sábado, 26 de abril de 2014

Sobre a parede


Sobre a parede, junto à salamandra, vão-se depositando ideias de um modo sedimentar, estudos para pinturas que nascem. Às vezes saem da sua condição de esboços e repesco-as sobre papel, mais profundamente. Olho para a parede e penso – Como estou atrasado… Os tempos de ateliê são preciosos…

Apresentação de "Rimas salgadas" nos Caminhos de Leitura (Pombal)

Finalmente tenho uma data para apresentação do meu novo livro “Rimas salgadas” (Livros Gatafunho): 9 de maio. Será nos “Caminhos de Leitura” em Pombal (Biblioteca Municipal) que vou apresentar este conjunto de poemas e ilustrações, em torno das espécies marinhas. Está previsto um lançamento em Lisboa, na feira do livro (mas depois tratarei de divulgar…)
Aqui fica o pequeno texto de apresentação do autor, publicado pela editora na contracapa do livro:
Poderíamos imaginar uma criança revirando pedras na maré vazia em busca de criaturas marinhas escondidas na sombra ou um adolescente afoito pescando sozinho num barco sacudido pelas vagas de barlavento. Este é Miguel Horta um pintor que se dedica à escrita e à ilustração. Mas também um mediador cultural em diferentes contextos humanos, fazendo sorrir e refletir quem o escuta através dos contos e desafios que lança. Depois de “Pinok e baleote” e “Dacoli e dacolá”, estas “Rimas salgadas” chegam-nos diretamente da sua infância num exercício de partilha da urgência de pensar o Mar. Sentimos a biologia nestes poemas e as ilustrações conduzem a um olhar mais próximo dos Oceanos.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Afinal o peixe desaparecido era o Bacalhau!

Há muito que queria fazer uma oficina sobre o Mar e a oportunidade surgiu através do programa Descobrir. Assim nasceu a oficina “Em busca do peixe perdido” com a fantástica participação de Ana Pêgo. Uma bela dupla: Bióloga + artista.
O objetivo era passar informação sobre os Oceanos e suas espécies, relacionando tudo com a “economia do mar”. Não julguem que foi uma oficina enfadonha, nada disso, divertimo-nos bastante com os nossos desenhos, animais moldados, tudo isto registado num diário de bordo. Claro que não faltaram histórias e poemas com sabor a mar…e alguns disparates…afinal estávamos de férias. Como para além dos filmes e fotografias que mostrámos aos nossos participantes, era importante que tivessem um contacto próximo com as espécies, nada melhor do que meter a mão nos peixes e esclarecer algumas dúvidas com a nossa Bióloga de serviço. Bem...a sala ficou a cheirar um bocadinho a peixe... Abrimos a boca dos peixes e espreitámos lá para dentro, pegámos na lupa e vimos as escamas com muita atenção e depois desenhámos à vista aquelas criaturas do mar. Até copiámos o peixe por cima com a ajuda de uma folha de acetato: parecia uma ilustração científica... Houve até algumas meninas que pintaram com a tinta do Sepia Officinalis (Choco)... Inventámos novas espécies e aprendemos alguns nomes científicos dos peixes: foi divertido escrever naquela língua esquisita, o latim...
Até fizemos uma descoberta nos riachos do Jardim Gulbenkian: uma espécie de bivalve de água doce que quase todos desconheciam (tivemos que arregaçar as mangas e procurar na areia de um ribeiro… uma das meninas molhou-se um bocadinho, mas não faz mal...). Depois registámos tudo no nosso diário de bordo.
No final, os pequenos participantes descobriram qual o peixe que está quase desaparecido: o Gadus Morhua (Bacalhau) . Aqui ficam algumas imagens que dão uma ideia destes dias de férias passados com o Descobrir.
Investigando a lula, sem medo.
Muita concentração...
Inventando uma terrível criatura das profundezas do oceano
 Scomber Scombrus: a cavala!
Uma grande variedade de diários de bordo....

