terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Leituras em cadeia : Pontos de vista sobre a coleção

Em breve teremos estantes novas, aumentando a capacidade para a coleção.
De momento, prosseguimos com o desbaste e  tratamento tecnico, integrando a bom ritmo novas aquisições.
Numa das nossas sessões com o grupo restrito de reclusas, responsável pela biblioteca prisional do pavilhão a do estabelecimento prisional de Tires, propusemos que indicassem as diferentes ofertas (em papel) que a biblioteca deveria conter para dar resposta às residentes. Ao mesmo tempo, solicitámos que acrescentassem na lista os géneros literários e outros de que mais gostavam.
Seguiu-se um debate animado sobre o que deveria ser a oferta da biblioteca prisional, concluindo todos que deveria ser bastante variada, desde os livros para colorir, revistas, tio patinhas até à “grande” literatura. Começámos, assim, a construir aquilo a que chamámos o “perfil leitor” do pavilhão, referente ao momento atual.
Desse trabalho surgiu um questionário a apresentar às reclusas que frequentam o espaço da biblioteca - uma extensa lista de géneros e tipos de oferta (em papel), da qual se deveriam escolher apenas 5 hipóteses, as mais significativas para a utilizadora inquirida. Esta pequena dinâmica permite que as responsáveis pelo “balcão” ( atendimento, empréstimo e serviço de referência) aprofundem a consciência e o conhecimento da coleção que pretendem divulgar e da sua utilidade, impacto e assertividade para a frequência atual do espaço. Por outro lado, ajuda a percecionar os grupos de afinidade entre as leitoras potenciais. Para os mediadores do livro e da leitura, dá pistas sobre os interesses e aparentes desinteresses das reclusas,  muito útil para a renovação da coleção e para o desenho de futuras intervenções junto deste universo de detidas.
Duas semanas depois de iniciados os inquéritos, poderemos partilhar as respostas predominantes, uma espécie de retrato robô das utilizadoras da biblioteca prisional: Anedotas e humor – 23, Artesanato e trabalhos manuais – 11, Aventura – 14, Banda desenhada – 7, Cinema – 8, Culinária/Gastronomia – 11, Erotismo – 9, Filosofia – 7, História – 10, Horóscopos/Astrologia – 13, Histórias da vida real – 18, Moda – 7,Música – 8, Passatempos (Sudoku, palavras cruzadas …xadrez) – 8, Poesia – 10, Policiais – 7, Psicologia – 7, Religião – 9, Revistas – 10, Romances de amor -20, Saúde - 9

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Leituras em Babel

Pieter Breugel - "Torre de Babel" - Museu Boijmans VanBeuningen -Rotterdam
As sessões de mediação leitora do projeto Leituras em cadeia, vão-se sucedendo numa regularidade serena, na biblioteca prisional do Estabelecimento Prisional de Tires. Atualmente, num pavilhão com 170 reclusas, a quase totalidade é requisitante – por mês, são emprestados 240 livros. Cerca de metade das residentes são estrangeiras, com grande diversidade linguística e cultural, havendo falantes de mais de 10 idiomas – uma verdadeira Babel. Ontem trabalhámos com a “Máquina da poesia” (ver descrição da metodologia), geradora de uma escrita poética simples. Nesta sessão, propus que se organizassem em tandem de entreajuda linguística. Adotei o mesmo procedimento para as reclusas com menor nível de literacia que, em colaboração com uma companheira, ultrapassaram a barreira do significado das palavras. Foi comovente escutar uma reclusa cigana, que afinal sabia ler as suas palavras favoritas… Os poemas foram construídos a partir do significado íntimo das palavras. “Por exemplo: destino. O que é, para ti, esta palavra? O que te faz lembrar?” Assim, com a ajuda da “máquina” fomos avançando. No caso de uma residente Russa, foi necessário recorrer ao Espanhol como língua de intermediação. A todo o momento se conferiu, em coletivo, a tradução correta do sentido do que ia sendo escrito. Uma senhora cabo-verdiana mais velha, uma "Manhanha" (mulher mais velha e sábia), trabalhou com o seu par a partir do Português, traduzi os versos para Crioulo (Alupec) - todas as reclusas acharam belos os versos ditos naquela língua estranha... No final, cada participante levou um caderno e uma esferográfica para continuar a experiência poética na cela.
Numa sessão anterior, constatei que a grande maioria das jovens mães reclusas têm um grande desconhecimento dos trava-línguas, canções e outras brincadeiras sonoras que se fazem com as crianças. O “Pico pico serapico” foi um sucesso… cada vez que pego num livro para a infância, os olhos brilham e então se cantar… Estas reações confirmam a necessidade de se fazerem sessões exclusivamente dedicadas às jovens mães, apostando na conquista leitora pela necessidade de comunicarem com as suas crianças. Ora aqui temos mais uma vertente que a biblioteca prisional deverá abarcar: os livros infanto-juvenis. Num próximo texto, partilharei aqui no blogue o trabalho que vimos desenvolvendo em torno do “Perfil leitor” deste universo de leitoras reclusas. 

domingo, 29 de novembro de 2015

Assim são os "Dias do desassossego"...

 Um sábado ensolarado saudou um valente punhado de sussurradores que se lançaram de tubo na mão, pela baixa de Lisboa, partilhando ao ouvido poesias de Fernando Pessoa e outras da sua lavra. Rua dos Bacalhoeiros fora, entrando em lojas e cafés, pelas arcadas do Terreiro do Paço, passando pelo Martinho da Arcada e terminando sob o arco da Rua Augusta. Alguns estrangeiros estranharam o grupo e afastaram-se com medo, afinal somos “guerrilheiros das palavras”, uns terroristas muito perigosos. Também dei com um alfacinha de cara fechada a quem, face à recusa maldisposta, ofereci uma folha contendo pensamentos de José Saramago sobre a salvação da alma humana. Outros transeuntes paravam com um sorriso, disponibilizando orelhas para a nossa invulgar iniciativa. Houve quem sussurrasse em Alemão ou em Espanhol… E foi bonito ver aquela variedade de sussurradores vindos de vários lugares a que se juntaram os amigos do Júlio de Matos, afirmando o caracter inclusivo do dia. Toda esta azáfama começou durante a semana e na própria manhã de sábado, em oficinas de escrita poética e construção plástica. De manhã, enquanto se decoravam os sussurradores ao gosto de cada um, falou-se muito sobre a nossa língua e da importância de atravessar o oceano, estreitando laços comuns. Uma palavra de apreço à incansável Dora Conceição, sempre com um sorriso atenta aos nossos singulares poetas sussurradores - Obrigado.

