quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Mithos a ler

Um outro projeto onde a nossa Associação está envolvida é o Mithos a ler que acaba de inaugurar uma biblioteca comunitária inclusiva na sede da Mithos- histórias exemplares (associação de apoio à multideficiência). Agora, com a biblioteca já inaugurada, a nossa ação concentra-se na formação dos companheiros/as que fazem atendimento no local e na formação de jovens voluntários mediadores de leitura que posteriormente desenvolverão o seu trabalho junto dos utilizadores do espaço de leitura pública de temática especializada. No dia 21 de janeiro de 2017 terá lugar uma primeira sessão de formação de voluntários de mediação leitora na Biblioteca da Mithos. Esta formação tem como objetivo dotar os jovens voluntários do projeto Mithos a ler de um conjunto de ferramentas muito simples de intervenção junto de leitores diferentes. Concomitantemente, os participantes terão a oportunidade de entender melhor o que é a mediação leitora, não faltando oportunidades de treinar a manipulação de livros, construir ferramentas e experimentar algumas dinâmicas. No futuro, pretende-se que estes jovens garantam algumas actividades no âmbito da biblioteca inclusiva, desenvolvendo propostas junto dos leitores visitantes. A inscrição é gratuita existindo o compromisso de cumprir tempo de voluntariado na associação.  
A equipa-base da Mithos no dia da inauguração
 que contou com a presença do deputado Jorge Falcato, Fernando Fontes, Susana Magalhães (Inclu) e  Diogo Martins.
   

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Sussurrar junto de professores bibliotecários

Nesta reta final do ano tive uma experiência muito curiosa com os professores bibliotecários do concelho de Vila franca de Xira. Fui convidado a participar, juntamente com os alunos do projeto “Oceanutópicos”, na reunião concelhia de professores bibliotecários. Tivemos oportunidade de apresentar a ferramenta sussurrador, como peça essencial do trabalho que desenvolvemos na Escola Professor Reynaldo dos Santos (VFX) e no Folio Educa, comunicando utopias pelas ruas da vila histórica. Os alunos sussurraram utopias oceânicas aos ouvidos dos docentes presentes, esperando que estes disseminem a ideia nas suas escolas de origem. Neste encontro, em boa hora “congeminado” pela Professora Hermínia Falcão e pela “andorinha” Helena Brígida, tive ainda oportunidade de falar da aplicação, em contexto de projeto, do objeto Sussurrador, junto dos alunos com necessidades educativas especiais, turmas “Pief”, “Cef” e outros grupos educativos mais avessos à leitura e à escrita. 

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Dias especiais...

...Dizendo os disparates do costume...
Às vezes a vida passa e não encontramos tempo para assinalar dias especiais… Quase a terminar o ano de 2016, gostaria de fazer um destaque à escola que melhor trabalhou a minha pequena obra neste primeiro período letivo. Não se trata de atribuir um Óscar, mas sim de reconhecer o excelente trabalho desenvolvido pela Ludobiblioteca da escola básica nº2 da Parede, coordenada por Leonor Pêgo, e assinalar uma mão cheia de docentes que conseguiram entusiasmar os alunos para a leitura dos meus livros. Muito obrigado – foi um belo dia passado na Parede! Vejam lá a reportagem: Aqui

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

BAIRRO LEITOR: Falando com os vizinhos

 Ao lado dos prédios, um moinho com umas belas pinturas na parede.
Vamos subindo o Bairro do Casalinho da Ajuda, onde decorre o projeto Bairro Leitor; vou bem acompanhado pelo Miguel e pela Mónica, residentes e dirigentes associativos da Academia de Jovens do Casalinho da Ajuda. Entramos na zona de cima, os IOs (como aqui lhes chamam), um conjunto de edifícios destinados a residências universitárias, agora ocupados pela comunidade cigana. À medida que vamos percorrendo o bairro, aproximam-se vários jovens; o casal vai recolhendo nomes para um campeonato de futsal (Nesta altura, movimentam já 80 jovens nesta competição!). Miguel Cordeiro é afável, cumprimenta os vizinhos e vai passando a ideia de que se esperam mudanças para melhor no bairro – apresenta-me ao patriarca cigano, o Senhor Octávio, homem de rosto nobre e olhar azul. Falo do projeto e da importância da leitura, no meio de uma rua onde esvoaça o lixo ao vento. “Estou a ler um livro sobre a história dos Romani”- digo-lhe. A conversa deriva logo para a história dos nómadas, sobre a qual aquele homem vestido de negro sabe detalhes que só agora descortino, quase no final do livro. Pergunto-lhe se a comunidade conhece a sua própria história e ele responde-me que não, só uma pequena minoria. “Gostaria de ler esse seu livro…”-Afirma. Proponho a realização de um encontro sobre a história dos ciganos no café da esquina. Ele e Miguel que não perdeu pitada da conversa concordam. Há nossa volta já está uma meia dúzia de habitantes interessados na conversa. Comprometo-me a organizar esse encontro junto com os companheiros de projeto da Academia. Despedimo-nos, sem que antes de descer a rua, Miguel e Mónica recolhessem mais dois nomes para a competição desportiva. Qualquer biblioteca comunitária que nasça neste bairro terá de ter um bom acervo relacionado com a comunidade cigana… A ssim se começa a mediar o livro, falando com os vizinhos.
O projeto também contempla a recuperação de alguns espaços públicos
como é o caso do parque infantil