INARTE: Inclusão e Arte

Conheci o Pedro Sena Nunes há dois anos na primeira edição do Projeto 10x10 (Descobrir/Gulbenkian). Gostei do brilho e da energia que emanava, mas sobretudo tocou-me a curta-metragem que nos mostrou, onde uma mulher grávida dançava nadando ladeada por jovens com paralisia cerebral, numa harmonia aquática: moviam-se num líquido primordial comum. Algum tempo depois, participei no encontro INARTE (inclusão e arte) com uma pequena provocação em torno do desconhecimento que temos do Outro, habitualmente rotulado com uma qualquer convenção confortável que nos garante uma distância cómoda da diferença. A imagem e objeto que escolhi foi uma ostra. Pude assim partilhar com assistência, cheia de diferenças, a imagem do caminho que venho trilhando em direção ao outro, consciente da nossa breve existência aqui neste lado da vida.
Como sabem, nas “Oficinas Museu Aberto (Programa Descobrir/Gulbenkian), desenvolvemos em profundidade um trabalho especializado junto de públicos com necessidades educativas especiais. Simão Costa (também artista do 10x10) que vem dinamizando a oficina “Eu sou Som” propôs que divulgássemos o nosso trabalho no INARTE. Achámos que seria uma boa oportunidade de divulgar o “Labmóvel” (mecanismo multimédia estruturado em torno do som) e todo o trabalho de investigação feito junto destes públicos especiais. A Vo'arte acolheu a ideia.
Foto: Vo'Arte - Maria Gomes
 Conscientes de que o trabalho que desenvolvemos é certamente sedutor para os públicos designados habitualmente como normais, o que mais nos tem empolgado é o impacto que toda esta metodologia de som pode ter junto da deficiência e da doença mental. Embora esta metodologia de som tenha um efeito aglutinador e terapêutico evidente junto dos nossos visitantes com perturbações mentais, centrámos a nossa participação no INARTE em torno do Autismo e da Multideficiência (mais profunda). E levámos o nosso “aparato” para o pequeno palco da Culturgest, apresentando o dispositivo desenvolvido por Simão Costa, partilhando os diferentes recursos disponíveis e os resultados encorajadores obtidos. Fiquei muito agradado por ver entre a assistência um pequeno grupo de pessoas que descreviam com palavras tudo o que íamos fazendo naquele palco, desenhando com as palavras para que os cegos que escutavam a nossa intervenção conseguissem visualizar a nossa proposta... Pouco tempo depois já os cabos das colunas do Labmóvel estavam esticados pela assistência, para que todos pudessem experimentar a nossa proposta (o mesmo se passou com os Tablets que contêm as aplicações que utilizamos habitualmente com o nosso público especial).
Foto: Vo'Arte - Maria Gomes
Foto: Vo'Arte - Maria Gomes
 Estes encontros INARTE são um acontecimento impar no nosso país, um fórum de recursos e pontos de vista sobre a diferença, com destaque para a importância da criação artística em todo o processo necessário de inclusão das diferenças.
Ficou uma interrogação latente depois do encontro: Será que somos verdadeiramente inclusivos nas nossas oficinas “Museu Aberto”? A resposta é SIM! Sobretudo na nossa oficina “Sábado sou som” em que reunimos famílias ditas “normais” com famílias “especiais” para nos conhecermos melhor através do som. Mas também é certo que a nossa preocupação primeira tem incidido na acessibilidade aos conteúdos por parte de todos os públicos, independentemente das diferenças que possuam. Mas a ideia da inclusão vai-se construindo a cada dia…