Assim são os “Dias do desassossego”…
Mais fotografias aqui
Os noivos tiveram direito a uma sussurradela de Amor...
Os Sussurradores do Desassossego!

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Desassossegar sussurrando...


Está a decorrer a oficina “Desassossego sussurrado” na Casa Fernando Pessoa, integrada na iniciativa “Dias do Desassossego”, promovida em conjunto com a Fundação José Saramago. Ao longo destes dias temos andado a brincar com as palavras, usando a máquina da poesia e a construir sussurradores personalizados para podermos partilhar poemas com as pessoas com quem nos vamos cruzar na saída às ruas que terá lugar amanhã (sábado às 15h) na Fundação José Saramago. A partir das 10h (manhã) as portas da nossa oficina estarão abertas para quem queira preparar o seu sussurrador para a tarde (entrada livre). Publico aqui algumas fotografias da sessão de ontem que misturou utentes do Hospital Júlio de Matos com alunos da secundária Gil Vicente (curso de animação – cultural). Sei que a Cecília (EGAC) ficou comovida quando escutou o poema coletivo a partir da palavra “Amor”; 24 versos, um por participante. Os colegas da Câmara Municipal de Lisboa têm sido inexcedíveis no apoio à minha oficina; aproveitei para matar saudades de alguns mediadores culturais de Lisboa, que não via há muito tempo. Apareçam amanhã na Fundação José Saramago: podem trazer os filhos, o namorado, a avó, o tio e também um amigo. Acho que temos sussurradores para todos…

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Conversa improvável e criativa com famílias especiais

Lá teve lugar, no dia 7 de novembro, a primeira “Conversa improvável & criativa” (Programa "Um sentir especial")na Biblioteca Municipal de Torres Vedras. Conseguimos juntar um grupo de pais, filhos e uma avó em torno da mesa onde se foram amontoando alguns livros que selecionámos para a ocasião. Como achamos que a programação deve surgir das sugestões feitas pelas famílias, conversámos sobre algumas ideias para o futuro. Estes encontros repetem-se a 30 de janeiro e a 27 de fevereiro. Em breve divulgaremos informação mais detalhada.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

"Leituras em cadeia", Tires, 9 de Novembro de 2015

Segunda-feira, o sol entra pelas janelas gradadas da Biblioteca do pavilhão A do Estabelecimento Prisional de Tires, a sala está bem composta e a equipa do espaço de leitura muito atarefada. O professor Luís e 3 residentes (preferimos chamar assim às reclusas) entrevistam quem vai entrando pela porta da Biblioteca Prisional; têm uma lista de géneros literários e interesses de leitura, dispostos por colunas e vão conversando com as detidas, preenchendo as folhas que ajudarão a estabelecer o “perfil leitor” de quem vive no pavilhão A. A conversa é calma e disponível: “O que gostas de ler? Não lês? Mas gostas de revistas e quebra-cabeças? A tua língua materna é o Crioulo – sabes que tens alguns livros em língua Cabo-Verdiana? Histórias de Vampiros? Também temos! Ahhh, romances de amor… Um dicionário de sonhos? Vamos tentar arranjar.”Noutra mesa, uma outra residente recebe os livros devolvidos, anotando metodicamente numa ficha e procede ao empréstimo domiciliário (por aqui, o domicílio é a cela), trocando impressões sobre as escolhas, levantando-se de vez em quando para ir buscar às estantes mais uma sugestão. Aos poucos vão conhecendo a coleção e os seus leitores. De pé, junto à estante, continuo a minha escolha de livros para a sessão de mediação leitora que decorrerá a meio da semana; observo discretamente a cena e comovo-me com todo aquele movimento, impensável há uns meses atrás. À mesma hora, num gabinete com computador noutro edifício da prisão, a técnica Georgina envia um email aos parceiros da Biblioteca Municipal. Assim vem sendo o projeto "Leituras em cadeia"...

sábado, 7 de novembro de 2015

Martian Words

Copyright SPA (Portugal)

A role-play to foster vocabulary
learning through the use of dictionaries and bande-dessinée.
The Martians have made contact with Earth but they seem to speak with very unusual words. But why does this strange language sounds so familiar to me? Oh, that's it, those are uncommon and difficult words! Imperceptive, lapidarian, demise, stalwart, dexterous... These are some of the terms and expressions our Martians use, leaving us completely confused! What should the Earthlings do to understand such creatures? How can we establish communication? The solution is a magical book in library that would save humanity from any misunderstanding: the dictionary!
Fist, the monitor explains the rules and divides the group into two teams, Martians and earthlings, each on a different location in the library. The Martian team starts the game by sending messages in “difficult Armenian” with the help of a dictionary to the terrestrial team. Their are sent in a A4 sheet, with a drawing of an alien with a speech balloon, in which the message should written. Then, the Martian team deciphers the message with the help of their dictionary, and gives a response, in “Martian”, in a similar way: A4 sheet, with a drawing of a kid with a speech balloon. Thus, a systematic communication, mediated trough polished and advanced vocabulary, is established between the two groups.
In a bustle, the kids question themselves and the dictionary on the cryptic messages they receive, and elaborate their own cryptic answers. Examples: I am overwhelmed by you lividness (You look very pale to me); I have you on the highest notes of endearment (I like you very much). Finally, Martians land and meet the earthlings, and all the sheets are collected and arranged sequentially, showing a story of first contact through bande-dessinée.
This activity allows for a fun and creative way to introduce different and unusual manners to write and speak, by letting the children explore by themselves the language lexical spectrum, in order to teach them new words and expressions.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