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Projecto BAIRRO LEITOR

E lá fiz uma ilustração para o projecto....
(em breve transformada em logótipo)
Hoje falo-vos de um projeto de intervenção que tem vindo a ocupar (nos últimos tempos) os meus dias por Lisboa – Trata-se do BAIRRO LEITOR. Quem está atento ao rumo que a Laredo (Associação Cultural) vem tomando, rapidamente percebe que estas ideias surgem no seguimento de “Aldeias Leitoras”, “Tásse a ler” e outros tantos projetos que refletem a urgência de pensar as literacias num contexto social, intervindo diretamente no território. Desde sempre, as bibliotecas comunitárias, foram tema de eleição para Maria José Vitorino, ou não tivesse sido ela uma das impulsionadoras do projeto THEKA (Fundação Calouste Gulbenkian) que interveio em Portugal, adicionando mais bibliotecas e saber à Rede de Bibliotecas Escolares. Promovido em conjunto pela Junta de Freguesia da Ajuda, Laredo AC e Associação de Apoio e Segurança Psico-Social, o Projeto BAIRRO LEITOR está a decorrer no muito alfacinha Bairro do Casalinho da Ajuda. Este projeto tem diversos parceiros: ESTAL, Grupo Sport Chinquilho Cruzeirense, Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, AGIRXXI- Associação para a Inclusão Social, Academia de Jovens do Casalinho da Ajuda, Agrupamento de Escolas Francisco de Arruda, Centro em rede de Investigação em Antropologia (CRIA) e a Associação de Voluntários de Leitura. Tudo isto acontece no âmbito do programa BIP-ZIP, promovido pela Câmara de Lisboa, com o objetivo de requalificação e dinamização do espaço da freguesia da Ajuda – com enfoque principal no bairro do Casalinho da Ajuda - pretende tornar o bairro num lugar onde se vive melhor por ser um bairro leitor, trabalhando no interior das comunidades que o compõem, com e para toda a gente, e otimizando recursos existentes e a desenvolver, pela valorização da leitura e das literacias, através de práticas inclusivas de leitura e de criação, disseminadas. Numa abordagem transgeracional e de educação não formal, privilegiam-se destinatários entre os moradores mais jovens, pelo seu potencial de envolvimento da comunidade e de condição de sustentabilidade futura.

Nos próximos post vos darei conta do desenvolvimento deste trabalho que passa muito pelo contacto direto com os moradores, escutando, propondo e agindo. Tenho feito equipa (no terreno) com Miguel e Mónica Cordeiro, dirigentes associativos da Academia de Jovens do Casalinho da Ajuda – um garante no local para o sucesso do projeto.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

"Leituras em cadeia" geram proposta formativa

A ferramenta livro foi muito utilizada nesta sessão
Já está na reta final o curso  “Leitura, Bibliotecas, Estabelecimentos Prisionais”. Trata-se de uma formação especializada que reflete o trabalho que a equipa da Laredo (Miguel Horta e Maria José Vitorino) e um pequeno grupo de “âncoras” corajosos, em estreita colaboração com a Biblioteca Municipal de São Domingos de Rana – Cascais e o agrupamento de escolas Matilde Rosa Araújo, vêm desenvolvendo no EP Tires, dando corpo ao Projeto GulbenkianLeituras em cadeia”. A última sessão presencial, que teve lugar na Fundação Calouste Gulbenkian (3 de dezembro) foi bem animada (como provam as fotografias…) e com um sentido prático evidente. Este curso tem sido um pequeno fórum de ideias, atualizando muita informação sobre estabelecimentos prisionais, bibliotecas prisionais e escola na prisão. Penso que estamos a conseguir sensibilizar para o valor educativo da mediação leitora, da promoção da leitura e das bibliotecas em contexto prisional, numa perspetiva inclusiva. É importante Promover estratégias educativas de cooperação interbibliotecas – biblioteca escolar, biblioteca pública, biblioteca prisional – sustentáveis, quer da educação formal quer da aprendizagem ao longo da vida de reclusos/as. Estou muito curioso em relação aos trabalhos finais que em breve poderemos ler na plataforma moodle do CFAE Centro-Oeste. (Mais sobre este tema)
Pensando soluções de intervenção, em pequenos grupos de reflexão


quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Como peixes dentro de água

