sábado, 28 de fevereiro de 2015

Eisen - Registo vídeo


Agora que preparo mais uma narração/performance para o Centro de Arte Moderna, em torno do pintor Arshile Gorky, deixo-vos aqui o registo vídeo de EISEN, feito por Matilde Correa Mendes durante as apresentações em Maio de 2014. Para saber mais sobre esta narração oral, procurar aqui. E, também, aqui.

O corpo das ideias na escola D.Fernando

O projeto “O corpo das ideias” continua no agrupamento de escolas “Monte da lua”, desta vez na Escola D. Fernando, na vila de Sintra. Realizámos o nosso trabalho na sala de ensino especial da escola, reunindo uma mão cheia de jovens alunos CEI.
 O Currículo Específico Individual (CEI), é uma medida educativa que prevê alterações significativas no currículo comum, impedindo os alunos a quem foi aplicado de prosseguir estudos de nível académico. É o nível de funcionalidade do aluno que determina o tipo de modificações a realizar no currículo e deverá dar resposta às necessidades mais específicas deste. Este tipo de currículos assenta numa perspetiva curricular funcional, e tem por objetivo facilitar o desenvolvimento de competências pessoais e sociais e de autonomia.(retirado de http://educacaoespecial9.webnode.pt/) Por sugestão de uma das alunas, surgiu uma grande centopeia feita com o corpo de todos que leva a passear no seu dorso a simpática coelha residente na sala. Agora será a vez dos alunos completarem a história. Estou curioso… Já o trabalho inclusivo com uma turma do 9º ano foi mais difícil de realizar com estes alunos adolescentes – a turma era grande demais para a sala, mas lá surgiu uma história gigante que pode ser vista num corredor da escola.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Canal Fundação Calouste Gulbenkian : assinatura do protocolo "Leituras em cadeia"

Leituras em cadeia

Estabelecimento Prisional de Tires acolhe projeto de promoção de leitura


Um protocolo de parceria entre o Ministério da Justiça, a Fundação Calouste Gulbenkian, a Delta Cafés e a Associação Cultural Laredo foi hoje assinado com o objetivo de desenvolver o projeto Leituras em Cadeia, que visa dinamizar e incentivar o gosto pela leitura no Estabelecimento Prisional de Tires. O projeto será desenvolvido até final de 2016.

No âmbito do projeto Leituras em Cadeia será realizada uma intervenção nas bibliotecas do Estabelecimento Prisional de Tires, com incidência na requalificação de bibliotecas existentes ou na criação de novas bibliotecas, com uma forte componente formativa, especificamente para os agentes locais e os reclusos responsáveis por serviços de biblioteca prisional. Estão previstas atividades de mediação de leitura e escrita, e os conteúdos digitais serão publicados e atualizados regularmente num sítio web e nas redes sociais adequadas, incluindo documentos orientadores para desenvolvimento de bibliotecas em comunidades prisionais.

A iniciativa partiu de Miguel Horta, que através da Associação Cultural Laredo apresentou à Fundação Gulbenkian este projeto que visa o desenvolvimento do gosto pela leitura em contexto prisional. “A população dos estabelecimentos prisionais portugueses revela níveis médios reduzidos de educação formal, o que torna ainda mais urgente o desenvolvimento de bibliotecas e do seu uso pleno por todos os reclusos”, lê-se na apresentação do projeto, onde também é sublinhada a “manifesta” carência de intervenção no campo da promoção e mediação da leitura em contexto prisional.

Com um encargo financeiro global no valor de 75 mil euros, partilhado entre a Fundação Calouste Gulbenkian, que desde sempre apoiou projetos visando a promoção da leitura em ambientes de risco, e a Delta Cafés, que exerce uma ação de mecenato social muito significativa em estabelecimentos prisionais, espera-se com o projeto Leituras em Cadeia uma melhoria dos indicadores de leitura na população do Estabelecimento Prisional de Tires.