"Leituras em Cadeia" em Tires

Fotograma do filme "Espaço/Tempo" de Tiago Afonso
Como muitos sabem, a Laredo Associação Cultural, está a desenvolver o projeto “Leituras em cadeia” no estabelecimento prisional de Tires, num dos pavilhões, mais precisamente na biblioteca prisional. Pela especificidade do nosso trabalho, ainda não nos é possível apresentar notícias detalhadas e imagens do que vai acontecendo naquela biblioteca especial. No entanto, aqui deixo umas linhas informativas sobre o projeto, bem como o seu enquadramento.
A população dos 51 estabelecimentos prisionais (EP) portugueses revelava, em 2014, níveis médios reduzidos de educação formal, de leitura e de literacia em geral, o que torna ainda mais urgente o desenvolvimento de bibliotecas e do seu uso pleno por todos os reclusos. A situação em cada comunidade prisional é muito diferenciada, pelo que se sugere uma metodologia de intervenção que simultaneamente permita testar conceitos e procedimentos flexíveis e participados por diferentes membros destas comunidades, ou que lhe são próximos, nomeadamente nos serviços das bibliotecas municipais. O projeto sustentado por uma parceria entre a Fundação Calouste Gulbenkian, o Ministério da Justiça, a Delta Cafés e a Laredo Associação Cultural (que o dinamiza), propõe uma intervenção no estabelecimento prisional de Tires, durante 2 anos e meio, constituindo-se como projeto-piloto. Inclui uma forte componente formativa, valorizando as figuras dos formandos/tutores, potenciais formadores em contextos de cocriação e de maior proximidade, e a das reclusas responsáveis pela biblioteca que constituem o núcleo promotor do espaço de leitura. Este projeto também contempla o apoio à transformação/requalificação da biblioteca do estabelecimento prisional, por comparticipação nos custos, estimulando a colaboração de outras entidades ou fontes de investimento. Está prevista a edição de recursos digitais de acesso aberto, em língua portuguesa. A arquitetura proposta é a de protótipo. A coleção vai crescendo de acordo com o perfil leitor das reclusas do pavilhão intervencionado. As sessões de mediação leitora repetem-se, trazendo mais leitoras à biblioteca. O corpo de guardas reconhece e valoriza o esforço desenvolvido pela equipa num ambiente por vezes adverso e que se rege por códigos muito próprios. Tem sido muito gratificante reconhecer o empenho de entidades parceiras do projeto, Câmara Municipal/Biblioteca Municipal de São Domingos de Rana e  Agrupamento de Escolas Matilde Rosa Araújo, no desenvolvimento do projeto. Uma palavra de apreço às técnicas de tratamento prisional envolvidas nesta construção.

Como não podia deixar de ser aqui fica uma ficha técnica com rosto: Regina Branco, Maria Helena Borges, Fátima Corte, Conceição Vieira, Georgina Araújo, Júlia Lopes, Luís Dias, Maria João Fernandes, Maria José Vitorino, Miguel Horta, Valter Amaral, Reclusas da Oficina Biblioteca (4) e Chefe Vale e mais…

Phylacterion, my Love!

Copyright SPA (Portugal)
A play to foster vocabulary learning through the use of onomatopoeic expressions 
and the visual structures of bande-dessinée.
This Worksop uses the language of bande-dessinée to promote writing and reading skills. When the participants enter the room, there are already three large blank paper sheets fixed on the wall. Depending of the amount of participants, the monitor divides them in a series of teams. The monitor, starts interacting with the group, by drawing essential visual symbols and schematics of bande-dessinée. Then, different simplified face expressions are drawn, and for every expression the monitor asks the participants for the corresponding adjective to describe it. Then the participants are introduced to the speech balloons (the “Phylacteria”), adapting each one to a specific situation. It is, also, at this moment, that the participants are asked to fill the empty speech balloons. Then, several onomatopoeia that usually accompany the characters, or are common in everyday slang, are presented. The challenge of this workshop is to find to the corresponding verb to each onomatopoetic expression. For example, “Wo of-Woof → to bark”, “Baa-Baa → to bleat, “Rawr! → to growl”. The participants should be asked whether they know what is the verb that refers to the activity of, for example, a clock. “Do you know that an elephant trumpets, and that a wolf howls?”The bande-dessinée provides a pretext to help improve the vocabulary skills during this activity. The monitor should encourage a debate on the meanings of adjectives, and the verbs that can “translate” the onomatopoeia. It is a cooperative based play, in which advanced vocabulary is learned through a non conventional platform.



sábado, 31 de outubro de 2015

Desassossego Sussurrado

Foto: Companhia Andante
É com muito gosto que vou estar presente nos Dias do Desassossego, contribuindo com a oficina Desassossego sussurrado, para este evento que une a Casa Fernando Pessoa e a Fundação José Saramago, durante este mês de novembro. Podem consultar o programa completo AQUI. Nos dias 25, 26 e 27, das 10.30h às 12.00h, decorrerá, na Casa Fernando Pessoa, uma oficina com utentes do Hospital Júlio de Matos em torno da poesia com construção de sussurradores que servirão para partilhar o que conseguirmos escrever, numa intervenção pública (nas ruas), no sábado dia 28, com partida às 15h da Fundação José Saramago. Como estas duas casas de autor têm sempre as portas abertas a todos, a nossa oficina será inclusiva; qualquer um pode juntar-se a este grupo especial, partilhando criatividade e construindo o seu sussurrador pessoal, juntando-se ao grupo sussurrador na tarde de sábado. No próprio sábado 28, a partir das 10.30h, o artista/monitor estará presente na Fundação José Saramago, explicando o funcionamento da “Máquina da poesia” (metodologia de construção poética) e ajudando a construir um sussurrador para a intervenção. O grupo reúne-se à porta da FJS às 15h para um percurso que tem como objetivo simbólico o café Martinho da Arcada. Temos um sussurrador para si, venha partilhar as palavras connosco!

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Descobrir a diferença

Ora cá está mais uma edição do encontro “Descobrir a diferença”, desta vez, dedicado à doença mental. Um espaço de partilha e debate entre profissionais do campo das necessidades educativas especiais. Uma oportunidade para conhecer melhor o trabalho da Associação Persona e outras instituições, bem como o projeto “A arte vai a casa” de Teresa Barreto, monitora/artista especializada no trabalho neste campo de problemática. A não perder a pequena exposição de trabalhos dos nossos visitantes que acompanha este encontro que terá lugar na sede da Fundação Calouste Gulbenkian, sala 2, no dia 21 de novembro às 10.30h. 

Sentir especial: Um convite


Sentir Especial é um programa contínuo de atividades culturais, educativas e experimentais, desenhado para o públicos com Necessidades Especiais, com um enfoque especial nas famílias, e onde todas as crianças são Bem-Vindas! Pretende-se com este programa proporcionar não só momentos especiais de cumplicidade entre os membros das famílias presentes e da comunidade em geral, mas também despertar atitudes relacionais que sustentem uma partilha para além deste Sentir Especial.
Próximo encontro: 7 de novembro 2015 – 15.30h– Conversa improvável & Criativa – Biblioteca Municipal de Torres Vedras.
Porque propomos este encontro?
Porque acreditamos que é fazendo com o outro, em conjunto, que se pensa melhor. 
Como organizar uma oferta que faça sentido para as famílias com crianças e jovens com necessidades educativas especiais? 
Primeiro escutando, conversando de forma solta, informal, conhecendo os utilizadores dos nossos espaços culturais. Vamos aproveitar a presença de um mediador da leitura para conhecer alguns livros e fazer algumas brincadeiras. Achamos que as famílias têm poucos lugares onde possam estar realmente à vontade, fruindo livremente a nossa oferta. Queremos escolher livros, filmes e espetáculos que façam sentido para as famílias especiais do nosso concelho. Queremos que nos ajudem a programar as iniciativas da Biblioteca Municipal, que sintam esta casa como sua e colaborem com ideias para o futuro.
Quem pode participar?
Pois bem, a família alargada. Podem até trazer convosco aquele amigo especial do vosso filho ou um vizinho essencial na vossa vida, ou ainda a avó ou o tio, pois a biblioteca é uma casa onde cabe toda a gente. 

