terça-feira, 29 de outubro de 2013

10x10: Seomara e a Máquina da Poesia


Primeira operação: desarrumar a sala, dispondo as cadeiras em círculo para o plenário inicial com os alunos. Assim começa mais uma sessão do projeto 10x10 (Descobrir/Gulbenkian) na Escola Seomara da Costa Primo. Muita agitação até se serenar um pouco, para a escuta. A proposta do dia foi “a Máquina da Poesia” que já tinha utilizado o ano passado com os alunos da Abrigada. Esta brincadeira continua a funcionar bastante bem para introduzir o tema da essência da poesia. Reconheço dificuldades na escrita em alguns alunos da turma… espera-nos uma tarefa alegre mas difícil. Amanhã começaremos a ler poesia em pequenos grupos, discutindo textos e escolhendo um deles para ser trabalhado.

domingo, 27 de outubro de 2013

Formação em Torres Vedras


A cidade está linda, muito bem recuperada, aqui e ali surgem espaços novos onde dá vontade de entrar para tomar um chá e comer uma guloseima do oeste ou ver uma exposição de arte contemporânea. Foram dois sábados de intensa formação em Torres Vedras, na galeria municipal com técnicos e mediadores de vários sectores do município Um grupo muito interessado que participou ativamente na proposta. A par de alguns participantes muito experientes neste campo, lá estavam outros que até manifestaram algum receio de trabalhar com públicos com necessidades educativas especiais. Tentei adaptar o plano de formação com os interesses e realidades laborais destes agentes educativos; e eram variadas as origens. A par do lado teórico, os exercícios práticos e partilha de ferramentas. Mas o momento alto desta formação foi colocar os participantes de diferentes áreas do município a dialogar, construindo pequenos projetos conjuntos de intervenção, usando as diferentes valias da cidade. Surgiram ideias muito interessantes e exequíveis que espero sejam aplicadas. A possibilidade de uma maqueta táctil para a Foz do Sisandro/Praia Azul, áudio guias ambientais de conteúdo transversal, uma vista/oficina, com ritmo e palavras, sobre a guerra peninsular ou 52 janelas abertas sobre a terceira idade (o número de janelas corresponde ao número de semanas do ano). Agora é preciso aproveitar a energias dos diversos núcleos da cidade…

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Na ponta dos dedos com a ACAPO e GRACE

Foto de Carlos Azevedo (FCG)

Foto Carlos Azevedo (FCG)

Foto Carlos Azevedo (FCG)

Foto Carlos Azevedo (FCG)

O dia 11 de Outubro foi bem especial. Tivemos a participação da ACAPO na nossa oficina “Ideias na ponta dos dedos” pela mão do GRACE que celebrou um dia de voluntariado no programa Descobrir/Gulbenkian. Casa cheia de público invisual e de baixa visão acompanhados por um grupo de voluntários interessados que para além de participar na oficina ficaram com uma visão mais abrangente sobre a cegueira. Eu e a Rosário Azevedo (Museu Gulbenkian) fomos os monitores de serviço neste dia cheio em que as obras de Niizuma e Rodin, foram o mote para uma visita oficina que se prolongou ao longo do dia.
Falámos do “Castelo dos olhos” de Minoru Niizuma e o seu trajeto por Portugal e de toda a história que envolve a peça “Jean d’ Aire, burguês de Calais” de Auguste Rodin. Os participantes puderam ver com a ponta dos dedos as esculturas do acervo num momento muito partilhado e alegre que serviu de mote para a oficina da tarde. A seguir ao almoço, nas instalações do Centro de Arte Moderna, construíram as suas esculturas com módulos de madeira e experimentaram desenhar em folhas de papel cebola um conjunto de objetos que tocaram, onde constava uma réplica do “Castelo dos olhos”. Foi um momento de experimentação plástica para todos os invisuais e também para os voluntários que vendados, tateando, foram desenhando aquilo que os seus dedos viam. Afinal é possível desenhar sem ver… Voltem sempre aos nossos museus!