Preparativos para a ecolocalização...
O Projeto 10x10 vai navegando pela Secundária Seomara da Costa Primo, por águas cada vez mais claras. Sucedem-se as avaliações que os alunos fazem das aulas, agora com nota máxima (pedras verdes). A articulação entre as disciplinas começa a estar mais fluída…e o artista mais descontraído. A fase inicial do projeto nas escolas é sempre mais delicada. Entretanto teve lugar uma aula especial em torno do sistema de ecolocalização dos cetáceos, aplicado à educação física. Tratou-se de uma adaptação, mais complexa, do jogo que apresentei com Ana Pêgo na oficina “Moby Dick” (Programa Descobrir/Gulbenkian). Realço o facto de ter sido uma aluna (Maria) a iniciar a aula com um aquecimento (ao som de música escolhida), partilhando com os colegas uma metodologia da dança contemporânea. 
 Começam a surgir os primeiros desenhos de peixes inventados 
ao lado das ilustrações feitas na aula de dissecação e ilustração
Trabalho em grupo: Em busca do peixe imaginário
Na aula seguinte, com a professora Helena Moita de Deus, lançámos o desafio que vai acompanhar o projeto até ao seu final: A invenção de um peixe, uma criatura imaginária, cientificamente coerente. Cada grupo criará o seu peixe “falso”. Os grupos constituídos na aula laboratorial de dissecação, mantiveram-se. Iniciámos o desafio com o visionamento de vídeos muito recentes da NOAA (Office of Ocean Exploration and Research – USA), dando continuidade à visita realizada pela turma ao ROV – Luso. Chamei a atenção para a importância de se construir uma criatura cientificamente viável, concomitantemente com uma argumentação sólida, capaz de questionar os projetos dos outros companheiros de turma. A ficha técnica da espécie, fornecida pela professora Helena servirá como ponto de partida para esta construção que terá a sua representação na aula de educação física, sob a forma de movimento. Os grupos darão corpo às diversas fisicalidades da espécie inventada, das hipotéticas danças nupciais, movimentos gregários, passando pelas posturas em atos predatórios e, talvez, mimetismo ou ainda, simbiose e comensalidade (…). Basta pensar no conceito de cardume para imaginarmos a turma nadando pela escola… (Já devem estar a perceber que nos vamos divertir na aula de educação física… 
 Podem facilmente avaliar o espírito da turma: alegremente ruidoso
 Lendo e registando as falhas...
Depois da corrida, nova leitura de parametros
Esta quarta-feira, na aula de educação física, voltámos aos cetáceos e à duração do seu mergulho e sistema circulatório, comparando com as características da nossa espécie. O Professor Nuno Resende, que distribuiu uma folha para registo individual de diferentes parâmetros, trouxe balões para que os alunos pudessem medir a capacidade pulmonar e  Esfigmomanómetros para medir o batimento cardíaco e a pressão arterial. Depois, no ginásio, seguiu-se um exercício prático muito interessante: “Correr e ler”. A par, os alunos foram convidados a ler um texto científico em que se descrevia o funcionamento do coração; o colega tomava nota de cada erro efetuado na leitura, em seguida, a media a tensão arterial. Depois o aluno, em corrida intensa, efetuava um trajeto que terminava junto à mesa onde o seu par se encontrava. À chegada voltava a medir a tensão arterial e começava a ler o texto, sempre vigiado pelo seu colega, que ia registando os erros de locução. Concluiu-se que, depois da corrida, era maior o número de falhas na leitura. 
 Adoro Matemática!
Nesta aula, como foi conduzida mais pelo professor Nuno, estive a observar os alunos e a interagir de uma maneira diferente com eles. A Larissa mostrou-me o seu "diário de bordo" (Caderno de campo), gostei do que vi e sobretudo do que li. Às tantas, um dos alunos começou a escrever no balão algumas fórmulas matemáticas, uma delas para resolução de equações. Perguntei-lhe porque o fizera. "Adoro matemática!" Respondeu. Judith Silva Pereira (a nossa observadora e "anjo da guarda") estava ao meu lado e gostou do que ouviu. É uma turma muito entrosada e comunicativa, portadora de uma personalidade muito forte: estou a aprender... Assim vem sendo o Projeto... 

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Mediação leitora inclusiva em Braga

Sessão da manhã com jovens da escola Pública
 Workshop sobre mediação do livro e da leitura
Segunda-feira dei o meu contributo na Semana da Inclusão na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva (Braga) com uma oficina inclusiva da parte da manhã e um workshop (“Mediação leitora e necessidades educativas especiais”). Foi um regresso à Biblioteca dirigida por Aida Alves, desta vez não para uma recoleção de palavras, mas para trabalhar com a diferença e partilhar uma metodologia (e algumas ferramentas) com professores, educadores, bibliotecários, técnicos e mediadores culturais. Da parte da manhã desenvolvi a oficina “Dos sons nascem histórias” com um grupo variado: duas amigas cegas e um grupo de jovens com diferentes problemáticas, acompanhadas de duas professoras muito participativas, para além dos colegas da Biblioteca de Braga. Da parte da tarde conseguimos reunir uma mão cheia de interessados  no workshop. Correu tudo muito bem. Fica aqui uma palavra de apreço para a incansável Maria Peixoto – obrigado.
Objetivos desta breve formação:

  • Sensibilizar para a importância e o papel das bibliotecas como veículos de educação não formal, potenciadores de inclusão social;
  • Identificar o Leitor diferente;
  • Identificar o conceito de mediação leitora;
  • Sensibilizar para a importância do livro e da escrita como formas de valorização do individuo e para a criação de novas autonomias;
  • Identificar metodologias de aplicação da mediação leitora adequadas aos públicos com necessidades educativas especiais.
  • Partilhar algumas ferramentas de mediação
  • Analisar alguns livros existentes nas coleções das bibliotecas

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Curso Inclusão, Escola, Bibliotecas

Ledmania: lendo as sombras com dedos luminosos...
Está decorrer na Escola Secundária António Damásio mais uma edição do Curso “Inclusão, Escola, Bibliotecas: Mediação Leitora, Educação Artística e Necessidades Educativas Especiais” (2016 – Centro de Formação António Sérgio) Registo de acreditação: CCPFC/ACC-85617/16. Formadores: Miguel Horta, Maria José Vitorino e Simão Costa. Laredo Associação Cultural. Esta ação tem como objetivo a apropriar ferramentas pedagógicas diversificadas para conhecimento mais atualizado e melhor intervenção junto dos alunos, em particular dos que necessitam de apoios educativos e sociais especializados, vulgo com NEE. Abordar diferentes metodologias de intervenção, refletindo sobre os vários caminhos que se apresentam ao professor, educador, técnico ou mediador cultural. Partilhar saberes que se vão adquirindo pelas práticas e pelo trabalho com estes alunos. Elaborar propostas de trabalho a desenvolver em contextos educativos formais. Contribuir para a afirmação de uma Escola mais inclusiva. Um curso com uma forte componente prática. Os docentes inscritos têm demonstrado um elevado nível de participação, testemunhado pelo invulgar número de intervenções on line, através da plataforma moodle do Centro de Formação António Sérgio”. Obrigado Simão Costa por mais uma bela tarde passada em torno do som. . http://www.cfantoniosergio.edu.pt/. Cfantoniosergio@esddinis.pt . 218310197
Simão Costa falando sobre o tablet como interface para a comunicação na diferença