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Moby Dick vai às escolas


Agora que a oficina Moby Dick (Descobrir/Gulbenkian) está disponível para ir às escolas. Não resisto a publicar este registo vídeo feito pela monitora Joana Maria durante a nossa oficina de verão: uma pequena corporização das vocalizações dos diferentes cetáceos. Uma dinâmica de corpo e voz aprendida com o António Pedro (Companhia Caótica) durante uma edição do projeto 10x10.
Para saber mais sobre a oficina Moby Dick ligar: 217 823 800 ou enviar email para descobrir@gulbenkian.pt

domingo, 25 de outubro de 2015

Folio!

Teresa Calçada apresentando a mesa da Tertúlia "Leitura, Literatura e Ciência"
Termina hoje o Folio, Festival Literário Internacional de Óbidos. Foram dias intensos num rodopio de autores, ilustradores, músicos, pedagogos, pensadores (…), toda uma trupe variada que se juntou em torno da literatura. A Laredo esteve presente com as suas duas curadoras, Maria José Vitorino e Teresa Calçada que puseram de pé o Folio Educa. Para além das oficinas e tertúlias apresentadas, fica o destaque para o Seminário Internacional “Educação, leitura e literatura” que juntou 160 Professores Bibliotecários e outros interessados que debateram temas atuais da leitura e das Bibliotecas Escolares. Sobrevivemos ao temporal do primeiro dia e, apesar das dificuldades, conseguimos levar por diante os trabalhos na grande tenda dos autores que abanava por todo o lado, ficando por vezes sem eletricidade. Segui com particular interesse as comunicações apresentadas por Inés Miret, pois é cada vez mais importante pensar na leitura em ambiente digital e qual o seu peso na oferta das bibliotecas, Sílvia Castrillón, que para além de falar das bibliotecas comunitárias (muito presentes na Colômbia) abordou o tema da biblioteca escolar como refúgio, proteção para uma leitura em profundidade. Nas sessões paralelas deste encontro, destaco a “Biblioteca inclusiva”, pois vem na linha das minhas últimas intervenções nos agrupamentos de escolas de Sintra; pude perceber um pouco melhor o trabalho da professora Maria João Filipe (Mafra) e invejar os recursos apresentados por Rui Miguel Carvalho no trabalho com alunos NEE em Viana do Castelo.  
Uma sessão muito engraçada e agitada da "Máquina da poesia"
na Livraria da Adega
Neste Folio Educa apresentei a “Máquina da poesia” a alunos do Complexo dos Arcos (Óbidos). Foram grupos demasiado grandes o que perturbou a qualidade final do trabalho mas lá se conseguiu por toda a gente a escrever poesia, colocando em cena uma segunda máquina da poesia, com a colaboração dos docentes presentes. Gostei muito de rever os animadores de Óbidos – estas sessões são importantes para que o grupo aprenda a trabalhar a ferramenta poética. Por fim, teve lugar a tertúlia “Leitura, Literatura e Ciência” com Cristina Carvalho, Carlos Fiolhais e Pedro Pombo. Quero agradecer à Bichao os magníficos bolinhos do Cadaval, com que presenteou os palestrantes.
Foi uma honra participar na exposição de homenagem a Maria Keil, “PIM!”, organizada por Mafalda Milhões: Muito bem montada, representativa e com um belo conjunto inicial de desenhos da Maria, que já conhecia, a que poderia chamar “o que os olhos alcançam quando desenho corpo a partir do meu ponto de vista”. Parabéns para a Curadora e para a Comissária!

 Apesar do trabalho, consegui assistir a uma conversa muito engraçada entre Mia Couto e José Eduardo Agualusa e emocionei-me com a peça Yerma pela Companhia João Garcia Miguel.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Folio Ilustra - PIM!


PIM! Mostra de Ilustração/FOLIO ILUSTRA inaugura amanhã, dia 17 de outubro às 17.00h - Galeria Nova Ogiva - Óbidos. Sob o signo de Maria Keil. Uma bela colheita de ilustradores com curadoria de Mafalda Milhões... A minha alforreca nadou do "Rimas Salgadas" mergulhando no Folio... Há muito tempo que não se organizava uma coletiva de ilustradores. Não percam! 

A luminosa Máquina da Poesia no Folio Educa - Óbidos

Pintura - acrílico sobre tela - 140x100 - 1990
(Coleção BES - particular) 
Presente! Lá estarei no Folio Educa com a minha oficina “A Máquina da poesia”, desta vez sob o signo da Luz, dedicada aos alunos de Óbidos. Duas sessões ao longo do dia 21 de outubro. Uma oficina de iniciação á escrita poética com leitura de textos de diferentes autores. Mote da oficina: Existem palavras luminosas que rasgam clarões no entendimento. Pelas 18h, na Livraria da Adega terá lugar uma tertúlia em que a ciência é o tema central, com Carlos Fiolhais e Cristina Carvalho com moderação de Pedro Pombo.
O Folio Educa é comissariado por Teresa Calçada e Maria José Vitorino (Laredo Associação Cultural). 

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Visita Laredo em Língua Gestual Portuguesa, este fim de semana em Serralves



No próximo sábado iremos oferecer, integrado no programa do Serviço Educativo do Museu de Serralves, mais uma visita orientada em Língua Gestual Portuguesa, o Museu de Arte Contemporânea da Fundação de Serralves tem, desde Maio de 2015, um programa educativo que oferece visitas guiadas em Língua Gestual Portuguesa dedicadas à Comunidade Surda.
 Esta oferta pretende democratizar o acesso dos surdos à cultura, cumprindo o que a Carta das Nações Unidas garante no âmbito dos direitos das pessoas surdas, e de acordo com a Convenção Sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, ratificada no nosso país em 2009, nomeadamente no seu artigo número 30, que defende a Participação na Vida Cultural, no Lazer e no Desporto. Nesse sentido, salientamos a importância de se reconhecer, no espaço do Museu, a identidade cultural e linguística própria dos surdos, pois esta atividade é inteiramente pensada e preparada exclusivamente em LGP.
 O programa, que se realizará mensalmente de forma gratuita para os participantes, conta com uma equipa de ouvintes e de surdos: Joana Macedo, historiadora da Arte e ouvinte, Susana Tavares, monitora de atividades educativas e intérprete de LGP, ouvinte, e Joana Cottim, surda e jovem dirigente associativa/federativa, enquanto mediadora de comunicação e consultora em LGP.
 Acreditamos que é importante a comunidade surda participe e esteja bem representada neste programa, garantindo a viabilização e a contaminação que o mesmo poderá ter noutros Museus, por todo o país.
 17 de outubro, às 16h30 – na Fundação  de Serralves (Porto).