Fonte:http://www.gulbenkian.pt/Institucional/pt/CanalFCG/Noticias/Noticia?a=5230

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

leituras em cadeia

Fotograma do filme do realizador Tiago Afonso - "Espaço/Tempo" (Novas memórias do cárcere)
Hoje foi um dia muito importante para mim e para a minha amiga e companheira de trabalho Maria José Vitorino: Foi assinado o protocolo que formaliza o nosso projeto Leituras em cadeia. Parceiros: Fundação Calouste Gulbenkian (Professor Eduardo Marçal Grilo), Delta Cafés (Comendador Rui Nabeiro), Ministério da Justiça (Ministra, Dra Paula Teixeira da Cruz), Laredo Associação Cultural (Miguel Horta). Aplicação em curso, até 2016, no Estabelecimento Prisional de TiresUm projeto-piloto de mediação leitora em contexto prisional, com uma forte componente de biblioteconomia e que assenta numa metodologia participativa, construindo uma ideia e um local com as residentes (reclusas), guardas prisionais, técnicos de tratamento prisional, docentes e comunidade envolvente. Em breve teremos um sítio na internet com informação detalhada; igualmente, aqui no meu blogue, irei dando notícias…

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Sussurradores do Monte!

 Está ficar um projeto bonito… Depois de uma passagem pelo Centro Paroquial Cristo Rei (Monte da Caparica – “bairro branco”) e de um encontro com os coordenadores das diferentes associações participantes na ideia (CP Cristo Rei, Geração Cool – SC Misericórdia de Almada e os Lifeshaker), teve lugar, no dia 18 de fevereiro, um encontro formativo onde aprendemos a trabalhar com a “Máquina da Poesia” e a construir Sussurradores. Um dinâmico grupo de jovens “dirigentes” participou na sessão que teve lugar na Biblioteca Municipal Maria Lamas (Raposo – Monte da Caparica), promotora desta intervenção comunitária. Esperemos que o efeito de contaminação se faça sentir nas 3 estruturas locais… O projeto “Sussurradores do Monte”( mediação leitora) pretende juntar um número significativo de jovens do concelho de Almada, em especial da freguesia do Monte da Caparica, em torno da Poesia. Partindo da “Máquina da poesia”, uma metodologia simples de Miguel Horta, os participantes envolvem-se na escrita de pequenos poemas destinados a serem partilhados com a comunidade através de um recurso simples: o Sussurrador. Esta ferramenta é, afinal, um tubo de cartão decorado a gosto pelo seu jovem proprietário, servindo para sussurrar os textos escritos ao ouvido de quem passa. No dia 27 de março, às 17.30h, faremos a nossa primeira intervenção na estação ferroviária da Fertagus no Pragal. Ahhh…também ficou com vontade de vir sussurrar? Pois então, basta ligar para o Luís Barradas da Biblioteca Municipal Maria Lamas (rede de Bibliotecas de Almada) para saber mais detalhes sobre este acontecimento. Venha daí sussurrar poesia!
Depois da escrita...a construção do sussurrador

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Mediar públicos com necessidades educativas especiais - 2015

(Foto: Margarida Rodrigues)
Arrancou este fim de semana mais um curso “Mediar públicos com necessidades educativas especiais” na Fundação Calouste Gulbenkian, promovido pelo programa Descobrir. Uma oportunidade de partilha das metodologias que a equipa das necessidades educativas especiais tem aplicado no seu trabalho em torno da oferta cultural da Fundação. O debate, a troca de ideias, marcou este primeiro dia dos trabalhos; o grupo de formandos e vivo e participativo. Para além de termos apresentado as nossas oficinas e debatido a problemática das acessibilidades, a sessão ficou marcada por um debate participado em torno da inclusão e das respostas sociais. O curso segue no próximo fim de semana, com um cariz mais prático, experimental, pretendendo-se que nasçam propostas de trabalho facilmente aplicáveis nos locais de trabalho dos formandos. Até sábado!
Experimentando o "jogo das expressões"
 (Foto: Margarida Rodrigues)