quarta-feira, 23 de novembro de 2016

"Oficinas improváveis" na Rede de Bibliotecas de Torres Vedras

Um belo trabalho em contexto de Biblioteca Escolar
O professor de ensino especial regista a narrativa do aluno.
Bruna está atenta à história sonora, vai escrevendo a sua narrativa com ajuda de uma máquina de Braille
Ontem, 22 de novembro, foi dia de mais uma “Oficina improvável” no concelho de Torres Vedras. Trata-se de uma iniciativa da Biblioteca Municipal de Torres Vedras que envolve várias bibliotecas escolares e unidades de ensino especial em torno da leitura e da palavra. Com uma periodicidade mensal, estas oficinas intervirão junto das crianças e jovens com necessidades educativas especiais, promovendo a utilização do livro e de outros recursos das bibliotecas, numa perspectiva inclusiva. Depois de uma passagem pelo agrupamento de escolas Padre Vitor Melícias numa sessão inclusiva em torno das narrativas sonoras, ontem foi a vez de trabalhar com a unidade de ensino estruturado da escola Madeira Torres. Foi uma sessão intensa, propondo o trabalho em torno dos livros de imagem (álbuns) e partilhando algumas ferramentas de mediação. É importante promover o empréstimo domiciliário junto destas crianças diferentes.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

10x10: Quem me dera ser robalo...

Os corpos envoltos nas batas brancas do laboratório misturam-se organicamente com a cor projectada.
 ("Dia Positivo" - Miguel Horta)
O projeto 1ox10 vai fazendo o seu caminho na Secundária da Costa Primo, não sem dificuldades, mas apontando já aquilo que constituirá a partilha final na Fundação Calouste Gulbenkian Numa aula de Educação Física fora do comum, resolvemos dar continuidade ao trabalho dos slides diretos ("Dia Positivo") iniciado no laboratório de Biologia. Propusemos aos alunos que trouxessem as suas batas imaculadas do laboratório e experimentassem o movimento no auditório da escola com as imagens projetadas sobre o corpo. Tenho a certeza que a Aldara Bizarro haveria de adorar a ideia…O resultado foi muito engraçado. De repente tinham a projeção em grande escala daquilo que haviam criado numa  muito pequena. O Nuno Resende propôs que executassem movimentos orgânicos aos som de “arrival of birds” (Cinematic Orchestra) – um pequeno grupo começou a movimentar-se (dançou!). “Movimentem-se como uma célula!” Incentivou. Depois coloquei “Several Species of Small Furry Animals Gathered Together in a Cave” dos Pink Floyd, o que gerou uma reação imediata de um grupo de 5 rapazes afoitos que, no meio de risadas, fizeram uma série de movimentos afro animais – Gostei bastante! Um pequeno grupo influente ficou mais parado, numa evidente atitude de estranheza (surpresa)… Na avaliação escrita e anónima da aula, a maioria dos alunos achou a aula infantil, não entendendo a relação com a Biologia, chegando a afirmar que queriam educação física tradicional… Um terço dos depoimentos demonstra que alguns alunos vão entendendo os objetivos do projeto. Esta avaliação bateu forte e serviu para uma reflexão profunda sobre o desenvolvimento do projeto, realçando a necessidade de se explicar bem os objetivos e a essência do trabalho. Estes jovens (e famílias) estão muito formatados por anos e anos de ensino expositivo tradicional, seguindo metas estabelecidas pelo poder. Fazer medrar metodologias diferentes, criativas e colaborativas, no interior de uma turma bastante competitiva é uma obra exigente… Nesta aula, o sistema de avaliação com pedras verdes, amarelas e vermelhas ditou a predominância rubra. Mas na aula seguinte, Biologia, foi bem diferente. 

Helena Moita de Deus conduziu os trabalhos com mestria científica. Coube-me coadjuvar a aula em que foram dissecados diferentes peixes (nada que me atrapalhe...). Nesta aula partilhei alguns métodos de desenho para não-artistas. Como fazer um desenho (ou ilustração) de forma simples. Acho que gostaram das soluções simples. (Em miúdo dissecava alguns peixes que apanhava com a minha pequena cana de pesca para descobrir o que haviam comido, qual o isco a usar, e também para entender melhor como funcionavam aqueles fascinantes seres… ) Mostrei aos alunos os diferentes conteúdos estomacais dos animais analisados estabelecendo uma relação com a sua alimentação, territórios de caça, hábitos e reflexos na morfologia evidente destas criaturas. Peixes estudados: Solha, carapau, faneca e truta marisca. Amanhã será lançado o grande desafio desta edição do 10x10 na Secundária Seomara da Costa Primo. Logo, logo, vos revelaremos.
 
 

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Para que se encontrem, basta que ambas queiram