domingo, 13 de abril de 2014

Desenhar na Páscoa

Uma das nossas máquinas de desenho: 
desenhar com um berlinde embebido em tinta
Trabalho em dupla 
 Chegou ao fim mais uma oficina de férias promovida pelo Centro de arte Moderna (Programa Descobrir) – “”Mãos imaginantes – Máquinas de desenhar”. Cansados, mas contentes com o resultado. Esta oficina que partilhei com o Hugo Barata, a par de Carla Rebelo e Rita Cortez Pinto, suscita uma série de reflexões que vale a pena ter em conta. Ao valorizar o fazer, em todas as vertentes do desenho, demonstra como podem ser divertidas e formativas as férias passadas junto de quatro artistas visuais. Mais do que monitores fomos artistas partilhando técnicas que utilizamos nas nossas obras. Como costumo dizer: quando as mãos fazem, a cabeça ri. Aprendi com o Hugo alguns recursos que vão ter reflexo, também, na minha prática pedagógica. Por outro lado foi a oportunidade de trazer para o terreno alguns conceitos que me são queridos na apreensão das intenções dos artistas. Ficou de fora, por falta de tempo, uma abordagem mais tradicional do desenho, trabalhando o figurativo em torno das sombras e recortes, promovendo assim a deambulação desenhadora pelo mundo que nos rodeia. Ficará para a próxima. O desenho é uma forma eficaz de confirmar a existência
Rolámos um grande bola de Pilates negra pelo jardim Gulbenkian.
Uma das esculturas "lua" era agora nossa.
Como ficará esta escultura no jardim? Como encontrar o lugar ideal para a instalar?
No meio do nosso trabalho a surpresa: Aparece o escultor Rui Chafes à nossa frente.
Relembra às crianças como é importante escolher o local exacto para colocar uma escultura.
Já no atelier, trabalhámos sobre uma fotocópia onde estava representada a nossa escultura.
Desenhar a amarelo o leve...
Da escuridão para a luz.
Antes de ser árvore foi uma folha toda negra de carvão.
 Depois foi começar a abrir a luz (branco) com ajuda de uma borracha "miolo de pão"

Partindo do "Xadrez das cores" (Kandinsky)
fizemos o nosso jogo dos pretos (grafismos e tons)
Um jogo em dupla
Um desenho mal comportado a tinta-da-china.
Não. Não há canetas, apenas pauzinhos...
Depois de uma "máquina de desenhar"
Desenhando galáxias de forma mal comportada...
Rodopiando sobre o papel, lá vai a "máquina de desenhar"
deixando o seu rasto ritmado sobre uma grande folha de papel...





terça-feira, 8 de abril de 2014

Máquinas de desenhar!

Em plena oficina de Páscoa no Centro de Arte Moderna (“Mãos imaginantes – Máquinas de desenhar") com Hugo Barata, Miguel Horta, Carla Rebelo e Rita Cortez Pinto… Acho que hoje me diverti mais do que as crianças: O Hugo apareceu com uma bela máquina para desenhar. Um copo, pilhas, um motor de um velho de brinquedo, marcadores, uma grande folha de papel de cenário e muitas risadas! Se de manhã já tinha sido engraçado com os meus desenhos mal comportados a tarde foi fantástica! Boa Hugo!
Ora espreitem este aparato simples feito com reaproveitamento de outros materiais.


terça-feira, 1 de abril de 2014

Dia das Mentiras em Lagos...

E se um menino crioulo fosse amigo de uma baleia pequenina, era mentira?
Cá estou eu, por Lagos, pela mão da Maria Eugénia Patameira (afilhada da minha querida avó Felisbela), falando das palavras e desenhos pelas escolas desta cidade. Uma manhã chuvosa mas afetuosa, primeiro na escolinha da praia da Luz onde os meninos e meninas estão a ler os meus poemas sobre as criaturas do mar, de tarde na bela escola do bairro operário, com uma conversa inteligente e acordada com o pessoal do 4º ano. Como não poderia deixar de ser no Dia das Mentiras falámos muito sobre o meu menino crioulo de “Pinok e baleote” com os alunos da professora Maria que têm a tarefa de escolher um trecho para ler no Concurso de Leitura que terá lugar esta semana. Mas não só: na outra turma do 4º ano o Miguel prepara uma leitura dos “Dragões das Furnas” (Dacoli e Dacolá”). A curiosidade foi muita, recheada de perguntas sobre os livros. Tal foi o conteúdo da nossa conversa que o tema do divórcio foi a debate, a propósito do conto “Carminho” (Dacoli e Dacolá”). Mas como estamos no dia das mentiras, lancei a pergunta aos alunos: Qual diferença entre mentira e fantasia? E ficámos todos a pensar…