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Desformatar com "leituras diferentes"

Unidade de ensino especial: Escutando um trecho sonoro, com muita atenção
Ao longo das últimas semanas, na Escola Básica nº1 do agrupamento de escolas Ferreira de Castro (Mem Martins - Sintra), prossegue o projeto “Leituras diferentes”. O livro vai estando cada vez mais presente na mesa da unidade de ensino especial: é importante promover a leitura na sala e o empréstimo domiciliário. Agora, tenho andado de sala em sala com a proposta “Dos sons nascem histórias”, desafiando as crianças para a escrita imaginativa, depois de escutarem uma pequena história sonora (sem palavras em Português). Trabalha-se a literacia auditiva usando, no todo inclusivo da turma, uma ferramenta da unidade de ensino especial. Todas as sessões começam pela apresentação de álbuns (livros de imagem) que vão sendo desvendados pelos alunos, à medida que o mediador vai folheando e interagindo – afinal, as imagens também se leem… Sinto, nos alunos, uma grande dificuldade em criarem sentidos para o que estão a escutar, inventando histórias. Existe uma grande formatação no modo como se ensina atualmente no primeiro ciclo; demasiada colagem às metas curriculares, pouco convívio com a produção artística. Não existe o hábito do desafio filosófico, ensinando a pensar fora dos limites quotidianos. Habituados a olhar o mundo de forma diferente, os meninos de perfil autista não têm, aparentemente, dificuldade neste tipo de desafio lúdico - as suas dificuldades são outras… Embora este projeto tenha surgido pelo lado da Educação Especial, ao apresentar-se com uma clara intenção inclusiva levanta novas questões, também em relação ao ensino regular. Mas educar é mesmo isto…comporta sempre uma certa dose de risco, podendo ter consequências transformadoras de futuro.
Fomos até à praia com "A Onda" 
Só quem sabe a diferença entre olhar e ver desvenda o segredo...
Catarina mostra o "Zoom" à Terapeuta da fala, usando os mesmos gestos do mediador...


terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

O corpo das ideias

Não é um grupo lindo? (foto de Flávia Rodrigues)
Teve início em janeiro, no agrupamento de escolas “Monte da lua” (Sintra) o projeto “O corpo das ideias”, dedicado a alunos com necessidades educativas especiais mas com uma vertente inclusiva, pretendendo envolver outros jovens e crianças nas atividades criativas propostas. Tiveram lugar duas sessões muito divertidas na EB de Colares e na Secundária Dona Maria (vila). Começámos com a oficina “Eu sou Tu”, um trabalho em torno do corpo, enquanto ferramenta criadora de histórias. Mais tarde, continuaremos o trabalho em torno da questão da identidade com uma oficina a que chamámos "cartão de cidadão"
Combinando a história em conjunto com jovens de outras turmas
Uma oficina onde se parte do corpo chegar à construção coletiva de histórias. Como misturar o meu corpo com o teu e com o dele? Claro, que só em grandes folhas de papel de cenário, recortando com um grafite grosso o nosso contorno, somando tudo no suporte. Poderemos acrescentar objetos, abrindo as portas a diferentes histórias. Tudo pode acontecer sobre uma grande folha de papel, de repente transformada no céu, no mar ou num cenário quotidiano onde as nossas personagens de repente ganham vida. Ao longo de 120 minutos (máximo) aprendemos a trabalhar em conjunto, em grupos de 5 elementos, talvez juntando tudo numa grande história final. (retirado da apresentação do projeto – Miguel Horta)
Na primeira sessão na escola secundária (hoje), que contou com a presença de alunas dos cursos de Animação sociocultural e do curso de Saúde, surgiu uma história romântica: uma rapaz apressado e atormentado por uma criaturinha perversa que pousou sobre o seu ombro, corre ao encontro de uma bela rapariga, nos misteriosos jardins da Quinta da Regaleira. Promete… Sempre quero ver como vão terminar a história…
Esta oficina, de nome “Eu sou tu”, transcende os objetivos específicos da unidade de ensino especial, sendo transversal a todas as idades e níveis de ensino, cruzando saberes e práticas artísticas. Todos os professores, alunos e assistentes operacionais que convivem diariamente com as nossas crianças especiais, são convidados a participar nesta ideia da qual se podem extrair aprendizagens mais vastas, facilmente relacionáveis com as matérias curriculares numa fruição própria da “Educação não formal”. A ideia que preside à nossa proposta é a integração lúdica, reunindo um conjunto de aprendizagens e conhecimentos simples, úteis para o curriculum normal. (in projeto “O corpo das ideias” 2014)