 No dia 18 de novembro, a convite de Filipa Oliveira, tive o prazer de orientar um encontro formativo sobre Museus e Escolas na Fundação Eugénio de Almeida em Évora. Foi um encontro muito concorrido, com professores participativos, intervindo bastante ao longo das três horas de formação que começou com uma visita/desafio à exposição temporária patente no museu. Na véspera escrevi o pequeno texto que aqui partilho convosco, sem saber que professores iria encontrar… Aproveito para enviar um abraço à Marisa Guimarães e ao João Pedro Mateus - obrigado pelo apoio que me deram durante a intervenção.
Uma instalação de Anna Maria Maiolino - "Entrevidas" 
(Parte integrante da exposição "Vantagens e Desvantagens da História para a Vida" - Curadoria de Paulo Pires do Vale).
 Esta instalação com ovos frescos faz a delicia dos visitantes e o afã do serviço de limpeza.
Encurtando a distância entre o museu e a escola
Como é que eu vos poderei convencer que um Museu é um recurso muito útil para o universo escolar? Por aqui, também lidamos com o conhecimento que nos é conferido pela coleção que dispomos. Até somos bastante rigorosos no que concerne à catalogação, conservação e dispositivos expositivos com que lidamos. Mas na partilha do conhecimento somos descontraídos, disponíveis e informais. É que por aqui, usamos metodologias não formais de educação, privilegiando a livre fruição pela coleção que dispomos. O grande desafio neste século de “modernidade líquida” (1) é ter a porta aberta à variedade do Mundo, pois o Museu é uma casa onde deve caber toda a gente! Ter a porta aberta à escola significa refletir na nossa programação as necessidades de partilha do conhecimento, não abdicando da linguagem própria dos museus - a Museologia. De uma forma simples poderíamos dizer que esta palavra significa organizar e disponibilizar a coleção, democraticamente, acessível a todos (2). Esta emergência da comunicação do conhecimento deu origem aos serviços educativos que por ali e por acolá vão dando voz a mediadores de museu (3). Não nos peçam para ir cegamente atrás das metas curriculares ou outras orientações emanadas do poder, pensem no museu como um espaço que vos pertence, lugar de experiências e apropriação do conhecimento ao ritmo natural de cada um de nós – o público. O museu permite o crescimento interior do conhecimento de forma holística, onde cada obra de arte é uma janela aberta para o mundo em todas as suas dimensões, incluindo a 4ª, o tempo de mão dada com o espaço. Cada museu, à semelhança de uma escola, tem pessoas reais que lá trabalham, possui uma coleção específica, tem uma determinada escala, situa-se num lugar específico e tem um estatuto social determinado; todas estas coordenadas definem uma personalidade própria, o que vai ditar o relacionamento específico com a comunidade envolvente. Quem se quer relacionar com o museu deverá conhecer esse universo – se a comunidade educativa quiser estar próxima do museu é só bater à porta. Os museus já estão a fazer o seu trabalho de casa, aproximando-se da comunidade educativa. Como o Tio Alberto sempre dizia: para que duas pessoas se encontrem, basta que ambas queiram. O grande aliado do professor dentro do museu é o mediador cultural (4)É ele que estabelece as pontes, prepara a visita, a oficina, a relação com a escola. Deverá refletir sobre a coleção e espelha-la no plano das intenções dos curricula. É um trabalho de investigação que merece todo o nosso respeito. O Mediador é o anfitrião, o facilitador de uma relação fluída com o museu. A par do ofício da mediação, a programação (sobretudo a educativa) assume um papel fundamental. Pode existir uma programação a pensar na proximidade. Se a matéria exposta parecer complexa, estou certo que a equipa educativa e os curadores conseguirão estabelecer pontes, fidelizando públicos e abraçando novos.
(1) Citando Zygmunt Bauman  
(2) Depois de uma resposta simples, o melhor é conferir com uma opinião académica:
“Conceitos-chave de museologia” por André Desvallées e François Mairesse  -Editores Bruno Brulon Soares e Marilia Xavier Cury
 (3) Conferir a visão de Medição Cultural expressa pela Mapa das Ideias no projeto Museum Mediators, aqui
(4) Denise Pollini, coordenadora do Educativo do Museu de Serralves, diz com imensa graça que não gosta da palavra “monitor” – os mediadores de museu não são monitores de televisão.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

O que nos diz um retrato?

E se eu fosse Duval de L'Epinoy?
Pronto! Já está montada e testada a minha nova oficina “O que nos diz um retrato” (um belo nome escolhido pela Margarida Vieira), incluída no programa Descobrir/Fundação Calouste Gulbenkian dedicado a públicos com necessidades educativas especiais. A identidade interior como guia para esta nova oferta: O que nos diz um retrato? Para além da evidência do suporte e da técnica utilizada pelo artista, que histórias estão escondidas? Que narrativa está misteriosamente velada por um olhar ou por um gesto congelado no tempo? Como poderei criar uma narrativa pessoal a partir da observação de um retrato? Que efeito tem em mim esta procura e construção de uma narrativa pessoal? Para responder a todas estas perguntas vamos explorar as duas coleções do Museu Gulbenkian interrogando os retratos que aqui estão expostos. A última sessão será dedicada à concretização plástica de autorretratos concordantes com as narrativas que fomos construindo ao longo dos 3 dias. (do programa) Visitas dinâmicas, por vezes com um toque de narração oral, diálogo centrado na contribuição criativa do público. Dada a variedade de públicos e níveis de perceção e cognição diferentes, as ferramentas de expressão poderão ser variadas. Trata-se de uma oficina orgânica, adaptável e alterável de acordo com a “diversidade funcional” dos participantes. Quando alguém olha para nós adivinha as nossas histórias? Quem vê caras vê corações? Se eu te tirar uma fotografia fico a saber as tuas histórias? O que será preciso fazer para uma imagem contar a nossa história? E se eu fosse a personagem que está dentro da obra de arte? Conhecem a misteriosa história da rapariga do colar de coral?...Pois então, cá vos esperamos para vos revelar o segredo”.
Duval de L'Epinoy - pesquisa/desenho de um dos nossos meninos

domingo, 30 de outubro de 2016

O musseque da cor

Fotografia - Fundação Calouste Gulbenkian
Meus amigos, vou orientar duas visitas para desenhar no Museu Gulbenkian/Coleção Moderna (Centro de Arte Moderna) nos dias 20 de novembro e 11 de dezembro às 11h, tendo como tema, pretexto e motivação a bela exposição de António Ole que ali está patente. Chamei a esta “visita para desenhar” o “Musseque da cor”, realçando os registos sempre texturados e coloridos da arquitetura popular e arte dos “kimbus”, visível a quem passa pelos bairros de Luanda. Durante a visita lerei alguns trechos do livro “Quem me dera ser onda” do escritor Angolano Manuel Rui, para acompanhar o riscar dos papéis. Não se esqueçam de marcar lugar antecipadamente. Nós levamos os lápis e os papéis. Inscrições e informações aqui.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