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Um sentir especial

Neste início de ano letivo, estou envolvido, de novo, em projetos interessantes; desta vez o “Sentir especial”, programa dedicado ás necessidades educativas especiais lançado pelos Serviços educativos da Câmara Municipal de Torres Vedras. A convite de Goretti Cascalheira (com quem gosto imenso de trabalhar) e com a colaboração do mediador músico Pedro Simão Vaz (a par dos técnicos da biblioteca municipal) vamos propor um trabalho colaborativo com as “famílias especiais” do concelho que, espero, dê bons frutos.
Serenamente, criando um projeto de intervenção partindo pela base, com as famílias especiais do conselho e seus filhos com necessidades educativas especiais. Uma ideia a pensar na biblioteca pública, criando respostas onde elas não existem: pensar o serviço de referência para um acolhimento informado dos leitores com necessidades educativas especiais, pensar a coleção (no seu sentido mais lato) partindo destes utilizadores invulgares e conceber momentos de mediação leitora, assertiva, para este público. Não será apenas um trabalho dirigido às crianças e aos jovens especiais. A nossa intenção é para com as famílias como um todo (família alargada e amigos essenciais deste núcleo) proporcionando aos pais momentos de fruição e descoberta da oferta cultural da biblioteca municipal. Interessa-nos desenhar uma resposta colaborativa, com que se identifiquem.
Mas por ode começar? Pois bem… No dia 7 de Novembro às 15.30h, na Biblioteca Municipal de Torres Vedras, faremos um primeiro encontro a que chamámos Conversa improvável & Criativa, uma espécie de sábado cheio de surpresas… Reunir o grupo, propor dinâmicas, tirar um livro da manga (e talvez um conto), escutar, escutar sempre, entendendo dificuldades e percebendo o perfil leitor. Aprender a resposta da leitura Pública para esta realidade. Este primeiro encontro terá alegria e livros de imagens, daqueles que dão vontade de falar. Depois começaremos a escrever com marcadores grossos, num grande papel de cenário, todos os nossos desejos leitores…e não só. E estamos preparados para escrever, riscar, corrigir as ideias, aferindo rumos. A partir deste encontro, esperamos poder construir uma programação feita à medida em colaboração com as famílias. Pois, afinal, a Biblioteca é uma Casa onde cabe toda a gente!

domingo, 11 de outubro de 2015

António Cruz - O pintor e a cidade

António Cruz - aguarela 
(Por cortesia da Fundação Calouste Gulbenkian)
Depois do grande dia D, onde o programa Descobrir (Fundação Calouste Gulbenkian) dá uma ideia da grande variedade da sua oferta educativa, hoje foi dia de aguarelar na exposição de António Cruz. Com o título de "Cadernos de água e cor", esta “visita desenhada” reuniu um pequeno grupo de interessados (poucos, mas bons) que fez do chão da galeria de exposições temporárias o seu ateliê de aguarela. Aqui fica o link para a melhor visita guiada que se poderia ter à obra deste artista: o filme “O Pintor e a cidade” de Manoel de Oliveira – Dois olhares sobre a cidade do Porto reunidos num só filme. Gosto bastante deste formato de visitas em que podemos experimentar técnicas de expressão e recolher informação sobre a obra dos artistas. Estejam atentos às próximas visitas desenhadas do Descobrir!

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Utopia!

Uma manif dos anos 70?
 Não, trata-se apenas de uma performance de encerramento da oficina "O que é a Utopia?"
, no Centro de Arte Moderna. Um vídeo de Hugo Barata
Em tempo de final de campanha eleitoral apetece-me relembrar a oficina de férias “O que é a utopia?”, pensada e realizada por Hugo Barata, Joana Andrade, Maria Remédio e Miguel Horta. Tendo como ponto de partida a exposição “Tensão e liberdade” (patente até 26 de outubro no Centro de Arte Moderna/FCG), propusemos a reflexão sobre a utopia e a construção de respostas e entendimentos pessoais sobre a transformação do mundo. As crianças usaram diferentes meios expressivos para encontrar este significado, aparentemente complexo (dirão alguns) mas que ao fim de uma semana se tornou visível nos trabalhos que apresentaram e na divertida performance manifestação, em conjunto com os pais, que invadiu o átrio e espaços expositivos do CAM. Foram dias muito trabalhosos mas divertidos, com uma equipa ímpar, que acabaram por provar a importância de se mediar a reflexão sobre o mundo com as crianças, no espaço improvável de um museu. Já agora, no domingo não fiquem em casa: vão votar!   

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Rio de Contos - OBRIGADO

Só me apetece desenhar um OBRIGADO muito grande e colorido depois deste fim de semana de “Rio de Contos”! Obrigado aos escutadores de histórias, aos vizinhos, aos leitores que foram um público lindo. As primeiras palavras vão para a Fernanda Eunice que nos desinquietou para a realização deste primeiro Encontro de Narração Oral de Almada – conseguimos! O trabalho de mediação leitora no Concelho vai amadurecendo e os contos ajudam a reunir as pessoas em torno das bibliotecas. Logo a seguir, agradeço à equipa da Rede de Bibliotecas de Almada (são muitos!): sem o vosso afã nada disto acontecia. Obrigado aos fantásticos operacionais da junta da União das Freguesias da Trafaria e Caparica que não deixaram falhar nada. Obrigado à Biblioteca da Trafaria e à sua equipa. Obrigado aos vendedores do mercado e proprietários dos cafés pela vossa paciência. Obrigado aos livreiros que acorreram a este encontro. Obrigado à Nossa Senhora que esteve presente de hora a hora com as sonantes badaladas do sino da igreja. Obrigado Slammers por terem trazido a vossa poesia (Parabéns ao Nuno Piteira pelo 1º lugar no Slam Portugal! Obrigado por seres proactiva, Raquel!). Obrigado à equipa Laredo, da atenta Maria José Vitorino à discreta Madalena Horta OBRIGADO CONTADORES (Thomas Bakk, António Fontinha, Cristina Taquelim, Ana Sofia Paiva, José Craveiro, Cláudia Sousa, Paula Cusati e narradores da Rede de Bibliotecas de Almada) por nos terem trazido a vossa magia. Obrigado ao nosso Tejo que continuamente se faz ao Mar, aqui mesmo, na Trafaria.