Por aqui seguirei dando notícias desta nova aventura pelas escolas de Sintra…

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Projeto 10x10. Fazendo um balanço

Spiriel
E eis que chega ao fim mais uma edição (a terceira) do projeto 10x10 (Descobrir/Gulbenkian). Ao longo de vários meses envolvemo-nos com os professores como se fossem colegas de uma coprodução artística e fizemos crescer afetos. É quase impossível colocar de fora a relação com o docente, determinante para o sucesso da caminhada em sala de aula. Em pouco tempo, sentimo-nos responsáveis pelo grupo de alunos e, aos poucos, vamos conhecendo as suas personalidades. Sofremos com eles e torcemos para que ultrapassem as dificuldades, que cresçam interiormente. É inevitável que a intensidade dos dias vividos na escola passe para a nossa prática de mediadores artísticos. Nem todos os artistas gostam de ser mediadores mas, para mim, essa tarefa vai ficando cada vez mais colada à prática da criação – tem algo a ver com a criação de novos públicos e expressa também uma esperança enorme na energia imaginativa das novas gerações, fundamental para a transformação do mundo. Fica, no entanto, a pergunta: Que importância tem a prática pedagógica, surgida na convivência com os alunos e professores, na génese de novas obras de arte? Não me posso esquecer de perguntar aos meus pares…
Kepler 16-L
É muito difícil narrar toda a riqueza de acontecimentos e conteúdos que surgem ao longo do Projeto 10x10; provavelmente, só sentiremos algumas consequências mais tarde, por decantação. No meu jeito fanfarrão, tenho a mania que sei muitas coisas; quero aqui manifestar o meu respeito pelos alunos que têm uma grande quantidade de matéria para “empinar”. Tentei terminar um dos testes, próximos da nomenclatura dos exames e dei-me mal (talvez uma positiva muito envergonhada…). Espero que eu e a professora Ana Pereira tenhamos conseguido passar esta ideia de que existe outra forma de aprender, mais lúdica, informal, partindo da convicção de que o importante é entender o universo na sua globalidade, aquilo a que eu chamo uma “cidadania cósmica”.
Utopia
A metodologia que usámos não significa que o assunto tenha sido tratado de forma menos séria – acho que promovemos a curiosidade, a pesquisa e o gosto por habitar o planeta Terra na atualidade. Primeiro, uma visão aberta, de olho de pássaro, depois a consolidação do conhecimento (relacionando-o com o concreto da matéria a dar). Gostaria muito que algumas ideias surgidas nestas aulas de Geologia/Biologia tivessem continuidade ao longo do ano letivo e também uma certa “contaminação” na escola. Conhecendo o espírito da professora Ana, acho que muito do que foi vivido vai ser aplicado aqui e ali. Quanto ao método das perguntas devolvidas aos alunos para pesquisa, esse já lá estava antes do projeto e vai continuar… A propósito do hábito de perguntar, quero agradecer aqui à Dina Mendonça que deixou o terreno fértil para este questionar permanente. Fica aqui uma referência especial à Judith Silva Pereira, o nosso “anjo da guarda”, que acompanhou todo o trabalho das duplas (Artista/Professor), sugerindo, lançando a reflexão e facilitando soluções pedagógicas – a sua presença tem dado solidez ao projeto.
Fenix
Os nossos alunos estiveram muito bem nas apresentações da aula pública na Fundação Gulbenkian, na Escola e no Teatro Carlos Alberto (Fomos muito bem recebidos no Porto! Obrigado equipa do Teatro s. João). Tentámos apresentar aquilo que fizemos na aula e a ideia subjacente de forma simples, sem espetáculo – acho que conseguimos… E foi contagiante a alegria destes rapazes e raparigas…

