quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

The poetry-making machine


Versão em português da Màquina da Poesia, aqui
At the beginning of every workshop, the monitor should challenge the participants that they too will become poets by the end of the session. Of course, there will be looks of disbelief to such statement. But this works as a starting point for presenting them the “poetry-making machine”, drawn upon a large blank paper sheet, supposedly a “very complex mechanism”. It consists in a large rectangle, divided in 4 “mechanic parts” (being the third column is itself subdivided), as shown:
           
Then, the participants are asked “With what can we build a poem? What  commodities can we make use of? What are the source materials for us to work poetry with? What fuels this machine?” And, the answer should be “Words! Of course! An input of words is necessary for it to work!”
Each participant is asked to introduce a word (nouns, names, characters, spaces, objects...) in the first column (1). The monitor gives an example with the noun “word”, and then follows with “poet” and “idea”, and writes them on the paper with a large marker. Each participant writes in the columns until it is full.
 Then, the monitor explains that the second column (2) will be filled with verbs, the third (3A) with words form the same category as the first column, the fourth (3B) will be filled with abstractions and concepts (such as wisdom, love, courage, taste, intelligence...), and the final column (4) with adjectives. Suggestions are taken from each participant until the “machine” is full.

           
Now, the monitor should give an example, using the “machine” to create a somewhat poetic sentence, taking a word from each columns. For example “A cat a friendly darkness dreams”, or “Poets kiss a secret book”, and so on. The participants are encouraged not just to follow this pattern of collecting and rearranging, but also to try different and unusual wording combinations, even if they sound weird. They can change the articles, the verb moods, tenses and voices, as well as introduce prepositions. It must be made clear that the columns sequence does not have to be the chosen order for the words in each sentence, and that rhyming is not necessary for poetic creation.
The monitor should observe and support the participants when writing sentences, helping them and suggesting words, and encouraging those with manifest difficulty and poor language skills. Support can be given by explaining simple solutions, such as deriving and adjective form a noun or vice versa (for example “Wisdom → wise”). At this point, is very important that the monitor mingles with the participants, with enough sensibility and empathy to diagnose those whose difficulty with grammar and vocabulary forces them to voluntarily refrain from actively participating. Our experience suggests that it is of the utmost importance to take some time with a participant, for example, to explain the correct orthography of a word, or to show the correct use of a verb tense or mood, for it may help them overcome a particular difficulty and improve their self-esteem.
In the end, the five best sentences from each participant should be chosen by the monitor, to be read out loud. At this point, the images and metaphors evoked by the texts should be underlined as the main product of the “machine”, regarded as the main characteristic of the poetic genre. “You do not have to rhyme, just imagine what can you draw with your minds!”

Three further exercises are introduced to the participants. First, the sentences are grouped by common words and themes. “Who wrote verses with dolphins?”, “Who wrote sentences with the word Love?”, the monitor, for example, can ask. The selected sentences are collected and ordered as verses in a poem, and read out loud, to show the unexpected coherence for a collective poem. Then, a Japanese Haiku work is read. Usually someone notices how close they are to the verses they have created. The purpose of this second exercise is to confirm them that they have, in fact, made poetry. At last, the participants who did not enjoy writing are challenged to illustrate what they think are the best poems and verses from the workshop. 
Sometimes I blindfold the participants and prove that they are able to write poetry even with their eyes closed

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Maré de Histórias em Dois Portos