Público: http://www.publico.pt/local/noticia/contos-aqui-ali-e-acola-1709067

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

O escaravelho das nossas árvores

Ilustração: In Troncos e marés.
Miguel Horta, acrílico sobre tela, Appleton Square. 2012
Tempos estranhos, estes… A palmeira que fica em frente à janela da nossa casa morreu. Aos poucos foi deixando cair as palmas, desamparadas, no chão. Exatamente como uma pessoa que desiste, acometida por uma profunda mágoa. “É a praga do escaravelho”, diz-me o jardineiro de cenho carregado. Percorro as ruas e as estradas do meu país; aqui e ali, lá estão as palmeiras mortas, silenciosas, às vezes apenas um toco serrado abandonado num jardim onde já ninguém vai. Quando atravesso o Alentejo e vejo um montado bem tratado, fico contente; nada me dói mais do que um sobreiro morto na imensidão da paisagem. Sou irmão daquela árvore, o seu todo representa uma pessoa de gesto erguido aos céus. No meu País as árvores vão morrendo tristes, acometidas por uma qualquer praga, tal e qual as pessoas com quem me cruzo todos os dias, atacadas em segredo pelo inseto voraz da tristeza. Falo-lhes da praga, mas elas olham para o lado, habituadas que estão ao seu fiel parasita. É possível mudar, digo-lhes com olhos de jardineiro. É possível fazer medrar o futuro, reflorir, redesenhando horizontes. A cobardia é tóxica, não favorece os brotos; no entanto, este é o tempo das grandes podas, da fertilização do território, para que a floresta que somos não feneça.  

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Biblioteca Cultural Central de Ideias

Por enquanto, não existe um espaço de leitura pública na Charneca da Caparica…Faz bastante falta. Entretanto surgem soluções locais muito engraçadas, entre o alfarrabista e a biblioteca. O senhor Valentim tem uma banca no centro da vila (Mário Casimiro), mesmo encostada à cúmplice montra do talho, onde vende, mostra e empresta livros a quem passa – A “Biblioteca Cultural Central de Ideias”. Já fiz umas doações e umas quantas aquisições para o nosso trabalho (Laredo) no estabelecimento prisional de Tires. Também já o escutei a entoar, com uns clientes, uma cantiga do Zeca. Há zonas do concelho de Almada onde os livros não chegam apesar do trabalho continuado da rede de bibliotecas de Almada. Por isso mesmo, cada vez faz mais sentido promover iniciativas como o “Rio de Contos” em diferentes lugares do concelho de Almada. O conto pode ser uma bela porta de entrada para a leitura.

sábado, 29 de agosto de 2015

Rio de Contos - Encontro de narração oral de Almada

Com pouco mais de um ano de existência, a Laredo Associação Cultural procura afirmar-se, discretamente, em iniciativas e ideias fiéis aos seus princípios de mediação cultural, por oficinas, formação, eventos e outras propostas, dos museus e bibliotecas até ao mar, passando pelas escolas e pelo campo das necessidades educativas especiais, onde a palavra, a cidadania, a leitura e o livro ganham sentido e nos desafiam a criar, a colaborar com outros, e a inovar, em projetos como “Leituras em cadeia” (parceria Fundação Calouste Gulbenkian/ Delta Cafés/ Ministério da Justiça-Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais),“FOLIO Educa” (Festival Literário Internacional de Óbidos), "Miríade de Histórias" (com a Fundação Serralves) entre outros.
Chegou agora o momento de vos anunciar a realização do primeiro Encontro de Narração Oral de Almada - Rio de Contos, promovido pela Câmara Municipal de Almada e pela nossa Associação) nos dia 26 e 27 de setembro na freguesia da Trafaria/Monte de Caparica (União de Freguesias de Caparica e Trafaria). Um encontro dirigido às populações desta zona do concelho de Almada, dando eco do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido na área da promoção da leitura pela Rede de Biblioteca de Almada e Junta de Freguesia (que inaugurou recentemente um espaço de leitura pública no coração da vila). Também um momento de convívio para todos aqueles que vêm seguindo com atenção o movimento de narração oral que se vem desenvolvendo pelo país; aqui fica o convite para os amigos de Lisboa para este Rio de Contos que se realiza às portas da capital.
Para além da participação dos narradores da Rede de Bibliotecas de Almada contaremos com a presença de António Fontinha, Cristina Taquelim, José Craveiro, Ana Sofia Paiva, Cláudia Sousa, Miguel Horta, Thomas Bakk e Paula Cusati. Como este é um encontro da palavra, teremos a presença de Raquel Lima, ilustre representante da “spoken word” (Slam poetry), apresentando alguns dos seus textos, marcando presença numa mesa redonda, em diálogo com António Fontinha e Cristina Taquelim. Podem vir até de barco e aproveitar para jantar ou almoçar num dos típicos restaurantes da Trafaria. Marquem nas vossas agendas!

Em breve disponibilizaremos o programa do Rio de Contos e mais informação sobre os protagonistas deste encontro.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Na rota do cachalote branco

Onde está o pintor? Uma bela foto de Gonçalo Barriga (F. C. Gulbenkian)
Como passar o gosto pelo Mar, uma consciência oceânica, aos mais novos sem que seja enfadonha e escolarizada? Essa tem sido a nossa reflexão e a nossa prática no Programa Descobrir/Gulbenkian através das oficinas que juntam biólogos a artistas num resultado que se pode confirmar em “Em busca do peixe perdido”, “A grande invasão” e, mais recentemente com a oficina “Moby Dick” (em colaboração com a Escola de Mar). Mas estas abordagens mediadas (educação não formal) têm acontecido com regularidade ao longo do meu trabalho em museus e bibliotecas; como exemplo disto, a colaboração com o Museu Marítimo de Ílhavo ou, com Vera Alvelos, no CCI. A oficina Moby Dick vai repetir-se para a semana, num ritmo marcado pela sucessão de acontecimentos narrados na obra de Herman Melville. Uma boa oportunidade para as crianças que estão de férias aqui na capital. A bióloga/artista de serviço será a Ana Pêgo. Promete.
Inspirados pelo trabalho dos scrimshaw,
 os nossos pequenos artistas fizeram a sua versão dos dentes de cachalotes gravados
foto de Gonçalo Barriga (F C Gulbenkian)
Ana Pêgo. Foto Gonçalo Barriga (F C Gulbenkian)