10xHematoxilina

Brincando com a imagem projetada
O Projeto 10x10 (Descobrir/Gulbenkian) continua com a intensidade esperada na Secundária Seomara da Costa Primo (Amadora), com os professores Helena Moita de Deus e Nuno Resende. Se é certo que a observação à “lupa” (ou microscópio) nos faz mergulhar no microcosmos através dos olhos, propondo momentos de encantamento com um mundo numa escala diversa da humana, outras formas de aceder ao “extremamente pequeno” são possíveis, envolvendo o corpo todo num encantamento de escala proposto pela oficina que aqui descrevo.
Sou filho de médicos Anatomopatologistas, investigadores e humanistas. A minha infância foi marcada pelas idas ao serviço de Anatomia Patológica do Hospital de Santa Maria onde me encantava com pedaços do corpo humano em frascos de formol ou esquemas do sistema nervoso em maquetas realistas e, ainda mais significativo- a Microscopia. Dos magníficos microscópios com ópticas Carl Zeiss até ao outro, eletrónico misterioso e grande, que possuía uma sala própria, todos me propuseram um outro olhar sobre o mundo e sobre a perenidade humana. Habituei-me a ver aventais de chumbo, o meu pai trabalhava com substâncias radioativas (Tório), salas impecavelmente limpas, gente de bata branca, com sorrisos igualmente claros, para o filho do Senhor Professor e da Doutora Maria Eugénia; preparadores de laboratório iniciaram-me no segredo das hematoxilinas na sua miríade colorida. Entre as mulheres de bata branca estava a minha irmã Lucília, sempre carinhosa e atenta comigo. Concluo, hoje, que um laboratório médico é uma espécie de ateliê colorido dedicado ao estudo do corpo. Sobre as mesas de fórmica clara ou balcões de escura baquelite, alinhavam-se exércitos de pequenos frascos cheios de corantes apetitosos, mais poderosos que as anilinas que davam cor aos bolos da Avó Felisbela. Máquinas, muito precisas, executavam cortes em peças de parafina contendo material orgânico, obtendo micro- películas observáveis ao microscópio, depois de devidamente mergulhadas em soluções coloridas e colocadas sob uma lamela contra a superfície de uma lâmina maior, igualmente de vidro - depois era só coloca-la no suporte do microscópio e mergulhar na imagem. A minha Mãe costumava sentar-me ao seu colo quando estava senta à secretária a trabalhar a altas horas da noite e desafiava-me nas minhas noites de insónia infantil a espreitar pelo microscópio, sossegando-me com a sua voz calma. Soube, desde muito cedo, o que era uma célula e a sua morada exata. Um dia fiquei muito impressionado com uma fotografia a preto e branco que o meu Pai me mostrou. Era um conjunto de células prenhe de radiação (raios gama) fotografadas a partir do microscópio eletrónico, emanando o seu poder destrutivo para as vizinhas – Lembro-me de ter pensado que me pareciam pequenos sois brilhando no meio do universo. Desde pequeno que mergulho neste território secreto.
Como todas as crianças que querem imitar os pais numa espécie de jogo simbólico que se estende até à adolescência, interpretei, fazendo, a atividade plástica do laboratório. Assim surgiu este trabalho a que chamei “Dia positivo” e batizado de “Hortoscopia” (por graça) nesta edição do Projeto 10x10. No passado, apresentei esta oficina com diferentes designações: no Centro de Apoio às Organizações de Base (“Slides Diretos”- 1979) no Teatro Viriato (“Casulo de imagens” - 2005) e no Teatro do Campo Alegre e mais recentemente numa formação dedicada aos animadores culturais do Município de Óbidos promovida pelo programa Descobrir/Fundação Calouste Gulbenkian (2014).
Apontando uma asa de "formiga de asa" capturada num canteiro da escola

A pergunta do dia foi: “Qual a diferença entre olhar e ver?”. Qual a relação com a ciência (a pesquisa) contida nesta simples questão? Desafiei os alunos a procurarem elementos bem pequenos (que coubessem num caixilho de diapositivo) - andou toda a gente agachada nos canteiros da escola à procura de elementos para os seus slides... Depois cada um colocou o pequeno elemento numa película de acetato, como se fosse uma preparação laboratorial, acrescentando verniz colorido barato sobre a superfície. Os diapositivos foram colocados no projetor de slides. Seguiu-se uma série de interjeições: Oh! Que fixe! Parece um homem a remar. Parece uma bruxa. Parecem estrelas… A cor no slide trouxe poesia e sonho ao caule da planta ou à asa da formiga projetadas sobre a parede branca do laboratório. A coleção de palavras recolhidas como avaliação a cada uma das criaturas aquàticas presentes (todos têm um cognome marítimo) prova que a manhã foi bem passada na aula de Biologia. Outros voos se preparam a partir destas imagens…mas isso, é já um segredo para a próxima aula de Educação Física.
 Recolectores...
Preparações em grupo...
Avaliação e fecho da aula em círculo



quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Sussurrar com a Reynaldo no FOLIO!

Uma bela coleção de fotografias que dá bem a ideia do trabalho 
da Biblioteca Escolar da ES Professor Reynaldo dos Santos (Vila Franca de Xira) 
e do empenho dos alunos durante o FOLIO EDUCA.
Mais sobre esta iniciativa: Aqui e Ali