Este ano o tema do Carnaval de Torres Vedras é o Oceano; todas as escolas do concelho foram convidadas a participar. O Agrupamento de Escolas de S. Gonçalo juntou-se à proposta convidando-me a trazer o Mar para dentro da Biblioteca Escolar, com a “Maré de Histórias”. O meu livro “Rimas Salgadas” tem estado em destaque. Os alunos da Ventosa vão ao Carnaval vestidos de estrelas-do-mar cor-de-laranja – ficam lindíssimos. Em cada sessão com os alunos da escola nunca me esqueço de dizer (cantando) o poema “Onde nascem as estrelas?”.
Já com na Escola Básica de Dois Portos o caso é diferente: escolheram os Lobos do Mar como tema da fantasia que vão levar à festa. Na sexta-feira estive lá na escola com o “Rimas Salgadas” e não só. Gostei muito de trabalhar na biblioteca escolar daquela escola acolhedora… Levei comigo um lindo livro de pano, “O Senhor Mar” da Bru Junça, feito para um poema "História do Senhor Mar" de Matilde Rosa Araújo (O Livro da Tila). (Em todos os grupos da escola, apenas dois meninos tinham visto livros de pano...)
História do Senhor Mar
Deixa contar…
Era uma vez
O senhor Mar
Com uma onda…
Com muita onda…
E depois?
E depois…
Ondinha vai…
Ondinha vem…
Ondinha vai…
Ondinha vem…
E depois…
A menina adormeceu
Nos braços da sua Mãe…

Gostei de todas as sessões, mas há uma que não vou esquecer – a que fiz com os meninos e meninas do jardim-de-infância, à volta de uma mesa. Comecei folheando o livro da Bru enquanto ia dizendo o pequeno poema. No final um menino pediu: conta outra vez! E lá contei com a minha pequena assistência baloiçando-se ao sabor das ondas da poetiza. Depois tratei de dizer cantando os meus poemas. Peguei num lápis e desenhei peixes e mais peixes. Para os meninos e meninas do 3º e do 4º ano desenhei um Lobo do Mar com um papagaio no ombro e um cachimbo na boca! O livro da Bru fez-me sempre companhia, com ele na mão, encerrei todas as sessões cantando “Vou-me embora vou partir mas tenho esperança”…

sábado, 27 de janeiro de 2018

A maré vai subindo na Ventosa...

25 de janeiro
A maré de histórias subiu ontem na Biblioteca Escolar da Ventosa (Torres Vedras. Primeiro com as crianças e depois com a comunidade numa sessão de conto e poesia muito participada e descontraída. Estava uma sala muito bem composta, o que dá a justa imagem do trabalho de qualidade desenvolvido pela professora Joana Rodrigues (RBE) em prol do livro e da leitura. Foi precisamente neste Centro Escolar que decorreu o Projeto “Dilfícil Leitura” que levou ao Folio/Educa o nosso trabalho com as crianças autistas e outras fantásticas crianças diferentes, mais os seus pares, numa ideia afoita, desenvolvida por todos, mediador do livro e da leitura, professores de ensino especial, professora bibliotecária e auxiliares de educação. Dando continuidade à nossa ideia, na perspectiva da leitura a par, a professora bibliotecária iniciou um novo projeto inclusivo, batizado de “Ler é Ser Especial” que irá aprofundar a leitura em tandem, em estreita colaboração com os docentes de ensino especial. Está prevista a minha participação… Logo vos direi.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Educar na desordem

Clara Andermatt e Mickaela Dantas numa fotografia de Alípio Padilha 
Tive o prazer de assistir a um ensaio aberto do espetáculo/projeto “A Educação da Desordem” da Companhia Clara Andermatt no estúdio da ACCCA, junto de muita gente que não conhecia do meio da dança. Foi muito interessante escutar a troca de opiniões entre profissionais. No palco, Clara Andermatt e Mickaella Dantas. Percebemos logo que está a nascer um espetáculo coerente, muito bonito (estético) e corajoso. Está em palco uma coreógrafa que reflete, falando e dançando, sobre o processo criativo com uma bailarina. Talvez procure a sua imagem refletida na outra mulher que ali dança… E que jovem mulher, aquela … Mickaella Dantas, que vem fazendo um belo percurso pela CandoCo Dance Company (Londres). Percorre o espaço metamorfoseando-se perante o nosso olhar incauto. Deste diálogo entre as duas mulheres, vão surgindo momentos de rara beleza, onde os sentidos da normalidade são traídos e seduzidos pelo objeto artístico que se vai construindo, pouco a pouco, em palco. Não sei porquê, ou não sei explicar bem, mas quando Mickaella começou a dançar deitada sobre a mesa, com aquelas calças reluzentes ao som de Tom Jones, lembrei-me da figura da contorcionista, fazendo a sua prestação sob os projetores de um circo de província, algures na minha infância.
Assim nasce um espectáculo. Obrigado.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Crianças ciganas e química escolar