domingo, 20 de outubro de 2013

10x10: Na escola Seomara da Costa Primo


A escola é limpa, organizada e o ambiente é sereno. Os alunos em pequenos grupos emprestam um colorido à nossa língua: a Siomara Costa Primo é uma escola multicultural; aqui e ali escuta-se o crioulo. Ao fundo, num outro plano, vai surgindo a nova escola numa construção ampla prometendo o espaço que falta atualmente. Logo à entrada um conjunto de aulas/contentor forma pequenas ruelas a que os alunos chamam carinhosamente “o bairro”; os jovens ocupam o espaço com esse mesmo sentimento: sentam-se no degrau da sala de aula ou conversam em pequenos grupos, encostados a uma esquina. As paredes dos diferentes núcleos da escola estão repletas de desenhos e fotografias de grandes dimensões (de assinalável qualidade), testemunhando o trabalho em torno das artes. A escola está viva, pulsa. De vez em quando uma carrinha da polícia para à porta, a lembrar que estamos numa zona difícil, mas ninguém parece incomodado.
É neste lugar que desenvolverei o meu trabalho com a professora Elisa Moreira no âmbito do projeto 10x10 (Descobrir/Gulbenkian). Junto comigo estará a Sofia Cabrita, a Margarida Mestre e o Nuno Cintrão (artistas do projeto).
Já conheci a turma com que vou trabalhar. Segundo Elisa, “foram 90 minutos de partilha e de criatividade, passados entre a poesia, o conto, a partilha de experiências, a troca de ideias e a pura fruição.” Também acho. Neste primeiro momento, teria sempre que fazer uma leitura rápida dos jovens através da comunicação, tentando seduzir para a causa da poesia: a matéria eleita para esta intervenção. Diz a professora: os alunos reagiram revelando, sobretudo, uma imensa satisfação por verem reconhecidas as suas raízes culturais; grande envolvimento e resposta rápida a todos os estímulos e solicitações.” E assim foi, peguei nas diferentes culturas, partilhando textos e até canções. Explicámos a nossa ideia, como ela seria feita sobretudo com eles, com a sua contribuição pessoal e criativa. Agora estamos a escolher textos do programa e fora dele para lançar como desafio. Como sempre aqui no blogue, tratarei de vos por ao corrente de tudo o que for acontecendo nesta edição do projeto 10x10.

Número 100


Pediram-me um texto com 100 palavras para o número 100 dos Cadernos de Educação de Infância da APEI (revista e associação que fizeram parte da minha vida). Aqui fica o meu depoimento, antes dos cortes para alcançar o tamanho exato.

Dizia-me uma amiga por brincadeira, que tinha tirado o meu curso de educador na APEI… não estava longe da verdade. Durante 14 anos trabalhei nos CEI, bebendo o debate constante que levou ao amadurecimento patente na atualidade. As leituras e convívio com educadores de referência acabariam por contribuir decisivamente para o meu percurso de mediador cultural.
Reconheço a marca de água expressa na génese do número 1: da reflexão à prática, espelho de uma classe que vem ocupando cada vez mais espaços, mais além da sala do JI. Uma revista deverá ser sempre um lugar de contaminação de ideias vindas de fora ou criadas por dentro num constante processo de osmose com a sociedade. A resposta atenta ao mundo contemporâneo, sem academismos mas com erudição prática contribuirá decisivamente para a defesa da criança e do conceito de infância. Manter uma revista/ágora sem concessões comerciais e independente do poder é uma tarefa árdua, só possível com atitude, ousando propostas geradoras de transformação. Afinal, desejamos educar pessoas que saibam ler o mundo e sobre ele agir com clarividência.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

À conversa na Gatafunho

Um serão à conversa com quem aparecer...com histórias pelo meio.

De Beja, a todo o vapor!


Voltar a Beja e à "Casa dos Livros, regresso às referências, conferindo a prática que se vai desenvolvendo um pouco por todo o país. Desta vez a “aventura” de uma formação em Mediação Leitora dedicada a auxiliares de ação educativa mas que reuniu também pais, educadores e mediadores culturais...casa cheia. Um primeiro dia de volta da “Surpresa de Handa” e o jogo do faz de conta, partindo em seguida para as histórias contadas com o corpo. Na manhã seguinte: poesia, lengalengas e outras oralidades. Mas fiquei com a sensação que o trabalho final em torno da imagem projetada (“Dia positivo”) deixou todas as participantes num estado de encantamento.  

À tarde assistimos à projeção do filme “Espaço/tempo” de Tiago Afonso que testemunha o trabalho desenvolvido no projeto “Novas memórias do cárcere” (Guimarães 2012). Seguiu-se o visionamento de um pequeno conjunto de “curtas” realizadas pelos presos do EPR Guimarães e um debate animado entre a assistência.
Tiago Afonso
O fim de semana terminou na Cova do Vapor (projeto casa do Vapor) com uma roda de contos na companhia de Elsa Serra e Thomas Bakk. Uma forma simples de homenagear um belo projeto de intervenção social e artística num dos meus areais favoritos.
Com Elsa Serra e Thomas Bakk no encerramento do projeto Casa do Vapor (Cova do Vapor)

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Como se sentem aqui e agora?