Agora segue-se a fase de balanço e reflexão entre todos os participantes: artistas, professores e equipa promotora do Programa Descobrir. Sugiro que sigam essa reflexão através do sítio na internet – por certo surgirão novos documentos, sobretudo no que diz respeito às “micropedagogias”. Obrigado Maria por nos desinquietares.Obrigado a todos.

Newsletter da Fundação Calouste Gulbenkian

Projeto 10x10 - "Uma mentira cósmica e outros calhaus"

Título da Aula : Uma mentira cósmica e outros calhaus
                             “ Somos irmãos das rochas e primos das nuvens” – Harlow Shapley
 Sinopse 
Quando um laboratório se torna num local de experimentação plástica e comunicação em torno de uma matéria tão agreste como a Geologia. Compreender a composição e estrutura da Terra através de uma viagem pelo universo (planetologia) e conhecimento dos fenómenos geológicos do nosso planeta (vulcanologia). Promover o espírito científico através da criação de uma “mentira cósmica”, a invenção de um planeta.
Conceção: Miguel Horta e Ana Pereira
Intervenientes: Miguel Horta, Ana Pereira e alunos do 10º C2
Nome da escola: Agrupamento de escolas D. Dinis / Escola Secundária D. Dinis
Duração aproximada: 40 minutos / 45 minutos      
Agradecimentos: A toda a equipa 10x10; aos alunos e encarregados de educação do 10º C2; à Judith Silva Pereira pelo acompanhamento atento; à direção do agrupamento de escolas D. Dinis.

Enquadramento do projeto na escola 
A escola secundária D. Dinis, situada na freguesia de Marvila, Lisboa, está integrada num contexto socio cultural muito vulnerável que se reflete na motivação e desempenho prestado por grande parte dos nossos alunos e na sua falta de objectivos a médio e longo prazo.
 A turma do 10º C2 é constituída por 12 alunos (apenas nas disciplinas de Biologia e Geologia e de Física e Química A), 4 raparigas e 8 rapazes com idades compreendidas entre os 15 e 16 anos.
Estes alunos provinham de turmas diferentes, embora todas da mesma escola do agrupamento (secundária D. Dinis), pelo que houve necessidade de desenvolver o espírito de grupo e, consequentemente, de responsabilidade.
Um dos aspectos positivos da turma foi a sua abertura a todas as propostas de trabalho apresentadas pela dupla, colaborando na sua concretização de forma participativa e empenhada.
A preocupação da dupla foi, desde o início a de desenvolver nos alunos a consciência de que o “saber” não é segmentado mas que pode e deve ser construído como um todo a partir das “pistas” e dos desafios que foram sendo lançados. No entanto criou-se momentos onde a dupla ou, a professora na ausência do artista, sistematizavam os conceitos definidos no programa da disciplina e abordados nas aulas.  
Os professores do grupo disciplinar e que leccionam o mesmo ano (10º ano de Biologia e Geologia) têm acompanhado com interesse o trabalho desenvolvido o âmbito do projecto 10x10, manifestando interesse pelas metodologias que foram utilizadas e pelos resultados obtidos.