domingo, 23 de outubro de 2016

Experimentar, partindo do núcleo museológico do Pisão

No Centro de Apoio Social do Pisão (Alcabideche) tenho vindo a desenvolver, com os técnicos e voluntários, modelos de mediação cultural junto dos utentes desta histórica instituição. De momento estamos a trabalhar o núcleo museológico devolvendo o seu conteúdo aos utilizadores atuais do Pisão. A ideia é conseguir que alguns dos utentes (portadores de doença mental) sejam os monitores deste pequeno museu. Estamos a construir guiões de trabalho e já fizemos uma primeira visita/oficina (“Recontar o Pisão”) a pares (utente/técnico) à coleção. Durante 90 minutos construímos pequenas narrativas (escrita criativa) partindo de objetos do museu e personagens descobertas nas fotografias antigas expostas. Aqui fica um exemplo de um dos textos surgidos a partir da observação de uma interessante fotografia a preto e branco (exposta no núcleo museológico - em cima) e uma enxada (objeto escolhido):
“Um rapaz com ar pensativo, cara apoiada na mão sobre a face direita. Olha interessado e interrogativo, apoiado no varandim. – Mas porque é que ele me está a fotografar? Um homem segura um cão em posição de pose para a fotografia. Sorri. Era talvez o melhor tempo de lazer que ali tinha. – Aqui o Bobi também fica na foto. Eles eram obrigados a trabalhar muito, enxada na mão, lavrando o campo. Por isso é que vemos um guarda na fotografia. A Colónia Agrícola do Pisão era autossuficiente. Alguns estão de paus na mão. Um jovem segura uma cana fazendo de conta que é uma flauta. Eles gostam muito de música, pois sem ela a vida seria muito monótona”
 
 Algumas peças expostas que serviram para inventar textos
Gostei muito da avaliação que os utentes fizeram no final da atividade – Um dos participantes referiu que tinha sido importante para conhecerem a história do Pisão através da “visita dinâmica”, outro falou sobre a evolução das políticas de saúde… Referiram ainda, como tinha sido importante conhecer o museu e pensar no futuro e que “sim, que a atividade tinha servido para se cultivarem”. Falou-se muito do tempo em que a instituição se chamava Colónia Penal e Agrícola do Pisão e das profissões que antigamente ali existiam. O senhor Amadeu comentou que tinha ficado curioso sobre a forma como os residentes se ajudavam uns aos outros naqueles tempos. Temos consciência da necessidade de adaptação do discurso de mediação aos diferentes graus de literacia existentes entre os utentes; por vezes, a solução é registar as palavras dos participantes durante a atividade. Estamos a pensar formar outro grupo que aplique a “Máquina da poesia” naquele núcleo museológico.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

10xCONTAMINAÇÃO

 
Plenário em círculo
O Projeto 10x10 (Descobrir/Fundação Calouste Gulbenkian) já arrancou, decorrendo com soluções diferentes em distintas escolas. Na Secundária Seomara da Costa Primo a viagem faz-se tranquilamente, valorizando passo a passo cada solução original, propondo formas de transmitir/partilhar conhecimento menos expositivas e mais crentes na capacidade de autonomia e criatividade dos alunos, tendo sempre a pesquisa como motor para novas descobertas.
Já conheci os Pais dos jovens com quem estamos a trabalhar. Na reunião com os Pais, no início do ano escolar, responderam ao nosso desafio escolhendo uma animal com que se identificavam; explicámos que tínhamos feito a mesma brincadeira com os seus filhos. Falámos dos objetivos do Projeto 10x10 e pedimos a cumplicidade dos encarregados de educação neste projeto.
Uma das palavras, repetidas amiúde neste projeto, é CONTAMINAÇÃO, que pode (e deve) surgir espontaneamente na prática pedagógica. O professor Nuno Resende lançou um desafio muito interessante aos seus alunos e alunas: criar um jogo novo, uma nova modalidade, definindo as regras para esse jogo e testando-o, confirmando a conceptualização. E funcionou! Também na aula da professora Helena Moita de Deus, um dos alunos achou que a imagem que acabava de surgir no microscópio tinha um pendor artístico – fotografou, digitalizou e enviou o ficheiro para a professora, por razões meramente estéticas. Não resistimos a publicar aqui o resultado. 
Fotografia e preparação de Tatiana Sousa
Se soubessem o que vai acontecer com estas imagens...
Na última aula de Educação Física aplicámos algumas das dinâmicas utilizadas na residência artística de Julho: o resultado da “Dinâmica das Ilhas” (Carla Dias) foi muito engraçado, apresentando novas soluções para a resolução das regras do jogo. O Nuno pensou um aquecimento que juntou a “dinâmica das velocidades” proposta pela Aldara Bizarro na Residência Artística com a necessidade de formar diferentes grupos de um modo natural, obtendo-se um resultado quase coreográfico em que os diversos grupos obtidos serpenteiam pela sala. de forma orgânica. O “jogo das palmas” (descobrir um itinerário de acordo com a intensidade do aplauso da assistência) também correu bastante bem. No final da aula fiquei a conhecer o novo método de avaliação da aula, inventado recentemente, com recurso a pedras vermelhas, verdes e laranjas colocadas numa garrafa; no final da sessão procede-se à contagem. 
 Dinâmica das Ilhas (Carla Dias)
Propondo a resolução de problemas através da reflexão colaborativa
Ferramenta para avaliação

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Nª Inv. Inarte: 16P1814 CAM

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Museu Gulbenkian
Colecção Moderna
Autor: Miguel Horta
Título / Data : “Flor”, 1988
Categoria : Pintura
Materiais : Acrílico e têmpera vinílica sobre tela
Dimensões: 200, 00 x 150,00
Datado e assinado no verso:
“Janeiro 1988. Miguel Horta"
Nª Inv. Inarte: 16P1814

Anos 80! Esta peça foi exposta na Galeria Novo Século na exposição "Movimentos Vegetais"
Um texto de Paula Moura Pinheiro aqui

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Nª Inv. Inarte: 16P1813 - CAM