 
Sob o olhar atento de Sophia...
O primeiro contacto com o grupo poderá ser definidor de atitudes futuras - a responsabilidade é grande...
Fotografia  por cortesia de Judith Pereira
Convocado pela Conceição Rolo, a grande impulsionadora da A.L.E.M (Associação literatura literacia e mediação), participei no dia 11 de janeiro na Escola Básica Sophia de Mello Breyner na Outurela (Carnaxide) numa sessão convívio com pais e alunos de origem cigana.
 O grupo de mediadores da A.L.E.M. pediu o meu apoio para ajudar quebrar um ciclo de não comunicação desaustinada entre um pequeno grupo de alunos ciganos e a escola. Foram entrando desconfiados, a conta-gotas, na sala – primeiro os rapazes com o seu grande líder (em tamanho e quase a completar a idade em que deverá sair da escola), depois as raparigas (adolescentíssimas) num pequeno cardume ruidoso. Aliás, devo dizer sobre os pequenos líderes na escola, sexo masculino, que a abordagem ao seu comportamento deverá ser feita através da química: o grande líder é sempre o átomo de oxigénio insuflando energia a dois tontos hidrogénios que orbitam à sua volta. Resultado disto tudo, a molécula que dá sempre água em contexto de sala de aula. A conversa começou pelos sapatos, de vestuário entendem eles… Depois acabámos a conversar sobre a história do povo cigano, com eles a “tirarem-me as medidas”. Uma mãe cigana interveio, pegando pela palavra calon, esclarecendo o rapaz sobre aquilo que eu estava a falar. A partir desse momento pais e filhos começaram a comentar e fizeram a escuta necessária à narração oral. Lá contei a primeira história. Uma rapariga agitada propôs, interrompendo logo no início do conto, que se mudasse o nome da heroína da história para Orlanda. E Orlanda ficou... Depois mostrei o “Zoom” ao grande grupo – pais e filhos participaram alegremente na mediação do livro. Mais tarde, num pequeno grupo, comecei a contar uma história com o “Popville” na mão: “Era uma vez uma pequena aldeia chamada Outurela, que foi crescendo …” A história que tinha preparado para encerramento já não pode ser contada em condições – ostensivamente, o “átomo de oxigénio” quis mostrar o seu poder, boicotando o contador. Interrompi a narração e disse, olhando-o nos olhos: “Respeita-me!” Lá conseguiria terminar o conto, e avançar mais umas linhas na minha leitura de quem me escutava – crianças, jovens, mães e pais, ciganos, e professores não ciganos.
Parte do grupo que participou no encontro promovido pela ALEM na EB Sophia de Mello Breyner (Outurela)
Há escolas determinadas em mudar o rumo da educação...

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Programa para Domingo 28 em Almada (Casa da Cerca)

No domingo dia 28 de janeiro às 17h, na Casa da Cerca (Almada velha), a propósito das obras expostas de Pamela Golden, vou propor um exercício simples de interpretação poética dos trabalhos da artista, recorrendo à metodologia da máquina da poesia. Um convite endereçado pelo amigo Mário Rainha Campos, do serviço educativo deste museu, uma iniciativa integrada no programa “Obra Aberta”. A intenção será acrescentar novas interpretações, desta vez, através de uma abordagem poética. Para a família toda; agora para escrever os poemas pequeninos, só se já tiverem 8 anos...

Lá vos espero na receção do Museu. 