Debate… Muita troca de ideias entre profissionais maduros, é assim que recordo os participantes do nosso curso “mediar públicos com necessidades educativas especiais” promovido pelo Centro Cultural Vila Flor (Guimarães) em colaboração com o Programa Descobrir/Gulbenkian (4 a 6 de outubro). Três dias intensos na Plataforma das Artes e Criatividade, instalada no antigo mercado, mesmo no coração jovem da cidade. Partilhámos a nossa experiência e as soluções que temos vindo a encontrar para tornar acessíveis os conteúdos artísticos dos diferentes espaços que compõem a Fundação Calouste Gulbenkian. Talvez a problemática mais discutida tenha sido o autismo, por ser um campo de pesquisa permanente por todos aqueles que se dedicam à educação especial. E aqui, a educação artística poderá fazer a diferença ao abrir outros territórios de comunicação só possíveis em educação informal, tendo como pano de fundo para esse diálogo a produção artística e o acervo variado que nos define. A Plataforma alberga o Centro Internacional das Artes José de Guimarães onde pontua a obra deste artista contemporâneo a par de uma magnífica coleção de arte africana, ponto de partida para o nosso módulo sobre o corpo. “Como se sentem aqui e agora?” – Pergunta Margarida Vieira aos formandos chamando atenção para o corpo que habitamos em permanente diálogo com as nossas ideias e vivências… Assim começou o módulo prático em torno da expressão corporal em relação com a coleção exposta. Escolhemos um conjunto de máscaras africanas que sugeriam diferentes poderes, expressões e movimentos. Juntámos isto tudo num exercício de grafismo sobre uma grande folha de papel de cenário, onde o corpo de cada participante surgiu encimado pela máscara escolhida. Mas este é apenas um exemplo simples no meio de tantas outras propostas de trabalho abordadas ao longo de 15 horas de formação. Fica aqui um obrigado à equipa do Centro Cultural Vila Flor pelo carinho e profissionalismo que expressaram ao longo dos dias do curso. 

Mais fotos em: http://descobrirblog.gulbenkian.pt/blog/2013/10/14/como-se-sentem-aqui-e-agora-por-miguel-horta/

terça-feira, 1 de outubro de 2013

O medronheiro

Foto de Vítor Hugo (Marinha Grande) -http://www.vistugo.alojamentogratuito.com/
Tinham vindo de exumar os ossos da minha bisavó.
Minha mãe, acercando-me com aquele jeito muito seu, falou maravilhada do medronheiro que crescera do crânio daquela avó morta. Um belo arbusto com duas grandes raízes saindo das orbitas do crânio mudo, alimentando-se de uma riqueza que fora viva.
Era o fim do verão, tempo das grandes barrigadas de medronho maduro, deixando a cabeça andar à roda, tonta, perante aquele enorme horizonte que era viver.

Ideias que ganham corpo em Sintra


Cartão de cidadão de corpo inteiro
As ideias ganham corpo neste início de ano letivo. Depois de um encontro com assistentes operacionais e docentes do agrupamento de escolas de Fitares (Sintra) que têm na sua sala meninos/as com necessidades educativas especiais, vamos começar as sessões da oficina “Eu sou Tu”, numa perspetiva integradora e transversal ao universo da escola. “Uma oficina onde se parte do corpo chegar à construção coletiva de histórias. Como misturar o meu corpo com o teu e com o dele? Claro, que só em grandes folhas de papel de cenário, recortando com um grafite grosso o nosso contorno, somando tudo no suporte. Poderemos acrescentar objetos, abrindo as portas a diferentes histórias. Tudo pode acontecer sobre uma grande folha de papel, de repente transformada no céu, no mar ou num cenário quotidiano onde as nossas personagens de repente ganham vida. Ao longo de 120 minutos (máximo) aprendemos a trabalhar em conjunto, em grupos de 5 elementos, talvez juntando tudo numa grande história final, um pouco projetiva da nossa existência…”.
Este projeto surge no seguimento da oficina “Cartão de cidadão de corpo inteiro” que desenvolvemos com as crianças especiais do agrupamento no ano passado (uma iniciativa da divisão de educação da Câmara Municipal de Sintra). Os professores tiveram oportunidade de contactar com a metodologia proposta, começando logo ali um processo de apropriação da ideia de forma a ser articulada com o curriculum específico. E podem acontecer coisas fantásticas numa grande folha de papel de cenário… É minha convicção que esta metodologia não formal mas estruturada e clara nos seus objetivos, pode ser aplicada ao conjunto da turma, espelhando aprendizagens de uma forma criativa, lúdica. Estão previstas á volta de 15 sessões em todo o agrupamento! Aqui vos irei dando notícias do projeto ao longo das suas diferentes fases.