Ainda uma foto caseira...
Fundação Calouste Gulbenkian
Museu Gulbenkian - Coleção Moderna
Autor: Miguel Horta
Título / Data : “Travelling stones” , 1991
Categoria : Pintura
Materiais : Acrílico e espinhas de linguado sobre tela
Dimensões : 140,00 x 245,00
Datado e assinado no verso:
"Agosto 1991. Travelling stones. Miguel Horta"
Nª Inv. Inarte: 16P1813
Esta pintura fez parte integrante da exposição "Luciferario" - Galeria Arcs&Cracs - Barcelona. Excerto de texto de Eva Sastre Forest para apresentação da exposição. Barcelona 1992:
"Miguel Horta resgata na sua pintura a rara luz que existe nas profundezas da terra; um clarão que invoca essas forças da natureza ainda ocultas e que emergem no meio da escuridão e do acinzentado do ambiente como poderosos halos, ecos, brilhos, fosforescências de origem incerta. Na textura das suas obras apalpa-se o elemento inerte, mas também a incandescência do mineral que experimenta transformações, atritos, viagens e erosões; desprendem-se um calor e uma luz ancestrais, que embrulham as rochas, praias, gretas e cavernas numa aura atemporal e por isso bem real. Estamos dentro de um mapa no qual as linhas marcam o tempo que passa mas que simultaneamente resta (!) porque percebemos as rugas e as pegadas de outro seres; outros elementos que aí estiveram, mas que ainda cá estão. Restos mumificados, fósseis, estratificações porosas, relevos, fendas e vazios onde habitam elementos que desafiam o gélido hálito do abismo, transformando a energia que surge das entranhas num magma poderoso, que após a catástrofe, sabe ressuscitar as fontes de vida…."

Excerto de crítica do meu amigo Ferran Escoda para a revista "El Guia" (Março 1992):
"(…) La pintura de Miguel Horta busca la construcción de un lenguaje coherente, de registos sutiles y controlados, técnicamente seguro y sin la precipitación del efecto gratuito.Luciferário es el título de esta exposición barcelonesa, un ejercicio y una reflexión sobre la luz.(…) Cada pintura se convierte en un detalle de imágenes matéricas, pero al mismo tempo nos enfoca cosmos ilimitados, perfiles de una realidad atemporal. Dentro de un gestualidad controlada, la pintura de Miguel Horta se estratifica, adquiere volumen y sugiere la música inaudible de la luz:” Y todo esto comienza a moverse… cantos rodados vagabundos adquiren un sonido definido cortando el silencio de las profundidades; rocas palpitantes mostrando las texturas rítmicas de las que están compuestas.”(…) Esta pintura que a la vez es obsesiva en el detalle y disfruta del vértigo del universo, es producto de ese localismo que nos hace internacionales. La síntesis de su lenguaje esta hecha de piedras lanzadas al vacío, de peces que nos alimentan, de la esencia de caldos primordiales. (…)
Pero detrás de cada surco, de cada espacio desgarrado, se esconde la presencia de un movimiento humano que quizá algun día aparezca"

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Como se diz LAREDO em LGP?

Laredo from Laredo Associação Cultural on Vimeo.
Sabem como se diz LAREDO (Laredo Associação Cultural) em Língua Gestual Portuguesa? Pois vejam a Joana Cottim, nossa mediadora, apresentando a palavra. Conhecem o nosso trabalho com a comunidade surda

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Mediação em Museus e Comunidade Surda

Não vos tenho falado de um trabalho, da nossa Associação Laredo, que muito admiro: “Serralves em Língua Gestual Portuguesa”, magnificamente conduzido pela equipa do Porto (Joana Cottin, Susana Tavares e Joana Macedo) em parceria com o Museu de Serralves. Este trabalho profundo em torno das acessibilidades aos conteúdos, a decorrer regularmente no Museu de Serralves (e agora também no parque), mereceu a atenção do júri do Prémio Acesso Cultura, tendo sido atribuída uma menção honrosa. Trata-se de uma atividade muito bonita de mediação em museu, procurando novas palavras em Língua Gestual Portuguesa para melhor dialogar com os visitantes surdos em frente às obras de arte. A procura de novas palavras para “instalação”, “performance” ou para tantas outras a que correspondem diferentes referências em arte contemporânea, faz parte da nossa metodologia de trabalho partilhado com os nossos visitantes. São vistas vivas onde todos têm lugar para a sua palavra, debatendo intenções artísticas ou comunicando sensações e experiências. Esta realidade, que acontece ciclicamente aos sábados em Serralves, entusiasma-nos a procurar outros caminhos nos museus e também em bibliotecas públicas e escolares. Em primeira mão, posso anunciar que esta mesma equipa começará a fazer visitas-orientadas ao Mosteiro de São Bento da Vitória e ao Teatro Nacional de São João! Ora venha daí um ruidoso aplauso, para quem está a cria novos públicos através de um trabalho dedicado e especializado. Poucos saberão que nos conhecemos os três (Miguel, Joana Macedo e Susana Tavares) no Serviço Educativo do Museu Grão Vasco, na altura em que Dalila Rodrigues (vai daqui um abraço!) dirigia o belo museu de Viseu (12 anos atrás?). Para além de visitas/oficina que realizei em conjunto com estas duas mediadoras, havia também um atelier de desenho pela cidade quinhentista – Grupo de Desenho de Viseu. (Arqueologia aqui)
Parabéns Laredo Norte!
Não resisto a publicar aqui um excerto de um email da Susana Tavares (desculpa) que nos dá uma ideia bem aproximada do espírito desta visita ("O Parque de Serralves em Língua Gestual Portuguêsa): "Foi, sem dúvida, o maior grupo até agora! A visita ao Parque é sempre muito interessante porque o espaço, praticamente, fala por si. Neste caso, o tempo também ajudou. Penso que o grupo ficou surpreendido com a dimensão do parque e com tantos recantos encantadores (o que se notou nas paragens para as fotos!!). Mesmo os que já conheciam, desfrutaram verdadeiramente deste "walk in the park". Para além disso, foi um grupo atento e interessado pelos conteúdos que partilhámos." Nós gostamos de trabalhar em Museus!