 Descrição sumária do processo 
 A primeira preocupação da dupla foi consolidar o grupo e prepará-lo para um conjunto de aulas pouco convencionais, usando algumas dinâmicas de palavra e corpo. Logo na apresentação dos alunos foi lançada a pregunta: “Se fosses uma pedra, que pedra serias? Porquê?”. O contacto com a obra de Miguel Horta permitiu entender a relação entre a génese criativa e o conhecimento do planeta. Também, uma dinâmica de corpo e movimento no átrio de entrada da escola, simulando a criação de planetas e a sua trajetória no sistema solar, obteve uma adesão alegre. Em todas as aulas criámos um espaço de plenário, cadeiras em redondo, onde fazíamos o ponto da situação e superávamos dúvidas através de um debate horizontal. Por sabermos que as respostas verdadeiramente consolidadas são aquelas que os alunos encontram por si, evitámos sempre a comunicação formal dos conteúdos, promovendo a curiosidade e a pesquisa. Exemplo disto, foi a introdução dos QR CODE no manual escolar, a propósito da matéria que estava a ser dada, contribuindo para o espirito de pesquisa e para um conhecimento mais holístico e liberto do planeta Terra. No centro destas aulas esteve a “mentira cósmica”: a construção de um planeta imaginado. Os alunos foram desenhando, em equipa, um planeta inventado, da sua composição à estrutura, acabando por construir um modelo tridimensional convincente (e algumas formas de vida). Foi dada enfase à pesquisa necessária para a elaboração de uma argumentação sólida, em defesa da “mentira” criada, relembrando que o “erro” é fundamental para a construção do saber. Encerrámos este ciclo de aulas abordando os diferentes tipos de atividade vulcânica, relacionando os conteúdos com a realidade imediata da erupção da ilha do Fogo; por fim construímos uma maqueta, mais realista, do vulcão com seus tipos de escoadas de lava.



Bio professora
ana Pereira 
Nasceu em Lisboa, em 1959. Professora efetiva, do grupo disciplinar 520. Licenciada em Biologia, ramo educacional, pela Faculdade de Ciências da Universidade Clássica de Lisboa. Coordenadora do Ensino Secundário desde 2005; membro do Conselho Pedagógico; responsável pela equipa de formação de turmas. Responsável pelo Núcleo de Ciências da escola.
Bio artista 
Miguel Horta
Pintor. Mediador cultural, intervindo em museus, bibliotecas públicas e escolares, bairros e prisões. Autor/ilustrador infanto-juvenil: Pinok e Baleote-PNL, Dacoli e Dacolá-PNL, Rimas salgadas (poesia) e Retratinho de Amílcar Cabral (Teatro). Narrador oral. Formador na área da mediação leitora e das necessidades educativas especiais. Expôs Troncos e marés na Galeria Appleton Square (2012)

                                                                                                                      

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Hoje é dia de "leituras diferentes"

No painel das tarefas dos meninos e meninas da unidade, no meio dos pictogramas, a minha fotografia com o símbolo de um livro aberto: hoje é dia de mediar o livro!
O projeto “leituras diferentes” segue o seu curso na Escola Básica nº1 de Mem Martins (agrupamento de escolas Ferreira de Castro). Para além do trabalho específico com crianças do espectro do autismo, intervém-se, também, numa perspetiva inclusiva, em sala de aula com a atividade “Dos sons nascem histórias” – escrita imaginativa e ilustração a partir de histórias sonoras. Na unidade trabalhámos a “Onda” (Suzy Lee), “Leonardo, o monstro terrível” (Mo Willems) e “O Mundo num segundo" (Isabel Milhós Martins e Bernardo Carvalho); fiquei espantado com o tempo de concentração demonstrado pelas crianças – bastante longo para o habitual. O grupo gostou mesmo do Monstro Leonardo ... Uma das pedras chave deste projeto é a promoção do empréstimo domiciliário - é importante que os alunos com necessidades educativas especiais requisitem livros para leitura em casa.