domingo, 14 de janeiro de 2018

Spinner para começar a comunicar



Comprei um Spinner preto numa loja chinesa, próxima aqui de casa. Tenho usado este pequeno brinquedo, não para estar na moda, mas porque ele é um poderoso auxiliar nas estratégias de comunicação com crianças com "problemas" ou do campo do autismo. O meu spinner é luminoso e chispa com o seu LED, formando mandalas à medida que vai girando no escuro da sala. Completamente irresistível. É fascinante ter um objeto cinético que pouca coisa faz, para além de girar. Deixa bastante espaço para a interação, para a comunicação, tem muito espaço livre, poucas funções. Um território livre para ser explorado a dois. Bem sei, tem alguns truques que vou aprendendo com miúdos que têm canais Youtube e que fazem crítica de brinquedos atuais. (ia para publicar um vídeo que fiz, mas estes pré-adolescentes são muito melhores que eu…). Mas o bom deste objecto/brinquedo é que gera aproximações, um primeiro motivo de aproximação, se calhar sem palavras. Depois, alguns gestos, motricidade fina apurada e…toque de mãos. Ideal para o trabalho em tandem, para começo de estrada e outras invenções circulares. Experimentas tu, experimento eu, poisamos na mesa para escutar o ruído. Quando aparecerem mais do uma criança com oseu spiunner para conversar, aí teremos de inventar novos rumos para o jogo, outras interações. A propósito de jogos coletivos (tradicionais): Este verão vi umas miúdas a jogar ao prego na praia. Juntei-me a elas e, felizmente, não estranharam: lembrava-me de quase toda a sequência e das diferentes posições das mãos acompanhadas de movimentos específicos, gradualmente mais difíceis, à medida que se aproxima o final do jogo. Hei de me lembrar de usar este jogo, aproveitando para desenhar na areia molhada.
Não poderia terminar estas linhas sem referir o pai de todos estes brinquedos cinético e giratórios: O Senhor Pião, aqui num pequeno filme do interior do Brasil.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Ler! Ler nas oficinas improváveis.

Lendo Álvaro de Magalhães em voz alta.
Com o início do ano, recomeçaram as Oficinas improváveis, mediando a leitura junto de alunos com necessidades educativas especiais, nas bibliotecas escolares de Torres Vedras. A equipa é composta por três mediadores: um cota (eu), mais a Ana Gonçalves e Vera Fortunato, técnicas da Biblioteca Municipal de Torres Vedras, responsável pela iniciativa. Estivemos na Biblioteca Escolar da escola sede do Agrupamento de Escolas Padre Vitor Melícias, muito bem recebidos pela professora Ilidia Janela, a anfitriã. O grupo que participou na sessão não era muito pesado. As maiores dificuldades destas crianças advêm da sua condição de exclusão cultural e social, sendo evidente a presença da etnia cigana que tentámos valorizar ao longo da sessão, pedindo para que acompanhassem dois poemas (meus) usando as palmas, à boa maneira cigana, marcando o ritmo/métrica de dois textos. Decidimos ler, com mais ou menos expressão, um conjunto de textos previamente escolhidos tendo em conta a composição do grupo. E lá pegámos em António Gedeão, António Torrado, José Fanha e Álvaro de Magalhães. A Ana leu muito bem o poema “animais de estimação”, um texto do “Brincador”, e eu e a Vera lemos, a par, o “Devagar e depressa” de António Torrado (“À esquina da rima, buzina”). Ler para o outro, tão simples.
Lendo ritmadamente António Gedeão

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

The story-telling painter

The story-telling painter. Miguel intertwines the imaginary as colour mixed brush strokes. Curses from Algarve, Creole tales and fishermen’s stories, all are found in his bag. He works as an educator for reading and book-learning along the neighbourhoods, penitentiaries, libraries, schools, streets and boats. Miguel Horta is a painter who writes and draws his books spurred by the blown Levant through the lagoon and on the hardened westmolded escarpments. Since childhood he found heart by the sea and in all her inspired liars on board. But more important than the fishes and the beasts below are all the people with their stories; and thus, he strove into the heartland to tell of other lives one hears in his illustrations and tales, shared both in Portuguese or Cape-Verdean Creole. Such concern with the other, bounded to the societal impact of story-telling, might have been what transformed him into an effective mediator for book-learning and reading, credited by those who harbour his educational workshops in libraries or work with him directly in interventions on situations of cultural or social exclusion. Further, Horta has shown an important work on oral narration and mediation for reading in students and communities with special educative needs. The high tides have left us with this story-teller mediator on the sands of our beach, as a castaway from the modern world.
He narrates in Portuguese and Cape-Verdean Creole.
Adapted from a text of José Barbieri (Memóriamedia)