala, cada vez mais colorida....
Para dizer a verdade…começa-se sempre com o sorriso da Ana, no seu relacionamento tranquilo com os alunos. Então agora, sim. Todos em plenário em meia-lua com a presença da equipa do “Vende-se filmes” que está a documentar o trabalho das diferentes duplas do projeto 10x10 (Descobrir/Gulbenkian). Sejam bem vindos à Abrigada!
Abrimos com o conto “Não há fumo sem fogo”: à medida que a história se desenvolve, oiço risadas... Em seguida apresento o Sussurrador: uma ferramenta sonora para passar mensagens pessoais, de boca a orelha. Tecnicamente, um tubo de cartão. Um objeto pessoal, plasticamente forte e adaptado a cada participante. A escolha do comprimento e diâmetro do sussurrador tem influência no som obtido. (O Tiago fez logo o maior de todos!). Muito importante, também, a escolha do que se vai dizer através do cilindro cartonado. Dedicámos um bom tempo à escolha pessoal de frases definidoras para cada um dos participantes. Depois, foi tempo de oficina, azáfama de tesoura na mão, marcadores, cola, até se chegar ao resultado final.
Ainda houve tempo para completar as cartografias pessoais com balões de banda desenhada contendo referências ilustradas aos assuntos (temas) das aulas anteriores.
Foi uma manhã calminha…fiquei com muita curiosidade nas imagens captadas pelos nossos discretos amigos das filmagens.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

10x10: Navegar é preciso!

Abrigada, 5 de dezembro. Hoje foi dia de viagem pelo Google Earth! Mas antes de partir, dois livros “Pop-up”: o  Popville” e o magnífico “ABCD” de MarionBataille. Foi interessante ver a reação dos jovens aos dois livros-objeto na roda aberta do plenário inicial. Tivemos 3 baixas por “mau comportamento”, foram enviados para casa antes da nossa sessão; preferia que se portassem mal na nossa aula 10X10 (Descobrir/Gulbenkian) seria motivo para uma qualquer dinâmica ou urgência de comunicação. Mas regras são regras e os moços foram enviados para casa, mas vão poder contactar com aquilo que fizemos com os restantes colegas.
A caminho de casa em Governador Valadares
Vamos então partir navegando pela net em direção ao Brasil. Como temos dois amigos Mineiros (Minas Gerais), fomos primeiro a Governador Valadares terra natal de um dos jovens que nos conduziu com o Google Maps aberto até à rua dele, à casa dele e, imaginem, quando a Google tirou a fotografia o avô dele estava sentado à porta…mais à frente numa curva, o irmão olhava espantado para a objetiva. Ficámos a conhecer a família e também a escola onde estudou. Depois, demos uma saltada a Belo Horizonte, capital do estado de Minas Gerais e também demos com a casa do outro colega mineiro: “Essa aí é a minha tia!” Exclama o rapaz olhando uma fotografia de grupo em frente a uma porta…” mas está tudo tão mudado. Faz 7 anos que não vou lá”. Falámos um pouco de Minas e do sistema de Capitanias que dividiu o Brasil na era colonial. Completando a ideia fomos ver Ouro Preto, cidade muito bem conservada do período Português e vimos a obra do escultor “Aleijadinho”. Pelo meio falámos das grandes distâncias do Brasil, quanto tempo se demora de viagem para ver o mar (um dia inteiro!). Perguntei se pescavam no Brasil e eles disseram que sim, falando do grande pirarucu.
Pirarucu!
Depois mudámos de continente: África. Fomos até à Guiné Bissau, concretamente a Bissau, bairro de S. Paulo. Aí, foi a oportunidade de falar dos Balantas (etnia do aluno), um povo agricultores especialistas em mancarra (amendoim). Falámos de música e de instrumentos tradicionais: Balafon e Kora. Escutámos a voz dos instrumentos… Terminámos a vista á Guiné conhecendo a grande árvore do Polon (Polão) que preside a todas as aldeias (tabancas); dizem que esta árvore contém os espíritos de todos os antepassados, por isso é mágica e sagrada. (Em “O homemque escutava as árvores”, peça que escrevi sobre Amílcar Cabral, a personagem principal ia oferecer água e fruta (Djakatu) aos seus antepassados, depositando as oferendas junto à grande raiz do Polon.).
Raiz di polon
Uma aluna escolheu a ilha do Sal (Cabo Verde) como destino de navegação. Vimos os vulcões e a paisagem deserta – o mais impressionante foi ver a salina no interior de uma antiga cratera (caldeira).
Ainda tivemos tempo para ver onde moravam alguns alunos lá no Carregado, orientando-nos através do emaranhado de prédios. “Ali jogamos futebol!” diz um aluno apontado um retângulo verde projetado pelo data show . Mas entretanto tinham passado 90 minutos….Amanhã há mais.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Eu também sou Tu

Uma foto muito bonita, com o Rogério, tirada pela Sara Afonso durante o Encontro da Escola Inclusiva em Sintra. Talvez a foto mais bonita do meu trabalho tirada no ano de 2012… Afinal de contas é de comunicação que se trata e o Toque é fundamental para falar com o outro ali naquele território de fronteira. O Outro oferece-se a nós quando o desenhamos projetando a imagem pelo traço numa grande folha de papel, uma espécie de pegada do nosso habitáculo. Gosto que me desenhem demoradamente…