sábado, 8 de agosto de 2015

Oficina Moby Dick

Rockwell Kent
Acaba de terminar a primeira oficina Moby Dick promovida pelo programa Descobrir/Gulbenkian em colaboração com a Escola de Mar: Cansados mas satisfeitos com o resultado… Eu sempre olhei com curiosidade para os cetáceos, basta lembrar o meu livro “Pinok e baleote” onde um menino crioulo faz amizade com um rocal comum. Mas os peixes sempre foram os meus animais de referência. A colaboração com a bióloga Ana Pêgo veio mudar bastante a minha visão sobre estas criaturas oceânicas, acrescentando horizontes à minha visão sobre o mar. Com esta oficina reencontrei-me com a obra de referência de Herman Melville. Lembro-me, há muito tempo, de uma tarde passada no antigo ateliê de Maria Keil, junto à casa dos meus pais, quando ela me mostrou umas gravuras fantásticas de  Rockwell Kent para a edição de 1930. Estávamos no princípio dos anos 80 e a visão destas gravuras, confirmou o percurso que vinha fazendo na Gravura (CGP/Lisboa). Volvidos estes anos todos, estou de volta a esta obra que me marcou (sempre acompanhado pelas magníficas e curiosas notas de rodapé de Alfredo Margarido, o tradutor).
Mas como por de pé uma oficina dedicada às crianças sobre estas fantásticas criaturas, os cetáceos, sem a escolarização a que têm estado sujeitos os diferentes temas da educação ambiental? Ainda por cima uma oficina de férias… Foi isto que se fez, com uma equipa formada por biólogas (Ana Pêgo, Vera Jordão e Cristina Brito), uma atriz (Catarina Requeijo) e um artista visual. Um objeto em forma de semana de férias para crianças, que juntou literatura, leitura, biologia e artes plásticas em torno da ideia urgente da defesa dos oceanos. Seguindo o fio da história, registando com desenho e escrita em diários de bordo, fomos conhecendo melhor os cetáceos na companhia de Ismael e Queequeg, a bordo do Pequod. Houve tempo para gravar uma espécie de scrimshaw e cantar ritmadamente a partir das vocalizações de orcas, baleias, cachalotes e golfinhos. Gostei particularmente do Hip Pop do Francisco (um dos pequenos participantes) que perguntava “o que é que os cachalotes comem?” Lulas! Claro.

Próxima expedição baleeira: 31 de agosto a 4 de setembro.

terça-feira, 14 de julho de 2015

"Rimas salgadas" na lista do Plano Nacional de Leitura

Soube agora que o "Rimas salgadas" passou a integrar a lista de livros recomendados do Plano Nacional de Leitura (3º ciclo - leitura autónoma). Sempre pensei que o livro fosse mais indicado para o 1º e 2º ciclo...talvez seja mais abrangente. Esperemos pela opinião dos jovens leitores. Obrigado Rui Grácio pelo trabalho em equipa.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Segunda-feira

Esferográfica
Ainda o eco da exposição "Inside Outside" e o trabalho de Bárbara Fonte. Um rabisco feito numa folha de bloco, durante uma reunião do Projeto 10x10 (no ano passado). A reunião estava a ser muito interessante até se intrometer um cabelo...

domingo, 12 de julho de 2015

Inside Outside

José Barrias. Foto de Gianluca Vassallo, 2014. 
“(...) a razão essencial de cada diálogo habita sempre na diferença que o nutre, mas também que a razão que o estimulou e estimula foi e é a plataforma que o uniu, formando e amplificando o nosso percurso expositivo sob a forma de obras abertas a pensamentos, impressões, sensações (retinianas e não) que escorreram e escorrem entre nós e, sobretudo, para além de nós.
Alguém me pode explicar onde fica o território do indizível, aquele que é sempre perseguido pelo traço e pela escrita?
Fui percorrendo errante o labirinto onde as obras de Bárbara Fonte e José Barrias se misturam dialogando como iguais em “Inside Outside” (Plataforma Revólver – Junho/Julho 2015). Uma gramática feita de recursos variados da instalação ao desenho passando pela fotografia, vídeo e...livros.
Sou visitante, num eterno conciliábulo entre o artista, o mediador cultural, escrevinhador e o “gostador” que me habitam inquietos. Cheguei a interrogar-me como seria fazer uma visita-oficina a esta exposição especial… E como seria escrever para uma imagem…e porque não aquele desenho ali ou sobre a fotografia do canário morto entre os pelos púbicos de uma adolescente. Calma! Calma! É só um efeito de contaminação com a imagem ao lado: o canário está morto e vão enterra-lo, como no poema de Jacques Prévert (“le chat et l’oiseau”).
Por cortesia de Bárbara Fonte
Bem… Não se descreve esse território, mas sente-se. O corpo que o diga quando se confronta com as peças. Se deixarem o corpo fazer o que lhe apetece, fica a peça interpretada. Por pouco não fiquei ajoelhado religiosamente (como uma freira) em frente à sequência de fotografias onde a artista (Bárbara Fonte) dá corpo (rosto) a alguns vendavais da alma humana. De qualquer forma, tentei identificar devotamente os diversos verbos ali autorretratados.
Por cortesia de Bárbara Fonte
Essa sabedoria cutânea, instantânea e inconsciente que possuímos, devida apenas ao facto de estarmos vivos, é convocada nesta exposição. Penso: Eu já senti tudo isto, sei do que se trata… Bárbara Fonte confirma as minhas suspeitas no o seu vídeo, caderno de notas, onde página a página, exaustivamente, enumera sensações e desafios à interpretação pessoal. Preto e branco, som em bruto, real como um desenho acutilante; mas afinal fala-se de gente e somos levados para um território estranhamente familiar. Como se Bárbara nos dissesse: Vou explicar-te intimamente como funciona a tua cabeça… A certa altura, há uma janela com um lençol e um corpo de mulher entrevisto em segundo plano; o vento faz voltejar o tecido. O visitante incauto fica feliz pois julga ter vislumbrado uma relação entre esta janela de umbrais em pedra e outras na aldeia de Vilarinho das Furnas (cit. Vídeo “Barragem”, 1979, José Barrias) … São tontos os visitantes das exposições, vêm carregados de referências… (embora a reflexão sobre a ausência encontre eco nesta exposição)
Fotograma de um vídeo de Bárbara Fonte que mexeu comigo
A exposição contém uma enorme densidade de sensações mais profundas do que um qualquer “déjà vu ”, é preciso tempo para a percorrer. Ficamos com a sensação que a sucessão de salas é pequena para conter tanta informação vital. José Barrias Já montou um plano para registar tudo o que se sente: Vamos fazer um inventário humano! Documentar este limbo revertendo-o na nobre arte da literatura… É fundamental a existência de um livro, fechado, para que o nosso olhar nele penetre conferindo-lhe um conteúdo, evidentemente pessoal. Ele sabe que se pode desenhar o indizível com um lápis de palavras. Um dispositivo museológico (caixa de acrílico montada sobre uma peanha) exibe um pequeno conjunto de objetos/esculturas todos da mesma escala; uma espécie de salvados. Heresia: leio-os em sequência como se cada um fossem versos de uma poesia; o último verso é uma ave morta. Noutra sala, o artista conclui que naquele recanto ficava bem uma biblioteca – concordo: coloco os óculos e tento ler um romance em miniatura, consultando de seguida o escaparate.
Quase Nouveau Roman, 2014. Múltiplo de Quase Romance, edição de 5 exemplares, escala 1/10.Inside Outside, 2015. José Barrias com Bárbara Fonte, na Plataforma Revólver, Lisboa.
Adiante, mais desenho (e que desenhos!), sempre em fuga do óbvio, abrindo espaços para ausências e transparências, uma memória do imaginado. Traços que se rebelam do suporte, obrigando a uma leitura global da obra nas suas três dimensões, depois contaminam paredes e toda a galeria é já o ateliê do artista, lugar de experimentação livre. Sente-se a alegria na montagem da exposição e ficamos com a sensação que perdemos o essencial: o momento em se pronuncia a proposta, em que nos decidimos a partilhar um território profundamente humano de desencontro, conferindo-lhe uma resolução estética.
 Bárbara Fonte
Bárbara Fonte

Tempo ainda para falar de cabelos entrelaçados
unindo os dois discursos.
Afinal, toda a gente sabe que os cabelos são desenhados com minas muito, muito finas...

quarta-feira, 24 de junho de 2015

A Árvore da Poesia

Ao grito de "Columbina!" todos soltaram as aves.
Na imagem Nelson Batista, grande entusiasta deste projeto.
Foto de Hermes Picamilho
Ainda sobre o projeto Columbina, refletindo sobre a forma como levámos as crianças à escrita poética em Beringel e na Biblioteca Municipal de Beja. Habitualmente, utilizo a Máquina da poesia na sua forma original, um painel coletivo, na parede, onde todos vão colocando palavras divididas por 4 categorias. Verificámos que as crianças mais pequenas e os alunos com necessidades educativas especiais (défice moderado) tinham dificuldade no entendimento do “enunciado”. Assim, a proposta foi alterada, simplificada para 3 categorias (verbos, adjetivos e nomes) assumindo a forma de uma árvore, a “Árvore da Poesia”: forra-se uma grande mesa com papel de cenário e as crianças circulam à sua volta fazendo –a crescer a partir de ramos temáticos, introduzindo palavras. As folhas são nomes, os frutos adjetivos e as flores verbos. Quando a árvore estiver frondosa de palavras, começas a recolher flores, folhas e frutos para construir os seus versos, que mais tarde serão presos às patinhas dos pombos. Este trabalho tem que ser mediado com delicadeza, encontrando momentos pessoais para que os alunos façam sair intuitivamente (de forma livre e não direcionada) as palavras que têm dentro de si. Foi assim que fiz com a preciosa ajuda da Lénia Santos e da Paula Martins.
"Árvore da Poesia"
(Ler artigos relacionados)

sábado, 20 de junho de 2015

"Ainda continuamos a arrumar": Formação de Animadores Culturais em Óbidos

Três dias intensos de trabalho e vivência junto dos animadores culturais da Câmara Municipal de Óbidos! Uma iniciativa formativa do programa de mobilidade do Descobrir (Fundação Calouste Gulbenkian). A equipa destacada para esta tarefa é boa: Aldara Bizarro, Maria Gil, António Pedro, Dina Mendonça, Susana Gomes da Silva e eu. Ao longo destes primeiros dias apresentámos as nossas propostas criativas e propusemos a reflexão. Pelo caminho, muitas dinâmicas de corpo, palavra, desenho e pensamento… Será que é possível educar para a felicidade? Dina Mendonça deixou-nos a pergunta a flutuar no ar… A Maria Gil fez-nos mergulhar no nosso passado, aquele mais esquecido – a infância. Ao construirmos pequenos museus de memórias regressámos lá atrás no tempo, descobrindo mais sobre cada um de nós. Percebemos logo que ainda temos muito para arrumar nas nossas vidas… Acho que este exercício consolidou o grupo, devolvendo a cada um de nós uma veracidade humana tangível. E sempre o corpo, dançando, expressando, proposto pela Aldara; num primeiro dia em parceria comigo, propondo o movimento no espaço segmentado por linhas numa sala toda forrada de papel de cenário: um aquário branco, ideal para as nossas projeções coletivas dançadas. Ao longo dos dias sucederam-se momentos de aquecimento no início dos trabalhos e fechos de sessão muito bem conduzidos pela Susana que tem a difícil tarefa de coordenar um bando improvável...Um dos pontos fortes tem sido o trabalho colaborativo, numa sequência de dias trabalhosos em disponibilidade crescente. (Só se pode estar assim em educação – de corpo inteiro)
Resultado da ferramenta/oficina "Dia positivo"
Um registo de Pedro Basílio
 Fui buscar uma proposta de imagem, O “Dia Positivo”, já com muita estrada feita, mas um pouco esquecida (as últimas apresentações foram já há alguns anos na Culturgest, Teatro Municipal da Guarda, Teatro do Campo Alegre e no Teatro Viriato). Gostei tanto de ver toda gente entusiasmada (encantada) a tornar grande o incrivelmente pequeno. E ficou muito bonito com a criação de paisagens sonoras propostas pelo António Pedro, com recursos sonoros muito simples. Devo dizer que gosto bastante destes momentos, propostos pelo António, em que criamos (por exemplo) sequências de som coletivas, apenas com o nosso corpo e vocalizações, algumas um pouco disparatadas (tenho de aprender a fazer isto…). Acabo de chegar à conclusão de que não consigo fazer uma narrativa completa, mas já fica a ideia… perdoem-me se não falei de tudo que foi acontecendo...
A memória do "cardume"
O grupo de formandos, os “Animadores de Óbidos”, desenvolve uma grande variedade de tarefas no tecido escolar para além de responderem criativamente a eventos propostos pelo Município; é uma vida agitada, sempre junto às crianças. Cada um tem a sua particularidade criativa e uma função nos diferentes complexos escolares construídos no concelho. Já os tinha conhecido (não a todos) numa anterior formação na área da mediação leitora, juntamente com Cristina Taquelim; nessa altura trabalhámos o “Eu sou Tu”, construindo narrativas com o corpo e objetos em grandes folhas de papel de cenário. Acho que só agora os estou a conhecer melhor, esperando expectante pela próxima sequência de dias formativos na secundária Josefa de Óbidos. Até já.
Grande ambiente e envolvimento...